2014 Beyonce

VMA e EMMY: 5 coisas que mostram que a música está anos-luz na frente da TV

26.8.14Dana Martins


O VMA foi no domingo (24) e logo no dia seguinte (25) tivemos o Emmy, mas a impressão foi de que voltamos no tempo. Quando eu vi o que a Beyonce fez no VMA, eu já fiquei louca pra dividir no CC. Aí depois teve aquele momento da Sofía Vergara no Emmy que até agora tá doendo meu coração. E hoje eu fiquei sabendo o que a Miley Cyrus fez no VMA - foi a gota d'água. Eu precisava salvar aqui no blog, de quebra ainda entram a Lorde e Orange Is The New Black.

Mas, afinal, por que uma diferença tão grande?

1- VMA Beyonce poderosa e feminista (desculpa o pleonasmo)


Todo mundo sabe o que ela fez. E ainda digo mais: ela não só fez uma apresentação espetacular e se associou publicamente ao termo feminista (aposto que a Shailene Woodley  e outras vão pesquisar o que é isso no google agora), como deu um show de apresentação sobre o que é ser feminista. Uma mulher sexy, poderosa, dançando e que depois não tem medo de trazer o marido e mostrar a própria família. Ser mãe, ser carinho e feminina também é ser mulher. O feminismo não rejeita isso. Pelo contrário, atualmente o feminismo que falamos aqui é aquele que luta pela liberdade de cada um ser o que quiser. 


É, de cara eu fiquei suspeita. Fico com um pé atrás porque o comercial adora incorporar coisas sérias para vender. Mas não é como se a Beyonce tivesse começando a fazer isso agora e ela tem o direito de ser feminista. Só vamos torcer para não virar festa tipo as Mulheres Fortes.


2- VMA Lorde: A primeira mulher em 30 anos de VMA a ganhar melhor clipe de rock

Lorde é a da direita, caso role a dúvida. a animada é a irmã dela

Confesso que a primeira vez que eu ouvi que ela ganhou de rock, fiquei meio confusa. Mas faz sentido. (descobri que o paramore concorreu, mas nunca ganhou. já teria sido algo mesmo que uma banda) E a Lorde não é só a primeira mulher a ganhar por clipe de rock, ela também é uma adolescente de 17 anos da Nova Zelândia (é um país, e não fica nos Estados Unidos, só pra ressaltar) que faz as próprias músicas e na hora de falar até agradeceu aos amigos da escola que estavam no clipe. (já falei sobre o lado prodígio dela aqui)  xmais


3- EMMY Objetivação e Racismo com Sofía Vergara 

Depois de ler sobre a Lorde e a Beyonce a gente pode acreditar que o VMA marcou o início de uma nova era para cultura pop, então damos de cara com esse outro momento histórico:

Legenda do discurso: blablabla, não aprendemos nada, blablabla

Sofía Vergara apareceu dando uma de imigrante latina burra/inocente no palco, com falas tipo "oh, é assim que eles fazem na televisão americana" (pouco importa se ela já está há anos por aí), e subiu em um palco giratório a comando de Bruce Rosenblum, CEO da Academy of Television Arts & Sciences (responsável pelo Emmy). Ele fez um discurso sobre diversidade e mudanças na televisão enquanto a mulher ficou rodando em uma plataforma igual a um objeto. Ele ainda conclui com a icônica frase "O que realmente importa é não esquecermos que o nosso sucesso é baseado em dar ao espectador algo atraente para assistir."


É o pensamento idiota de Hollywood (e a tv) em um 1 minuto. Vamos falar de coisas sérias, coloca uma mulher gostosa aí só pra distrair. Sabe, a ideia  de representar o  discurso é até legal, porque do jeito que é feito e com a atuação da Sofía Vergara ficou realmente interessante assistir enquanto ele fala um discurso monótono. Mas eles fizeram isso às custas da objetificação da mulher (é só pra dar prazer a quem assiste) e reforçando estereótipos racistas. Aqui tweets de reação e sobre outras vezes que já usaram a Sofía de capacho. E aqui um texto que é provavelmente o que eu queria falar com esse post todo.

E por cauda desse tipo de pensamento ser dominante entre os chefões da indústria, nós não temos um filme da Mulher Maravilha. O pior é que eu acho que eles nem perceberam o que fizeram. Nem ela.

4- VMA Miley Cyrus veio que nem uma wrecking ball

Se no ano passado ela assustou todo mundo mostrando que mulheres brancas são seres sexuais, dessa vez ele ficou quietinha no fundo, mas não em silêncio. Ao ganhar o prêmio de clipe do ano com Wrecking Ball, ela usou seu segundo da fama no microfone para dar a voz a Jesse, um dos milhares de jovens desabrigados dos EUA, que chamou atenção para a causa desses jovens, focando no centro para jovens desabrigados My Friend's Place. Ela basicamente fez a própria versão do ALS Ice Bucket Challenge de uma forma incrível e importante. Marketing genial, Miley.


Ela está arrecadando doações e quem ajuda pode até ganha ingresso para vir com ela para o show do Rio(!). Vale lembrar que também existem jovens desabrigados no Brasil que precisam de ajuda.


5- EMMY Uma confusão de categorias

No Emmy quem inscreve a série é que escolhe a categoria aplicável e algumas séries são bem questionáveis, o que pode resultar em coisas estranhas como Orange Is The New Black concorrendo em comédia em vez de drama (porque a concorrência é menor). True Detective é outra série que ficou no meio do caminho, se inscrevendo em drama em vez de mini-série. Sinceramente, parece que eles não sabem nem o que estão fazendo e as equipes aproveitam apostando onde tem mais chance. Aqui está alguns quotes divertidos feito pelo próprio apresentador, o Seth Meyers:


"Nós tivemos séries tão legais inscritas esse ano. Nós tivemos comédias que te fizeram sorrir, e comédias que te fizeram chorar... porque elas eram dramas inscritos como comédias."

"Houve uma certa controvérsia quanto a quais categorias algumas séries deveriam se inscrever. Por exemplo, Orange Is The New Black se inscreveu como comédia em vez de trama. True Detective se inscreveu como drama em vez de mini-série. E Bachelor in Paradise foi inscrito."


O Emmy foi até uma apresentação legal, meio corrida e com alguns péssimos momentos. Aliás, alguém já descobriu por que a Tatiana Maslany não está concorrendo? E o VMA foi divertido com alguns grandes momentos. Mas se essa confusão nos mostra alguma coisa é que a música se renova muito mais rápido do que a televisão (e a arte de contar histórias).

Talvez porque músicas são mais rápidas, mais efêmeras. Talvez porque na música nós temos a chance de ter jovens realmente envolvidos no produto final, em vez de só estamparem os pôsters com suas carinhas de anjo. O Emmy também ignora séries com atores mais jovens, como as da própria MTV. Tudo bem que elas nem sempre são do mesmo nível, mas a faixa etária do Emmy é mais velha ainda do que a do Oscar). O resultado curioso é o que vimos com o VMA e o Emmy: acabamos viajando no tempo entre duas premiações.

(por outro lado, às vezes parece que as séries estão anos-luz na frente de todo o resto)

-dana martins






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1 comentários

  1. Não assisti nenhum dos dois até o final, confesso que assisti mais ao EMMY. E dos diversos comentários que vi pela internet, nenhum tinha chamado atenção para esse lado das coisas - a maioria era sobre as roupas das pessoas, masok - agora fiquei com vontade de ver o VMA, a apresentação da Beyoncé e tudo o mais. Vi essa parte da Sofia e acho que foi aí que desisti de ver o espetáculo com piadas sem graças que sempre tem. Enfim, até compartilhei o post aqui porque achei muito legal o enfoque que vocês deram. E olha que cheguei aqui de paraquedas através da indicação do Andrecefalia no Blogday, hehehehe! bjs!

    http://dosdiascorridos.wordpress.com

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