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Sobre falhar em projetos, NaNoWriMo e meio aniversários

29.10.14Diego Matioli


Esse texto está longe do perfil tipicamente visto no ConversaCult, mas tampouco o blog intenta estabelecer um padrão, então sinto que ser alienígena por aqui vai ser tão mundano quanto tudo mais. Quero falar algumas coisas, e quero muito falar delas, mas isoladamente nenhuma deu um caldo grosso o bastante para virar post, e como a Dana vive falando pra gente escrever posts sobre o que está passando na nossa cabeça, mas não especificou nada a respeito do formato, vamos que vamos:


1 -) Eu falhei.

Já falhei antes. Vou falhar depois. Gosto de falhar. É uma experiencia indescritivelmente libertadora para alguém que guarda a eterna expectativa da perfeição. A cada frustração fico menos frustrado e me reconheço mais como humano, e isso é bem legal. Há seis meses atrás, comecei o projeto 365 de filmes. Minha meta era assistir um filme por dia durante um ano.

Falhei.


Depois de pouco mais de um mês eu percebi que criar regras e expectativas a serem seguidas complicava muito minha vida, ao invés de facilita-la. Eu gosto de me impor essas coisas como uma forma de me cobrar o consumo cultural de qualidade, mas a um certo ponto eu me senti tão saturado de fazer isso por obrigação que deixou de fazer sentido. Era quase como se eu estivesse fazendo um jogo para perdê-lo (eu devo gostar muito de falhar, ein!). Então eu parei com os filmes e os livros e a escrita e tudo e questionei por que eu faço todas essas coisas e por que isso era importante.

A resposta me custou uns quatro meses. Eu não vou falar ela para vocês, pois envolve muito mais sentimentos do que palavras - mas há mais dicas no resto desse texto. É uma daquelas coisas inenarráveis que não faz absolutamente nenhum sentido para mais ninguém além da pessoa que está vivendo aquilo, sabe?



Eu posso dizer o seguinte: parte da resposta está naquele texto de título estupidamente cumprido sobre O Doador de Memórias que eu escrevi tempos atrás. Não sei se é relevante para vocês, mas eu estou bem agora. Eu estou envolvido com dois blogs, me dedicando ao meu manuscrito e lendo como nunca. As coisas voltaram a se encaixar, e eu pude fazer tudo isso sem me impor regras ou exigências doidas. Foi tudo naturalmente. Eu estou fazendo essas coisas por que eu sou assim, e não para me adequar algum papel que eu decidi que devia assumir, e essa é a maior vitória que eu poderia ter.

Dito tudo isso, eu vi muitos filmes e continuo os vendo quando tenho vontade. Pretendo completar a lista, mas talvez leve dois ou três anos para isso acontecer, quem sabe? Eu não.

2-) O NaNoWriMo está chegando.

Em apenas dois dias vai começar o mês mais frenético do ano. Eu nem estou falando de escrever 50 mil palavras ainda, estou falando de provas e vestibulares, sobrecarga de trabalho em quase todos os setores profissionais e uma enxurrada de compromissos que preferem se acumular nos mesmos dias ao invés de se diluírem pelo resto do ano. Essa época é sempre um caos. Um caos meio lindo e delicioso de se viver, por que, quando você chega do outro lado, você é meio que um herói da sua própria realidade, mas ainda assim um caos. E aí que eles escolhem justamente esse mês para o NaNoWriMo e eu acho que sei até por que:


Honey, se você consegue escrever essas palavras em Novembro, você consegue escrever em qualquer época do ano.

Eu, pessoalmente, nunca consegui. Eu sou um perdedor profissional. Eu perdi por vários motivos, todos muito válidos. Mas eu cansei de perder. E eu me dei um prazo para mudar minha situação para todo o sempre: eu vou escrever esta droga deste livro, incluindo 50 mil palavras em Novembro, até o dia 15 de Dezembro. O prazo é maior do que o NaNoWriMo, pois o livro é mais longo e eu ainda trabalho 52 horas por semana, o que torna o desafio grande o bastante como está.

E não é um prazo vazio. Há uma consequência: se eu não terminar de escrever até a data prevista, eu nunca mais vou contar essa história. É, esse é o combinado. E sim, eu sei que se você leu o primeiro item desse post, vai perceber que isso sou eu criando regras imaginarias pra me prejudicar de novo. Mas eu nunca terminei um NaNoWriMo ou um manuscrito, e eu sinto que se eu não fizer isso agora, no final de 2014, eu nunca farei e terei de sentir o gosto da derrota para sempre em minha boca. Então medidas extremas foram impostas e seja o que Merlin quiser!


3-) 24 e 1/2

Sabe o item um? Então, eu publiquei o texto original do projeto 365 no dia do meu aniversário, 29 de Abril. Hoje, dois dias do Halloween, é meu meio aniversário. Eu estou completando 24 anos e meio. E sim, eu comemoro meio aniversários, por que gosto de curtir pequenas coisas. Eu também troco presentes com a minha amiga no dia 31 de outubro, desejo feliz dia da árvore no dia 25 de dezembro, falo como um pirata no dia 19 de Setembro e ando com uma toalha na mochila no dia 25 de Março. E isso meio que tem haver com aquela resposta que eu encontrei e que eu não sei explicar, sabe?


A questão é a seguinte: eu percebi que eu me esforço muito para ser uma pessoa melhor e aprender coisas e conhecer novas histórias e produzir conteúdo. E isso é bem legal. Mas eu também despendo um esforço enorme em ser absolutamente feliz mesmo quando não há nenhum motivo aparente para isso. Eu me entusiasmo como uma criança de cinco anos diante de uma loja de doces, e isso é bom, por que o mundo é um lugar incrível (mas muito mal frequentado, confesso). Acho que eu tinha perdido isso, mas felizmente eu recuperei e agora me sinto mais eu mesmo do que nunca - tão eu mesmo que posso lotar essse texto com gifs de My Little Pony por motivos de: por que eu quero. E sei lá, queria muito vir aqui contar isso para vocês hoje, em comemoração ao meu meio aniversário:


Sejam felizes. Tipo, vale a pena e tal.





ps. eu escrevi esse texto de uma tacada só sem revisão. Esse sou eu, ama-me ou deixa-me, sei lá.

ps²: acho que a moral do texto é que entre compromissos e esforços, a vida acontece e é legal lembrar disso de vez em quando.

ps³: esse texto está saindo tarde por que eu não estou preocupado com visualizações ou publicidade. Pelo menos uma vez ao ano eu me dou ao luxo de publicar na hora que eu sinto que o texto deve sair e é isso ai.

flw vlw

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3 comentários

  1. Oi Diego. :D

    Eu tive algo com seu texto e você vai entender quando eu disser que não sei explicar. hahaha Achei legal de você querer compartilhar isso.
    Eu também gostei muito do texto sobre o Doador de Memórias, a proposito, até fui rele-lo.

    E eu acho que você vai conseguir cumprir sua meta de acabar o manuscrito até 15 de dezembro, acho mesmo, não sei porque. Mas achei legal de falar!
    me identifiquei com os esforços em tentar ser algo melhor, e ser feliz quando não há muitos grandes motivos.

    Ah, sobre o seu projeto 365, acho que você fez certo em larga-lo, alguém me disse uma vez que arte é para emocionar e dar prazer, e se você estava vendo mais os filmes por obrigação, na verdade qualquer coisa só por obrigação, vai faltar aquela coisa que devia estar lá!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado pela resposta, Helena! \o

      E também por elogiar o texto sobre O Doador de Memórias. Aquele texto é meu xodózinho e me parte o coração ver que a maior parte das pessoas não gostou do filme ;-;

      Eu acredito que NaNoWriMo seja um estado de espirito, e eu finalmente encontrei o meu e não quero que ninguém tire isso de mim. Mas ao mesmo tempo é uma constante disputa. Com o editor interno, a preguiça, os compromissos diversos, com a vida, sabe?

      E falando em lutar com a vida: a coisa do projeto foi bem isso mesmo. Lutar com a minha vida. Ou pela minha vida. Ou ambos. Sou uma pessoa confusa.

      Excluir
  2. BATE AQUI \o
    Eu não gosto de falhar, eu sou bem perfeccionista e competitiva. (tenho certeza de que uma das razões de eu ter completado o nano foi ter falado que eu faria isso no blog, QUESTÃO DE HONRA. é uma coisa idiota e eu não sei como isso funciona, mas não vou questionar porque tá ajudando HAUHAUHAUHA) Mas ao mesmo tempo... Falhar é incrível. É aquela sensação de que quando você tá no chão você é livre porque nada importa mesmo. Então faz um tempo que eu venho abraçando a "falha". tem um quote que eu li que é tipo "melhor um domo imperfeito em florença, do que uma catedral no ar" e isso é verdade. Abraçar a falha é perigoso, assim como qualquer coisa. Você corre risco de se limitar a se falha e não ir em frente. Mas o contrário também é: se você não faz nada, você não erra. Mas se você não erra, você não vai lugar nenhum. Então... contando que eu esteja progredindo, FODA-SE. Como diria aquela grande pensadora... "LET IT GOOOO"

    (e o gif depois do falhei: genial)

    Eu também abandonei o projeto 300 e alguma coisa pelo mesmo motivo. FODA-SE, NÃO PRECISO DISSO. E se você está bem é relavante pra mim.

    "Honey, se você consegue escrever essas palavras em Novembro, você consegue escrever em qualquer época do ano." melhor definição do nanowrimo. Nunca tinha pensado desse modo. Eu consegui e vou conseguir outra vez. E você vai conseguir também. Apenas não tome o chá de sumiço. E se permita falhar. O nano não é um mês, o Nano é todo dia. Todo dia é um novo dia para completar a sua meta de palavras. O problema da maioria das pessoas é que elas acumulam falhas e pensam que já perdeu, em vez de pensar que cada dia é um começo. (isso já sou eu meio que escrevendo o texto do nano aqui)

    Eu só não comemoro aniversário de meio ano porque: dá muito trabalho calcular isso e guardar a data. MAS PARABÉNS!!! ESPERO QUE TENHA APROVEITADO O SEU DIA E QUE ELE TENHA SIDO TÃO COLORIDO QUANTO ESSE POST. E QUE VOCÊ CONTINUA ASSIM PORQUE É INCRÍVEL TER O PODER DE TRANSFORMAR AS COISAS EM MAGIA <3

    -DANA

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