CCConversa desconstruindo mitos

Desconstruindo mitos: o biológico por trás do psicológico

1.7.18Isabelle Fernandes


Uma coisa sobre os transtornos psicológicos é que as pessoas não conhecem direito, ou simplesmente não conhecem. Muitas acham que é só frescura ou então atribuem a coisas que todo mundo tem ou pode ter ("ah, mas é normal ficar triste!", "também sou muito impulsivo") e quando conhecem, só sabem os nomes e sintomas. Saber o que é a depressão, por exemplo, já é um passo enorme mas acredito que saber como exatamente ela acontece poderia ajudar muito mais no tratamento.

É muito comum que as pessoas pensem que os transtornos psicológicos são uma característica delas que nunca vai mudar, ou então que os remédios usados no tratamento vão causar alguma mudança em quem elas são como pessoa. Então, esse post vai ser uma mini-aula HHAHAHAHAAH. É hora de explicar o que os cientistas sabem até agora sobre saúde mental.


Ps: deixando bem claro que vou explicar as paradas de um jeito bem lúdico e meio idiota até, e que só vou falar de neuroanatomia e neuroquímica no máximo. Do resto do corpo não entendo nada HAHAHAHA


Bom, vamos lá. Começando bem do início mesmo, se você se lembra das aulas de biologia sabe que o nosso sistema nervoso é dividido em central e periférico e que no central existem órgãos e regiões variadas, mas o foco aqui agora vai ser o nosso lindo cérebro mesmo. Você deve se lembrar também que ele é recheado de células com um formato meio engraçado chamadas neurônios, que juntos formam uma rede gigantesca e maravilhosa que é basicamente o que nos permite ser o que somos. Maaas, pra tudo acontecer, esses neurônios precisam se comunicar uns com os outros...e a grande questão é que eles não estão coladinhos. Na verdade existe uma fenda entre cada um deles de modo que eles não conseguem se comunicar diretamente.

Por enquanto foque só no desenho mesmo HAHAHAHA

Os neurônios podem conversar uns com os outros de duas formas: através de impulsos elétricos (sim, eletricidade mesmo, é por isso que existe o exame ELETROencefalograma HAHAHA) e dos famosos neurotransmissores. Esses neurotransmissores são sinais químicos que são liberados em um neurônio depois que um estímulo chega até ele, e aí esse neurônio (que vou chamar de Neurônio Mãe) libera os neurotransmissores em cada fenda que existe entre ele e os outros que estão ao redor. Daí os neurotransmissores ficam passeando por ali nesse espaço até que o neurônio receptor carregue eles pra dentro, mas não ficam esperando pra sempre. Chega um momento em que o Neurônio Mãe chama eles de volta, tipo as mães suburbanas clássicas que vão pro portão e berram "Ô UEESSSSLEEEY ENTRAAA AGORAAAAA" e aí os que sobraram voltam pra mãe e os que foram tragados ficam lá com o receptor, que graças às ordens recebidas dos neurotransmissores filhos, vai ser tornar um Neurotransmissor Mãe também e seguir com o telefone sem fio.

Aí você deve estar se perguntando "tá, mas o que isso tudo tem a ver com saúde mental e transtornos?".


Bom, tem a ver com o fato de que nosso humor, disposição, pensamentos, memórias, enfim, toda essa parte cognitiva do nosso cérebro é orquestrada pelos neurotransmissores. Então, se alguma coisa nesse sistema sair diferente do que é programado pra ser, vai dar caô. A ciência ainda tá tentando descobrir o que exatamente dá errado e que causa os mais variados transtornos e nessa futucação toda foram surgindo teorias, muitas pesquisas e tratamentos que ajudam a trazer normalidade pro sistema, sendo um deles os famigerados remédios psiquiátricos.

Acho incrível o verdadeiro pavor que as pessoas tem dessa classe de remédios, como se eles fossem perigosos ou alienantes HAHAHAHAAH. Fico pra morrer quando vejo tirinhas retratando crianças "zumbi" por tomarem ritalina ou coisa parecida e cara, sinceramente. A causa disso é a mais pura desinformação, então vamos aos fatos.

Por muito tempo (e até hoje né, convenhamos), não só a sociedade como psicólogos e cientistas levavam em conta o conceito de MENTE. Algo invisível e indefinido dentro do nosso cérebro, uma área onde nossos pensamentos moram e tudo o mais. Bom, o que a neurociências descobriu até agora é que essas coisas que associamos ao conceito de mente são nada mais nada menos que grupos de neurônios quase unidinhos, precisando de estímulos pra se comunicarem. Ou seja, nossos pensamentos, emoções, memórias, enfim, toda essa atividade dentro do nosso crânio acontece graças aos disparos elétricos ou transmissão química entre os neurônios que, com o passar do tempo (e a quantidade de vezes que essa comunicação é disparada), vão construindo caminhos cada vez mais definidos. É por isso que temos respostas tão rápidas diante das coisas: nosso cérebro usa essas ruas, estradas e rodovias pra economizar energia.

SÓ QUE os remédios psiquiátricos não tem o poder de alterar esses caminhos. O que eles podem fazer é melhorar a comunicação entre os neurônios, e mesmo assim meio capenga porque cada transmissor é responsável por TROCENTAS COISAS diferentes e como o remédio é feito pra agir nele, acaba afetando coisa que tem nada a ver, os famosos efeitos colaterais. Por isso que antidepressivos podem causar boca seca, por exemplo. Vai chegar o dia em que os remédios serão absurdamente específicos, mas ele ainda não tá perto HAHAHAHA.

Enfim, o que eu quero mostrar com esse post é que sim, ainda tem muita coisa que a gente não entende sobre o nosso cérebro, mas já sabemos que a chave de tudo tá na comunicação entre os neurônios e os caminhos que eles fazem. Os remédios tem dado conta da comunicação (aos trancos e barrancos no início, agora tá até bem melhor), mas os caminhos - que até agora são os verdadeiros definidores de quem nós somos - não são afetados. A única coisa que tem esse poder é a psicoterapia, e ela só vai causar esse efeito se VOCÊ se dispor a isso. Remédios podem ter dar sono, te deixar com mais disposição, controlar crises epiléticas, mas a sua história continua lá, intacta.

Muito louco, né? Nosso cérebro é uma maravilha e ainda não sabemos da missa a metade <3

O que me deixa MUITO EMPOLGADA. Sabe-se lá o que mais vamos descobrir???
AGUARDEMOS OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS DAS NEUROCIÊNCIAS


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