Ariel Carvalho CCAnálise

Pode ser princesa, sim

11.5.17Ariel Carvalho



Ter nome de princesa da Disney sempre foi uma benção e uma maldição. Era ótimo comprar produtos com seu nome neles, e achar que eu era mais princesa do que as outras meninas simplesmente por dividir o nome com uma delas. O lado ruim era que as pessoas sempre me chamavam de "sereia" e "princesa" e, à medida que eu fui crescendo - e me tornando feminista -, passei a ouvir que ser princesa não era lá uma coisa tão boa.

Eu não achava que isso era real. Sempre havia gostado de ser comparada a uma princesa, gostava da ideia de um certo luxo e de ser dona de um castelo, dar ordens e governar... Mas parecia que você não era capaz de ser tudo isso e ser, também, independente e forte e sua própria pessoa.

A ideia de ser princesa que eu tinha envolvia casamentos e histórias de amor, só que eu não aguentava mais isso. Além do mais, eu queria mostrar para as pessoas que não era tão ruim assim ser princesa, mas os filmes da Disney pareciam provar o contrário.

Não me lembro exatamente de quando vi Star Wars, mas lembro que eu instantaneamente me apaixonei por Leia. Ela era sim uma mulher apaixonada por Han Solo, sarcástica e um tanto estressada em alguns momentos. Mas, para mim, o mais significativo era que ela fosse uma princesa. Vendo Uma Nova Esperança eu percebi que a princesa que eu queria ser era a princesa Leia.



Queria ser minha própria pessoa mas também me apaixonar, não precisar me casar para ser princesa, dar ordens que ajudassem meu povo e, sim, liderar uma rebelião. Queria poder ser independente e contar com a ajuda de meus amigos, salvar os outros e também ser salva.

Um dos meus aspectos favoritos da representação da Leia é que ela é multifacetada. Muitas vezes, especialmente em ficção científica, retratam a mulher como um artifício narrativo, mas Leia é uma personagem completa. E ela não é apenas uma apaixonada, ela é rebelde, e forte, mas isso não exclui suas cenas de vulnerabilidade.


Ela não é submissa aos homens do filme e não engole sapos de jeito nenhum, não tem medo de enfrentar Darth Vader e Jabba, e não apenas se defende, como também defende todos à sua volta. Ela admite seus erros e tem feminilidade até mesmo nos momentos mais complicados.

E isso falando apenas da trilogia original!

Porque eu nem tenho palavras para descrever meu amor por essa Leia da nova trilogia, que é GENERAL LEIA e foi mãe de um rapaz que era para ser um Jedi, que se separou do Han (mesmo claramente ainda o amando) e continuou se rebelando.

40 anos depois de sua primeira aparição, Leia continua relevante porque ela mostra para meninas (até mesmo aquelas meninas que já são mulheres) que você pode ser princesa, sim, e manter sua personalidade e independência assim mesmo. E nem sei explicar quão grata eu sou por isso.

(Eu escrevi sobre a dinâmica do Han e da Leia pra Revista Pólen, há um tempo atrás, se vocês quiserem ler sobre aqui).



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