a viagem adaptação

[Resenha] A Viagem, filme

16.1.13Conversa Cult



Mini-crítica - Resumo: 
Em 1850 um advogado viaja para negociar a compra de escravos, então em 1930 um jovem músico busca seu sonho, enquanto em 1930 uma repórter da imprensa alternativa se envolve num mistério e em 2012 um velho editor tira a sorte grande, já em 2144 uma clone desenvolvida para trabalhar numa rede de fast food começa a pensar e no pós-apocalíptico 2321 um nativo não sabe o que achar da mulher vinda de uma sociedade super-avançada. Está acompanhando?

Essas 6 histórias em tempos diferentes formam a história de "A Viagem" (Cloud Atlas), um filme independente dirigido pelos irmãos Wachowski (Matrix, V de Vingança.) e o Tom Tykwe (Corra, Lola, Corra). Sim, três diretores. E esse é só o início das surpresas que "A Viagem" pode proporcionar. Não é o mais indicado para um entretenimento sem compromisso e com certeza é uma ótima opção para quem gosta de filmes e formas narrativas.
"O filme explora como ações individuais influenciam umas às outras no passado, presente e futuro - a alma de um assassino se transforma na de um herói e um ato de bondade pode repercutir através de séculos inspirando uma revolução." - assista ao trailer, que é muito bom.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.
Esse é um daqueles filmes que na hora de criar a resenha você fica parado olhando para a página em branco procurando onde é melhor começar. Mesmo assim, você insiste em escrever porque acredita que vale a pena as pessoas conhecerem. Se prepare para A Viagem.

Vamos começar por onde tudo começa: o nome. Em inglês é "Cloud Atlas" e aqui virou "A Viagem". Não sei por que escolheram esse nome, mas eu posso encontrar vários significados. Ao terminar de assistir Cloud Atlas você pode dizer "mas que viagem esse filme!" e ao mesmo tempo o filme vai te levar por uma viagem através dos séculos. Acho que se você entra num foguete e vai pra lua, é assim que você deve se sentir.

Nem todo mundo é um astronauta...


Deixa eu te colocar um pouco por dentro. Cloud Atlas (ou A Viagem) conta uma história misturando outras 6 linhas de história. Elas são:

1) Em 1850, Adam Ewing é um advogado que atravessa o mar para fechar um contrato.
2) Em 1930, um jovem músico chamado Robert Frobish vai trabalhar com um famoso compositor meio maluco.
3) Em 1974, uma repórter chamada Luisa Rey acaba envolvida com o mistério de um assassinato. no centro na imagem acima
4) Em 2012, um editor idoso tira a sorte grande com a última publicação até tudo virar de cabeça para baixo.
5) Num futuro distópico, um clone "fabricante" trabalha como garçonete em um fast food. da direita na imagem acima
6) Em um futuro pós-apocalíptico mais distante, um nativo de uma ilha tenta decidir se confia em uma mulher vinda de uma sociedade super-avançada. da esquerda na imagem acima

Você sai, literalmente, de um filme estilo Piratas do Caribe, passa por algo digno de Woody Allen e acaba no meio de ficção científica com tudo o que tem direito. Ainda joga romance, comédia, suspense e fantasia no meio.

Quando o filme terminou eu não sabia se tinha gostado, o que o filme era, se eu tinha entendido ou se havia alguma coisa a mais para entender. Só sabia 1) que a garota ao meu lado ficou batendo o pézinho o filme inteiro (tava quase dando uma cotovelada nela); 2) a garota atrás de mim precisou da mãe explicar pra entender e 3) as garotas precisam parar de ser confortar sendo burras. Ah! E aprendi que um casal homossexual deixa todo mundo desconfortável enquanto em outro caso sexo explícito em exploração sexual passa tranquilo.

essa imagem não tem nada a ver com o último parágrafo!!! HUAHUHAUA
Se eu tivesse que escolher um motivo para você ver o filme é como ele é feito. Ele pega várias histórias diferentes e entrelaça de modo que no final você tem uma história só. No início eu ficava "quem é quem?" ou tentando acompanhar cada ponto e no final tudo já tinha virado uma coisa só. A revelação em uma é a revelação na outra e não soa como se você tivesse duas revelações, é mais como uma completa a outra.

E esse é o grande ponto da história, né? Antes de falar da busca da liberdade, de diversidade, amor, reencarnação... ele meio que mostra que toda história está ligada uma na outra.

Isso é facilitado, ou talvez confundido, pelo fato dos mesmo atores fazerem personagens nas épocas diferentes. Jim Sturgess é o advogado da número 1, depois um comandante asiático na número 5. E essa é uma transformação básica, porque alguns atores interpretam pessoas até do sexo oposto. O filme abre bastante espaço para a ideia de reencarnação, mas não vá pensar que é isso, porque alguns personagens interpretados pelo mesmo ator não têm nada a ver entre si. Não é como a mesma história que se repete através dos anos, é como uma luta eterna que várias pessoas colaboram e ajudam a evoluir.


Eu estou muito feliz de ter assistido, é um filme que eu vou guardar. Porque por mais que tenha bastante espaço para ser criticado, que muita gente nem vá conseguir acompanhar... foi um filme que eu gostei. Ele me prendeu querendo saber onde aquilo tudo ia dar - a história de cada personagem, a história de todos eles juntos. Algumas histórias eu, aliás, adoro o tema. Como a futurista dos clones fabricantes, eu estava mesmo procurando algo que tratasse de seres/clones criados em laboratórios e que descobrissem que não eram mais isso. Foi até engraçado dar de cara com essa história. Outra parte que eu gostei foi a do jovem músico. É tanta coisa ao mesmo tempo e tanta coisa pra se pensar.

Extras e curiosidades

Mini Livro vs. Filme: Cloud Atlas é baseado no livro de mesmo nome do autor David Mitchell (não encontrei versão traduzida vendendo). Eu já sabia que ele era reconhecido no mundo da ficção científica e achava que era antigo, mas o livro foi lançado em 2004! O próprio autor havia dito que não era um livro para ser adaptado por causa da forma que é contado, uma história dentro da outra, até ver como o filme foi feito e gostar. Então se você for ler, ou já leu, se prepare para essa mudança no modo da história ser contada.

Gostam de explicar o livro comparando com essas bonequinhas que cabem uma dentro da outra (foto).

O filme, por si só, é uma conquista no mundo do cinema. Ele teve três diretores diferentes (os irmãos Wachowski e Tom Tykwe), levou 4 anos para ser feito e é uma produção independente. Ninguém acreditou na história, então eles se viraram e deram um jeito de tornar realidade.



"A Viagem"
Cloud Atlas (2012)
- Direção: Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski
- Roteiro: Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski
- Atores: Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Whishaw, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Keith David, James D'Arcy, Xun Zhou, David Gyasi, Susan Sarandon...
- Ficção Científica / Ação / Suspense / Romance / Drama / Comédia - 16 anos - 164 min. - Trailer
- Nos cinemas brasileiros desde 11 de janeiro de 2011
*Baseado no livro "Cloud Atlas" de David Mitchell



Sobre a nota: Sabe que eu nem tinha pensado em nota até chegar aqui no final e ver o "sobre a nota"? E dou 5 sem nem pensar. "A Viagem" tem lá seus problemas, mas a quantidade de ponto positivo é tanta que isso nem importa.

Classificação:
(5/5 conversinhas + um dos favoritos)

TAGS: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Mostre para o autor o que você achou Recomende:

MAIS CONVERSAS QUE VOCÊ VAI GOSTAR

16 comentários

  1. Quero muito assistir o filme, e acho que A Viagem, como sendo uma espécie de ficção científica, vai ser bem legal. Eu gostei também do fato de ser várias histórias interligadas, mas que de alguma forma, dão em único resultado, e por tenho algumas expectativas para o filme. Só fiquei receoso: o filme tem muitas cenas fortes e tal? Porque até agora eu pensava que o filme era apenas uma ficção cinetífica, meio aventura, meio ação, meio mistério... quando li aquele parágrafo de exploração sexual fiquei um pouco em dúvida.
    Ótima crítica, e espero que alguma editora por aqui lance o livro :D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu acho que sobre isso do filme ser forte é aquilo de não ter medo de mostrar a verdade. A história do filme é bastante sobre a privação de liberdade e abuso de poder em várias épocas e de várias formas. Acho que em um filme com tantas histórias a forma mais direta de tratar de um assunto assim é a verdade nua e crua.

      Não é nenhum pornô (tem vários tipos de cenas fortes, até pra violência) e não é nem marcado pra isso. Com certeza tem gente pelada e sexo explícito (de modo abusivo ou romântico), mas não mostra isso com a intensidade de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, por exemplo.

      Aí vai de você ver algumas cenas de sexo ou não. :)

      E muito obrigada pelo comentário, Joshua. Sempre gosto de ver o que você diz!

      ~Dana

      Excluir
    2. Eu assistiria o filme numa boa, é que achei meio estranho que você falou de sexo explícito homossexual e logo depois você coloca uma foto de um negão com um branquinho, kkk, sem preconceitos, é claro.
      Mas mesmo assim assistirei o filme, pois acho que isso é apenas um "elemento" do longa, e não fica direto. Até mesmo porque você disse que não é nenhum pornô.
      Mas era só sobre esse assunto de teor sexual forte que eu estava mesmo em dúvida, porque cenas fortes como espancamento, morte, assassinato e tal já tá té batido no meio cinematográfico - depois de eu ter assistido Kill Bill, acho que nada me assusta nesse quesito, kk.

      Abraços!

      Excluir
    3. HUAHA joshua! Eu nem tinha me ligado na relação parágrafo-foto. Na inocência só quis mostrar um pouco como o estilo do filme muda.

      Gente, o filme não tem nada de pesado, ele tem até uma cara poética leve. Foi só um comentário sobre a reação das plateia a diferentes tipos de relações sexuais!

      Excluir
  2. Realmente, só de ver o trailer eu pense "Que viagem!"...rs
    Mas eu já tinha sido informada sobre a história (só não fazia ideia desse lance sexual). Parece ser um filme bem complexo, daqueles que temos que digerir aos poucos até formar uma opinião sobre ele. De qualquer forma, quero muito ver. Já está na fila para quando eu terminar minha maratona do Oscar.
    bjo

    ResponderExcluir
  3. O filme deve realmente ser "a viagem" mesmo.
    Está na minha lista.

    Beijos,

    Carissa
    http://artearoundtheworld.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Adorei a sua resenha e super me identifiquei com ela! Achei o filme lindo demais, consigo nem explicar minha obsessão por ele, principalmente a storyline da Sonmi e a do Robert Frobish.

    Vi 2 vezes o filme e da primeira vez tive a sorte de entrar numa sala interessada e "comportada". Mas a segunda vez me deixou irritadíssimo. Teve gente que não conseguia ver uma cena de nudez, sexo ou um simples beijo homossexual sem dar uma risada.

    Te recomendo o livro, ele tem umas diferenças em relação a estrutura e até um pouco sobre a história. Vale a pena ler, apesar de o inglês ter um nível difícil em algumas histórias.

    ResponderExcluir
  5. achei o filme muito interessante e reflexivo. acredito que o ponto central da maioria das historias é a quebra de um "paradigma", que ate então todas aceditavam ser a grande "verdade"...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ainda não tinha pensado dessa forma ainda. Pior que é verdade, muito bom o comentário. Só me fez gostar mais ainda do filme

      ~Dana

      Excluir
    2. Assino embaixo do comentário do colega anônimo. Entrei no filme de última hora, sem olhar o trailer ou resumo antes. No início achei viajante e estava sem entender as conexões. Ao final, achei fantástico. O filme mostra que em diferentes culturas e períodos históricos há espaço para mudanças e quebras de paradigmas, em especial quando a humanidade parece ir no sentido contrário ou mesmo quando já se parece "acomodado" ao status quo. Esses atos, heroicos, surgem a partir de uma percepção, um sentimento e podem servir para uma revolução em suas épocas.

      Excluir
    3. Acho que a linha mestra do filme é a Liberdade, pelo menos foi a forma como interpretei. Veja na primeira história um escravo fugido salva a vida do advogado. Na segunda o músico tem sua obra-prima "roubada" por ser homossexual. A terceira demonstra a luta contra o poder e influência das grandes corporações. A quarta tem aquela cena antológica dos velhinhos fugindo do asilo (e vão curtir a vida). A quinta robôs explorados se rebelando contra os seus criadores. E por fim a luta pra sobreviver em um mundo pós apocalíptico. Em resumo: AMISTAD + MILK + ERIN BROCKOVICH + COCOON + EU ROBÔ + MAD MAX = CLOUD ATLAS Na minha modesta opinião nota 11!

      Excluir
  6. O filme é bem difícil. Você precisa de meia hora pra começar a entender, principalmente a cronologia das histórias. Em elação ao casal homossexual, nem é tão escancarado assim, e a parte que mostra sexo, não é muito mais do que passa na novela das 8:. A narrativa faz jus ao título do filme e visse-versa, é uma tremenda viagem. É um tanto espiritual, filosófico, autoajuda, místico, um quebra-cabeças de frases e pensamentos e tanto quanto louco fim meio louco.

    Conselho: Não vá esperando em ver grandes aventuras ou romances, e não procure entendê-lo de primeira.

    Não se sinta burro por não entendê-lo na primeira vez que assisti-lo, pois penso que muitas pessoas precisarão vê-lo mais de uma vez para realmente ligar as coisas.

    Por fim, o que esperar dos malucos que criaram a trilogia MATRIX?

    ResponderExcluir
  7. Grande filme! Como filme, obra cinematográfica, como exercício de abordagem narrativa diferenciada, ou simplesmente como espetáculo visual envolvente e emocionante. Mas assista com a mente limpa de expectativas especificas. Pronto para assisti-lo como se nada soubesse de antemão. Aproveitará mais. Quanto as cenas "fortes" nada é desnecessário. nada está ali para causar um simples impacto momentâneo. Não se preocupe com nudez apelativa, sexo (não há "sexo explicito", isso quer dizer intercurso sexual verdadeiro ainda que com fins artísticos...não existe isso no filme) o que você verá está dentro do contexto. São seres humanos se relacionando em maior ou menor grau de afetividade. Apenas isso. O mesmo vale para a violência, consider o contexto. No mais, aprecie a viagem. E se ao fim olhar para trás e ainda se sentir um pouco confuso, sem entender bem onde chegou, não se preocupe. Sempre é possível voltar ao começou e viajar de novo e ver algo que nem havia percebido antes. Afinal é um filme. Se a vida fosse assim também... P.S.: Bela resenha Dana, sincera, acurada e sensível, Parabéns!

    ResponderExcluir
  8. Gostei muito do filme e dos seguintes paralelos;
    -A clone é uma deusa em outra época por ter feito algo relevante sem ser muito relevante, possível paralelo com Jesus
    -A jornalista encontra planos para uma usina nuclear falhar e não ser a nova(e melhor) energia mundial ao invés do petróleo, possível paralelo com "a intriga de Chernobyl"
    -a música que toca no fastfood do futuro é a sinfonia maravilhosa composta e esquecida pela história anterior, possível paralelo com.. Ai já é demais.. rsss

    ResponderExcluir
  9. Gostei da sua resenha sobre o filme, mas faltou alguma coisa...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se descobrir o que é, por favor me diga HUAHUAH

      Excluir

Posts Populares

INSTAGRAM