análise Becky Albertalli

Explicando a treta de Leah ter sido lida como hétero em ''Com Amor, Simon''

3.7.18João Paulo Albuquerque

(imagem de capa pega do site Bustle)

Quando todo mundo viu o filme, algo era certeza, já que havia sido oficializado pela autora Becky Albertalli: Leah é bissexual. E como alguns pontos sensíveis do filme, a abordagem da sexualidade de Leah também foi problematizada (tem um texto do Tino que vocês podem ler sobre a visão dele do filme). E hoje, eu vou explicar para vocês o porquê não existe problema no modo como ela foi lida nos cinemas. 

Se você leu o livro "Simon vs. A Agenda Homo Sapiens", agora encontrado no Brasil como "Com Amor, Simon" (alterado pelo título do filme), sabe muito bem que em momento algum Leah fala que é bissexual para o melhor amigo. E se você leu a sinopse de "Leah On The Offbeat" (ainda sem tradução para o Brasil), sabe muito bem que deixaram explícito que ela não se assumiu para ninguém. Como prova definitiva, aqui uma citação:


In this sequel to the acclaimed Simon vs. the Homo Sapiens Agenda--now a major motion picture, Love, Simon--we follow Simon's BFF Leah as she grapples with changing friendships, first love, and senior year angst.When it comes to drumming, Leah Burke is usually on beat--but real life isn't always so rhythmic.She's an anomaly in her friend group: the only child of a young, single mom, and her life is decidedly less privileged. She loves to draw but is too self-conscious to show it. And even though her mom knows she's bisexual, she hasn't mustered the courage to tell her friends--not even her openly gay BFF, Simon.So Leah really doesn't know what to do when her rock-solid friend group starts to fracture in unexpected ways. With prom and college on the horizon, tensions are running high.It's hard for Leah to strike the right note while the people she loves are fighting--especially when she realizes she might love one of them more than she ever intended.

"Nessa sequência do aclamado "Simon vs. A Agenda Homo Sapiens" -- Agora um grande filme, "Com Amor, Simon" -- seguimos a melhor amiga do Simon, Leah, enquanto ela lida com amizades, primeiro amor, e angústia de enfrentar o último ano. Quando se trata de tocar bateria, Leah Burke normalmente está no ritmo -- mas na vida real não é sempre rítmico. Ela é uma anomalia no grupo de amigos: filha única, de uma mãe solo, e sua vida é definitivamente menos privilegiada. Ela ama desenhar mas é muito auto-consciente para mostrá-los. E apesar de sua mãe saber que é bissexual, ela não teve a coragem de contar aos seus amigos -- nem mesmo seu amigo abertamente gay. Então Leah realmente não sabe o que fazer quando seu grupo de amigos começa a se despedaçar de formas inesperadas. Com o baile e a universidade no horizonte, tensões estão a todo vapor. É difícil para Leah lidar com as coisas quando as pessoas que ama estão brigando -- especialmente quando ela percebe talvez amar um deles mais do que pretendia."


Vocês realmente acham que Becky permitiria isso sem pensar bem e encaixar na história, no universo que ela criou? Óbvio que não, né meu povo! Vocês podem perceber claramente que por ela não contar para ninguém, ela é lida como hétero, como todo LGBTQ bem sabe. Se você não fala, normalmente você é lida como hétero. E para o Simon, mesmo sendo melhor amigo dela, por não saber (o que acontece muito) acaba achando que ela é hétero, apesar de haver momentos no livro (ou filme, já que se você é LGBTQ percebeu que o olhar que Leah dá para Abby não é só de incômodo com o próprio corpo) que podem abrir a interpretação. 


Tanto que não é à toa que no filme há uma mistura de cores azuis, roxas e rosas algumas vezes envolvendo ela (no cinema, nada é a toa):


E mesmo com essa leitura de hétero, entre todos os outros personagens, ela é a que mais parece não estar feliz com o que fala, como se sofresse por dentro (olá eu de 12 anos novamente), diferente dos outros que parecem aliviados.

Então, eu entendo quem logo pensou nisso sem analisar ou coisa do tipo, mas tome cuidado com as análises de obras litérarias LGBTQ que foram adaptadas para filmes, porque um passo em falso, e pode ser um tiro no próprio pé. 


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