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Ansiedade: como é para mim?

12.5.17João Paulo Albuquerque



Esses dias eu estava conversando com duas amigas minhas, ambas com Transtorno de Ansiedade, e uma delas teve uma crise recentemente, e a outra me contou que quando tem as crises, são crises fortes e que podem demorar para passar. Então eu pensei no meu Transtorno de Ansiedade e me veio uma dúvida muito grande: "Quais serão os diferentes graus de ansiedade e o que eles podem nos privar de fazer?", então pesquisei e achei os resultados... E eles são bem informativos e confirmam algo que eu já suspeitava havia um tempo e devo agradecer à Taiany que me ajudou mais nessa pesquisa. 

Agora uma nota antes de lerem: Nem todos tem os mesmos sintomas ou os mesmos problemas que ativaram sua ansiedade. 

Há diversos tipos, posso citar uma bem conhecida, a Ansiedade Social (Fobia Social), e como todas, há múltiplas reações que variam de pessoa para pessoa. Reações essas que podem variar de medo e pânico, à palpitação no coração, sentimentos de insegurança e tensão nos músculos ou até mesmo não conseguir se manter calmo. Eu tenho esses últimos, de palpitação à problemas em me manter calmo, que eu só descobri que eram Transtorno de Ansiedade no ano passado, quando com o afastamento de uma amiga, vários problemas pessoais, um TCA (Trabalho de Conclusão do Aluno, para quem está finalizando o fundamental) cheio de brigas – do tipo em que os caras não queriam fazer nada e ainda zoar com a cara de quem fazia (eu e meus amigos) - e para fechar, todos os medos internalizados que eu não havia percebido tinham emergido. 

Como ansiedade parece de fora/Como ela é por dentro

E com esse texto, vou contar minha experiência. 

Eu sempre fui um garoto muito ansioso, então sempre que eu tinha tipo, um passeio para ir, seja da escola ou com a família, eu não conseguia dormir cedo e ficava com o estômago borbulhando. Conforme os anos iam passando, eu reparei que não conseguia ficar muito tempo em um shopping sem que passasse mal após comer, sendo que antes disso meu estômago já estava se retraindo. Sempre achei que fosse só insegurança, medo de estar tão vulnerável no meio de várias pessoas ou coisa do gênero. Anos depois, até ano passado, estava tudo bem, até voltar das férias de Julho.  

"O pior sentimento do mundo é tentar segurar um ataque de pânico em público", mas vejam bem, nem toda Ansiedade tem Pânico, estes não são covalentes.

Na primeira semana, uma amiga minha não falava comigo e nossos amigos, nos ignorava e quando tomávamos atitudes, ela olhava pra longe ou fugia – quando tentamos falar com ela no ponto de ônibus. Passaram semanas e minha cabeça explodindo em possibilidades do que eu poderia ter feito, sentindo uma culpa de algo que eu nem sabia que poderia ter sido, mas ali estávamos, no nosso ano final, com ela afastada e o trabalho que tanto havíamos esperado fazer juntos chegando. Eu chorava pelo menos várias vezes numa mesma semana sem saber o que estava acontecendo. O tempo foi se passando e eu me escondi numa máscara de raiva e gelo com ela onde as únicas pessoas que notavam e tentavam me tirar da raiva eram minha mãe, irmã, meu pai, e meus amigos. E eles conseguiram, então, havia se passado um mês e eu enviei para minha amiga uma mensagem no Whatsapp perguntando o que tinha acontecido, lembrando de todas as conversas e choros com minha mãe, "Você pode se afastar, está no seu direito, mas p*rra, ao menos me fala o que eu fiz, você estava numa boa, até conversávamos nas férias, e voltamos e não fala com a gente?! Você é minha amiga, saiba que eu te amo e não gostaria de perder sua amizade, mas se é o que quer, quem sou eu pra tentar alterar?". (to chorando? Talvez emocionado? Não sei...) 

Ela não respondeu, e os dias se seguiram, mas uma amiga nossa conseguiu se reaproximar. E nos contou o que ela havia contado, era por causa de Deus, ou coisa assim, e que não permitiam ela ficar conosco (grupo de pessoas não-hétero e em dúvida de várias coisas, incluindo da existência do Todo Poderoso Deus.). O Trabalho de TCA começou à todo vapor, e infelizmente, por causa de um professor que nunca gostou da gente, ficamos com dois dos mais desprezáveis e imbecis garotos naquela sala. Para se ter uma noção, era, acho que a segunda vez que nos reunimos ali na sala de aula – afinal, fazíamos o trabalho em casa e na escola – e eu tive uma discussão com o maldito professor, e berrei com um desses garotos (e não foi um berrar, tipo "Ah, ele berrou", foi mais "MEU DEUS ELE BERROU!) deixando dois professores pasmos e quase batendo palmas por eu ter dito o que falei para ele, algo como: "Não quer estudar, dane-se, mas ao menos você está aqui porque acolhemos você enquanto todos te chutaram, o mínimo que tem que fazer é respeitar cada um aqui!", e olha que já havíamos conversado com ele antes de iniciarmos tudo. 

Roer unhas é algo que sem perceber, algumas vezes acontece.

Com mais três vezes berrando com esse garoto em outras reuniões ao longo de Agosto e Setembro, e em uma quase pulando em cima dele porque ficou zoando uma amiga minha e falou uma frase homofóbica que eu quase fiz o que queria, mas graças ao pouco de autocontrole que eu havia guardado, não ataquei ele... Mas foi difícil. E o pior, é que a Assistente de Diretora não permitia tirar ele. Sim, tudo isso aconteceu em dois meses e só um culpado. E tinha o outro claro, mas ele era fácil de lidar, ele trazia de vez em quando as coisas, mas se distraia fácil e ficava conversando com os outros... Agora tire a conclusão, quem era mais fácil? (ironia on) 

Pode parecer exagero, mas vocês não tem noção de como foi aguentar aquele menino durante três anos e chegar no último e ele sair distribuindo discurso de ódio que feria diretamente à mim e outras pessoas ao meu redor. 

E para finalizar meu ciclo, tinha a pressão de ser bom estudante, tinha a prova da ETEC que todos queriam que eu passasse (apesar da minha mãe, meus professores e amigos explicarem para mim que se eu não passasse não teria problema), tinha milhões de trabalhos para entregar, tinha um projeto da A.E.S Eletropaulo em andamento na escola e eu fazia parte junto dos migo e para finalizar, acrescente os medos e horas da noite gastas pensando em milhões de possibilidades e pronto, tudo foi ativado em setembro lá pelo dia 13, 14 e 15, porque no dia 12 depois de ir pra escola após ter ficado fazendo esse trabalho, voltei da escola com dois amigos e passamos a madrugada para acabar o rascunho do TCA e levar no dia 13 para os professores. E nesse dia, eu estava morrendo de sono, porque eu não dormira a noite, e a assistente da Diretora não nos deixava sair depois de entrar no segundo horário só para entregar a revista (TCA). Tivemos que ficar até a terceira aula, e com ajuda de uma professora que me ajudara muito no passado, consegui ligar para minha mãe (porque eu não estava com o celular, que estava descarregado em casa), e meu pai foi para a escola e brigou para nos tirar de lá. Claro que nesse tempo todo eu estava com o estômago retraindo querendo ir ao banheiro, mas nada acontecia, e eu sentia a respiração precisando ser puxada.  

Eu me sentia mais ou menos assim nesse dia.

E nessa semana do ano passado eu tive que sair duas vezes mais cedo da escola (na quarta e quinta) por causa dessa sensação, um dia na terceira e no outro na segunda aula. Sem falar que na semana seguinte haveria uma festa para arrecadar dinheiro organizada pela minha mãe que ficou responsável pela formatura e pelos meus amigos e eu, e eu tive que ir embora no meio da festa porque passei mal. E em Outubro teve o aniversário da minha mana no shopping, e eu tive que sair no meio da coisa e ir correndo (literalmente) para casa, após explicar rapidamente para minha mãe o que estava acontecendo. 

Agora vamos adiantar para o fim... 

Após ter passado por um médico e ela fazer uma análise de mim, ela disse e confirmou o que minha mãe e eu achávamos que era o que tava rolando, eu tinha Ansiedade. Ela me explicou o que era e o que poderia estar acontecendo comigo eram sintomas e me recomendou um calmante natural, e que todos conhecemos – e que graças à Jesus não tem gosto de maracujá - Maracugina, e comecei a tomar ele, mas de pouquinho em pouquinho, na menor dose. 

Os meses seguintes foram tomando ele, tentando conciliar em ficar alternando os dias de tomo/não tomo e os trabalhos sem fim. E consegui ter uma conversa com essa minha amiga e após algumas brigas, nos resolvemos, acontece que ela se afastou por sentimentos conflitantes dentro dela mesma e pressão religiosa, mas não por causa dos familiares. Hoje estamos bem. Aqueles garotos irritantes sumiram da minha vida, porque todos finalizamos o Ensino Fundamental e iniciamos o Médio em escolas diferentes (AMÉM!). Eu e meus amigos fomos para a mesma escola, e tá tudo certo. Claro que ainda tem aqueles dias de insegurança e meu coração acelera e o estômago aperta, mas tomo uma dose do remédio e tento manter o máximo de pensamentos positivos e mantenho as milhões de possibilidades que surgem na mente trancadas. 

Minha história não é a mesma de todo mundo, é somente minha. Cada um tem uma reação e tem seus problemas internos diferentes. Minha amiga Bárbara Felix tem Síndrome do Pânico e a Ansiedade, e muitas vezes não consegue ver as notícias de morte de pessoas trans e tals sem ativar um gatilho. E tenho outra amiga que teve uma crise de Ansiedade na sala de aula e ficou sem pulso por três segundos. Sem contar dois amigos meus que tem Depressão e a Ansiedade. E três tias que tem Depressão, sendo que uma dela também tem Síndrome do Pânico. E cara, nem todo mundo acredita em nós quando dissemos, eu tinha uma amiga que acabei afastando por conta de algumas coisas que ela falou, tipo: "Ah, que exagero dele não poder vir no aniversário do amigo (no shopping).". Mas eu só não conseguia, e diferente dela, meu amigo entendeu! 

às vezes pensar demais é algo que eu queria poder parar, me acalmar e diminuir o fluxo de pensamentos.

Transtorno de Ansiedade não quer dizer fraqueza. E às vezes, não é fácil explicar o que se passa dentro de nós, e nem todo mundo consegue um terapeuta pra ajudar a se entender, então é necessário que os outros procurem entender e que possamos procurar ajuda com nosso nossos amigos e parentes mais importantes para nós mesmos. 

Meu ponto com esse texto é: Além de informar mais sobre Ansiedade, não julgue o amiguinho sem saber o que está se passando com ele, e não é porque você não entende, que não seja verdade o que acontecendo com ele/ela/elx. 

A Taiany me enviou um link de um vídeo sobre Ansiedade e eu vou lançar ele pra vocês: 

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