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Vamos viajar para... o fim do mundo

8.7.13Dana Martins

Nesse mês as sextas temáticas vão homenagear as férias. Época em que a gente sempre pode viajar, seja de verdade ou através de livros, filmes, sérios, jogos ou imaginação. Pensando nisso, a cada sexta vamos ter um post com indicações para você viajar para um universo fictício. Hoje? Hoje é segunda, mas depois de sobreviver ao fim de semana eu estou aqui. Pegue as balas, suprimentos, faça os alongamentos necessários, porque... estamos indo para o fim do mundo!

Se você assistiu recentemente Guerra Mundial Z e sentiu o gostinho do potencial de uma boa história de sobrevivência, ou andou jogando The Last of Us ou, como eu, simplesmente adora uma ambiente survivor, esse post é para você! Hoje eu vou indicar histórias que envolvem o melhor de um survivor: Estar preso em algum cenário ruim (cidades destruídas, cidades abandonadas, ilhas, selvas, desertos...) e ter que enfrentar todo tipo de problema com poucos recursos para sobreviver. 


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Discussão: Esse livro é ou não é distópico?

27.9.12Dana Martins

Oi todo mundo! Semana passada eu vim aqui mostrar que há duas formas de se ver a distopia e é por isso que muita gente se confunde na hora de definir se um livro/filme é realmente distópico ou não. Se você ainda se confunde, sugiro dar uma lida, porque vai ser importante para esse post aqui. Hoje eu vou falar de alguns livros que eu sempre vejo parar em discussão de "é ou não é" e responder de acordo com as definições. Vambora!


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Procurando o que ler? Conheça Apocalipse Z

21.10.11Dana Martins

Já que outubro é o mês do Halloween, que muito antes de ser Dia das Bruxas ou exaltação do terror era um culto aos mortos, nada melhor do que a indicação do blog ser a de um livro com aqueles mortos que continuam circulando por aí: os zumbis*.
* Vampiros também são mortos que continuam por aí, mas eles têm brilhado demais ultimamente e é melhor dar espaço para os outros.

E antes que você classifique como terror ou use qualquer preconceito, deveria dar uma chance a eles.


Informações:
Apocalipse Z – O Princípio do Fim
Autor: Manel Loureiro
Editora: Planeta

O livro faz parte de uma trilogia (o segundo é Dias Escuros e o terceiro A Ira dos Justos), mas tem a própria história bem completa e não pede muito uma sequência (apesar dela também ser muito boa).

Sobre o que é e por que ler
Apocalipse Z é o diário de um cara sobrevivendo a um mundo que está sendo tomado por zumbis. Ele e seu gato, é claro. A história começa sendo contada através do blog do personagem principal, que por causa de uma terapia foi aconselhado a escrever sobre a própria vida. No blog ele comenta o que esteve fazendo e o que viu de interessante no jornal, até que notícias de um tipo em especial começam a se destacar. Quando ele (e o mundo inteiro) percebe que algo muito errado está acontecendo já é tarde demais. É como se naquela época da gripe suína você visse aquelas notícias e um belo dia ao abrir a porta de casa descobrisse que o prato preferido do seu vizinho virou você. “Ah, mas a gripe suína não foi nada demais”, o senhor advogado narrador de Apocalipse Z também achava isso, até que um belo dia...

Continuando a história: Então, quando a luz acaba ele passa a escrever no papel mesmo. Se antes ele precisava de terapia, imagine cercado por zumbis e completamente sozinho. Nós continuamos a saber toda a história através dos relatos dele, pulando dias e precisando aguentar a expectativa do “agora eu vou tentar fazer isso” até o próximo relato (que vem na página seguinte, mas).

O livro tem uma narração sincera, divertida e cheia de sarcasmo feita por um cara que está completamente fodido. E se você não gosta de palavrões... Bem, o livro é um ótimo exemplo de uso literário-expressivo dos palavrões.

E não termina aí, o livro é cheio de ação e situações de tirar o fôlego. Muito mais excitante do que a maioria desses filmes e videogames por aí. O ritmo do livro é intenso, assim como a vida pacata de qualquer um perdido entre hordas de mortos-vivos.

O narrador-personagem merece um comentário a parte, porque é bem diferente do comum. Na verdade, ele é bem comum. É como você assistindo aquele filme tenso e quase se enfiando entre as almofadas do sofá, tendo um ataque e gastando seu estoque de palavrões em vez de aparecer como o mocinho na tela, bonitão, forte, todo no estilo do herói e passando pelos sustos tranquilamente. 

Curiosidades:
É tão viciante que você nem percebe direito que só tem um personagem na maior parte do livro e quase não tem diálogos.

Só pra me contradizer: Lúculo, o gato dele, é outro personagem marcante que contribui para a história.

Talvez você tenha estranhado eu não falar o nome do personagem principal, mas é porque não diz mesmo.

É um livro que te pega porque é como se fosse uma conversa com você. Em grande parte, você é o outro personagem. Além disso, segue um ritmo muito de pensamento: quem já não ficou “falando” sozinho?

O livro começou mesmo em um blog, mas fez tanto sucesso que publicaram a história completa e até foi traduzido para outras línguas (Essa última parte não teria significado nenhum se o autor não fosse espanhol. Quantos livros recentes do estilo e espanhóis você leu?). 

"Prova" do livro. Clique aqui e leia um trecho.

Apocalipse Z Livro Lúculo

Trecho Apocalipse Z

11.8.10Dana Martins

"Com tudo empacotado, apoiei a bagagem no saguão de entrada, bem ao lado do portão por onde terei de sair em poucos minutos. Lúculo está extremamente nervoso e me custou um bom bocado de persuasão, carícias atrás das orelhas e muitos sussurros para convencê-lo a entrar em sua gaiolinha. Ele nunca gostou dela (de fato, no carro ele sempre vai sentado no SEU banco, o do passageiro), mas não tenho alternativa. Não posso me arriscar a levar o gato no colo com essas coisas tentando nos pegar. Lamento por Lúculo, mas ele terá de ir na gaiola. Se esses bichos me pegarem, isso significará morte certa para meu pequeno amigo, que não terá possibilidade de fugir, mas acho que é um risco que devemos correr.

Vesti a roupa de neoprene e verifiquei minhas três armas: arpão, Glock e espingarda. Dei uma última volta pela casa, acariciando com o olhar todos os cantos que me são tão familiares. Não sei se um dia votarei a ver isso tudo. Toda a minha vida está aqui, e agora tenho de sair com rumo desconhecido e sem ter a certeza de estar vivo daqui a meia hora. É de enlouquecer. Minha sala, minha cozinha, meu escritório, que nunca cheguei a pintar da cor que realmente queria, esse sofá com o estofado totalmente arranhado por meu pequeno companheiro. Subi ao sótão com lágrimas nos olhos e peguei uma velha blusa dela. Todas as coisas dela estão aqui desde que morreu, e agora vou abandoná-las para sempre...

Enxuguei as lágrimas e fui para o quintal, para começar a executar meu plano. Da próxima vez que escrever neste diário será para contar como foi. Se não escrever de novo... Bem, evidentemente, algo terá saído errado e um novo cadáver vestindo roupa de mergulho andará pela cidade. Mas não sem antes ter vendido sua pele bem caro. Estou aterrorizado. Estou nervoso. Mas também estou decidido. Vamos lá."

Páginas 102-103


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