Carol Cardozo CCEventos

Julian Casablancas + TheVoidz, no Sacadura 154

8.11.17Carol Cardozo


Fotos por Caroline Cardozo

No último dia 19, a turnê sul americana da banda Julian Casablancas + TheVoidz passou pelo Rio, junto com a banda de um homem só Promiseland e os mexicanos da Rey Pila, ambos da Cult Records, selo independente que pertence ao próprio Julian. O show era parte da turnê sul americana Hollywood Bolívar Tour.

Quando eu vi que ia ter show do Julian aqui com a TheVoidz, me tremi. Porque não tem como não me tremer ao ler o nome "Julian Casablancas". Apesar de ser uma banda diferente na sua carreira, meu lado fangirl não consegue se controlar e grita mentalmente STROKES, banda que mudou não só a minha vida (eu poderia escrever toda uma matéria falando sobre como ouvir "Last Nite" numa tarde mudou completamente o rumo da minha vida), como o rock em si nos anos 2000.

Perguntei a galera do site se alguém queria cobrir (secretamente pensando DIGAM QUE NÃO PORQUE EU QUERO IIIIR), e enfim, lá fui eu correndo depois do trabalho no último dia 19, pra ver esse show, que tinha tudo pra ser foda, mas foi um pouco decepcionante no final.



A noite começou com Promiseland. Com samples pesados e gritos, a princípio parecia meio confuso, você poderia ficar perdido sobre o que tava acontecendo, mas quando menos você percebia, já estava dançando e gritando letras que você nem conhecia há 5 minutos atrás. O australiano andava pelo palco todo, fazia acrobacias e uma hora ele começou a dançar no meio da plateia. A galera ainda não tinha chegado, estava bem vazio, mas foi divertido mesmo assim. Não poderia ter começado melhor os trabalhos e com certeza Promiseland deixou a gente contagiado e ansioso pela próxima atração.




Também da Cult Records, Rey Pila chegou com seu synth pop vindo diretamente da Cidade do México. Tirando uma pessoa ou outra que dava uns gritos mais empolgados, a maior parte da plateia não conhecia a banda também, mas isso não foi um problema. Já na metade da primeira música todo mundo já tinha sido conquistado, a banda era uma simpatia e Diego Solórzano, o vocalista, era um ótimo frontman e conduziu o show com maestria, falou que era aniversário do tecladista e todo mundo começou a cantar parabéns pro cara. Primeiro show no Rio, o público já conquistado assim, imagino que tenha sido um aniversário memorável.

Sai Rey Pila, entra o show principal da noite.Julian Casablancas + TheVoidz.

O guitarrista da TheVoidz, Jeramy Gritter

Nessa turnê sulamericana, a TheVoidz escolheu tocar músicas inéditas que serão lançadas no próximo cd, então a princípio o show foi um pouco morno no quesito de receptividade do público. Julian não estava no melhor dos humores, mas enfim, isso foi apenas Julian Casablancas sendo Julian Casablancas.

Dito isso, vamos a um incidente que eu fiquei puta pelas duas partes: um grupo de pessoas (bêbadas que nem gambá) estavam gritando pedindo músicas do Strokes. Julian foi ficando cada vez mais bolado, ele respondeu "No" e "Not gonna happen" algumas vezes. Chegou a um ponto em todo intervalo entre músicas, esse grupo gritava. Realmente, estava muito desconfortável, tinha umas meninas berrando "Aqui é show do TheVoidz, imbecil!" e eu mesma estava quase dando uma sapatada na cabeça de cada um.

Por volta de 35, 40 minutos de show, Julian terminou uma música,  jogou o microfone no chão e saiu do palco, nem um tchau ou algum sinal de que o show fosse continuar. O resto dos integrantes da banda pareceram meio confusos, mas deram um tchauzinho tímido e saíram logo depois. Inicialmente o público pensou que fosse um intervalo (já que nem tinham cantado a música mais famosa da banda, "Human Sadness"), mas quando os roadies chegaram e começaram a desmontar o palco, todo mundo ficou atônito e tentando entender o que tinha acontecido.

NÃO QUE TENHA SIDO CONFIRMADO, mas minha teoria foi que o Julian acabou se emputecendo com a galera que tava berrando pra ele cantar música dos Strokes. Essa galera estava erradíssima no rolê, porque é uma falta de respeito com o artista (que tá ali pra apresentar o trabalho de uma banda), ignorar totalmente o que o cara tá mostrando e gritando outra coisa. MAAAS, Julian tá bem crescidinho e ele fez parte de uma das bandas mais importante do rock dos anos 2000 (se não a mais importante). Um pouco de maturidade pra engolir uns sapos e seguir em frente com o show, sem desrespeitar os fãs do seu trabalho atual (e eram muitos), não ia doer.

No fim da noite, acabei indo pegar um táxi super triste pelo modo inesperado como acabou o show. Tava ali pra ver as músicas da TheVoidz, mas eu ouço Strokes há 16 anos e estava extasiada pela oportunidade de ver pelo menos o Julian ao vivo pela primeira vez. Sempre tinha dado sorte ao ver artistas que eu gostava, foram ótimas experiências. Mas dessa vez, senti na pele o ditado "Não conheça seus ídolos". Ainda não desisto, só espero que o próximo encontro seja melhor. Mas que foi amargo pra uma primeira vez, isso foi.

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1 comentários

  1. Carol, não conhecia o "Não conheça seus ídolos", mas olha, SUPER CONCORDO. Uma pena isso ter acontecido com você porque a decepção é horrível, mas quando aconteceu "comigo" meio que me ajudou a não colocar artista em pedestal. Aí fui lenod relatos de fãs e reparando como muitos artistas tratam fãs e como MUITOS fãs tratam os artistas... Sem contar o que rola nos bastidores, a pressão da indústria, e eu meio que fui me afastando disso. Adoro shows, queria ir em vários, mas não acho que os valores cobrado são saudáveis (em muitos casos) e casos como esses (e piores, tipo artista que cancela em cima da hora) me desanimam demais.

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