Carol Cardozo CCConversa

As desventuras e gostosuras de se morar sozinha

6.12.16Carol Cardozo


Já faz 8 meses (parei aqui pra pensar e UOU, O TEMPO VOA MESMO) desde que saí de casa por livre e espontânea pressão e fui morar por aí nesse mundão de Deus. Também há 8 meses arrumei um emprego novo (que foi o que me deu mais possibilidade de me manter fora), e hoje já tô confortável nos dois ambientes.

Quando você sai de casa você pensa que se você sabe fazer uma comidinha, lavar uma roupa e ter dinheiro suficiente pra ter um teto sobre sua cabeça e comida na sua barriga, tá tudo bem.


Não.

Não tá tudo bem.

Porque quando você vai morar sozinho, você aprende a sabedoria das ruas.

Não é assim que a banca toca, meu bem

Vou dar uns exemplos do que rolou comigo:

1 - Passei a conseguir ignorar baratas e insetos (a não ser que eles venham pra cima de mim, claro)

O primeiro lugar que eu morei assim que eu saí da casa dos meus pais foi um conjugado dividido com uma mulher de 30 anos. Era complicado. O chão era de taco de madeira, mas tinha vários buracos, não tinha como lavar a roupa lá (eu ou levava na república do namorado dela ou lavava na casa do meu namorado. Como última opção, já lavei camisa do meu trabalho em balde no chuveiro e coloquei pra secar num cabide pendurado na janela), a luz da cozinha não funcionou a partir de umas duas semanas que eu estava lá, a luz do banheiro se foi no meio do caminho também...

Enfim, deu pra perceber que era meio caótico.

No meio de tudo isso, apareciam baratas. Não muitas, mas as que apareciam PASSAVAM SEMPRE NA PORRA DA PIA, a ponto de eu nunca querer deixar minha comida em cima dela por cinco segundos que fossem.

Mas, querides amigues, eu antes tinha uma abordagem quando via uma barata a que distância fosse:

Saía correndo não importava onde ou como eu estava.

Só que eu passei a conviver tantas vezes com elas que ficou cansativo fugir depois de um tempo (fora que não tinha ninguém pra matar pra mim. Eu não ia matar, não senhor). Agora eu tenho dois estágios:

PORRA, QUE NOJO

Vai vir pra cima de mim? Não. Então tá bom.

Mas admito que sempre é bom quando tem alguém comigo, eu grito MATAAAAAAAAAAA e aí tudo fica bem. :D


2 - Minha capacidade de improvisação melhorou bastante.

No primeiro dia em que eu morei no lugarzinho novo (o já mencionado no primeiro item), eu tinha esquecido meu cobertor na casa da minha mãe (o qual está lá até hoje). E FEZ UM FRIO DA PORRA. A minha colega de quarto já estava dormindo e eu não queria acordá-la e incomodar pra pedir algum lençol emprestado, então o que eu fiz??

Peguei dois vestidos  e me cobri.

No início eu também comia macarrão direto, mas cadê que tinha escorredor de macarrão?? Pra falar a verdade, demorou um tempo até eu achar a tampa da panela também. Eu usava um prato como tampa pra escorrer a água, lavava o macarrão ali mesmo e escorria de novo.

Foi na base da gambiarra mas foi!

Umas duas semanas depois disso eu abri a porta do armário e descobri as tampas e o escorredor, mas ok HAHAHHAHAHAHHAHAHAHAH

Na hora do aperto a gente sempre acaba se virando e arrumando um jeito (ainda que bizarro) de resolver o problema.


3- Aprecio melhor as pequenas coisas.

Ok, você já viu como foi o número 1 e o 2, então dá pra entender como eu passei a apreciar as coisas. No segundo lugar onde eu morei, tinha máquina de lavar e microondas (era uma casa de vila que eu dividia com mais três pessoas). 

Pequenas coisas que eram normais pra mim antes (e estão normais agora, mas ainda as aprecio mesmo assim) se tornaram algo maravilhoso na minha vida. Como lavar a roupa uma vez por semana, ou ter dinheiro o suficiente pra não precisar comer macarrão (os últimos 10 dias do mês costumam ser sombrios). Ter utensílios pra cozinhar o que eu quero. Eu comprei um conjunto de potes e fiquei cantando Dear Theodosia pra eles (uma música de Hamilton em que os caras cantam pros seus respectivos filhos).

Só os fãs de Hamilton vão entender,
mas aqui vai uma fanart que mostra como eu e meu namorado ficamos com os potes.

Acho que, quando você é totalmente responsável pelas suas coisas, como elas vão ou não ficar, mesmo a mais simples das coisas passam a ter um gostinho de satisfação a mais.

Eu sou o Tallahasse e minha vida é o bolinho que ele queria comer.

4- Ajo melhor perto de pessoas desconhecidas.

Eu sou uma pessoa... bem, é difícil definir o que eu sou. Não diria tímida ou introvertida, mas eu tenho dificuldades com pessoas desconhecidas, eu sempre acho que elas vão me achar uma estranha e bizarra criatura.

Mas, além de morar com outras pessoas, eu trabalho lidando com público (preciso atender pessoas na secretaria, atender telefone, esse tipo de coisa). Eu  estou BEEEEEM melhor do que era antes (ainda tenho umas recaídas, mas ok), mas antes era:

NÃÃÃÃÃO

Enquanto hoje em dia já dá pra atender o telefone de boas (mais ou menos), e eu até penso em não ficar isolada no quarto e ir socializar com as pessoas. Acredite, isso é chocante, visto ao que eu era antes. E é até divertido.


5- Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades (ou o contrário).

Me ferro, enfrento insetos, fico apertada financeiramente no final do mês... mas nada disso é ruim o suficiente pra eu querer desistir da liberdade que eu tenho com isso. Geralmente é o contrário, o pessoal acha que vai ser tudo fácil lindo e maravilhoso, que vai ser festa e felicidade o mês inteiro. 

Não é assim não, querides. Eu me fodo consideravelmente. Sabe aquelas tias no mercado que falam "Meu deus, olha o preço do tomate, tá a hora da morte!", ou que reclamam do preço do óleo e do leite, dizem que mês passado o requeijão não tava tão caro ? Eu virei uma delas. Porque quando é o seu dinheiro suado ali, aaaah, a história é outra.

Mas eu cozinho o que eu quero. Saio quando eu quero, com quem eu quero, pra fazer o que eu quero. Sem precisar mentir, sem precisar me sentir culpada, sem precisar pedir semanas antes.

Posso dizer que uma das melhores sensações que eu tenho nessa nova fase da minha vida é a liberdade.

Um brinde!

Não tem sido fácil, mas tem sido maravilhoso. Às vezes é complicado se enxergar como uma adulta, porque ainda tenho aquela visão engessada e feia de ser uma adulta. Mas não, eu posso continuar surtando com séries e gifs e fazer piadas idiotas e ainda assim ser séria no trabalho, fazer coisas mais maduras e tudo o mais.

É legal estar feliz onde a gente está.

Esses são os momentos que fazem a vida valer a pena.

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2 comentários

  1. "Mas eu cozinho o que eu quero. Saio quando eu quero, com quem eu quero, pra fazer o que eu quero. Sem precisar mentir, sem precisar me sentir culpada, sem precisar pedir semanas antes"
    Aiiii Carol como eu QUERO sentir isso, comprar meus potes, meus utensílios, e não dar satisfação pra ninguém, mas agora me conta, pq foi morar sozinha? Fiquei curioso :/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Meus pais deram o famoso ultimato porque eu não estava pensando como eles mais.

      Olha, termina sua faculdade (se for fazer alguma), resolve sua vida antes... trabalhar e estudar é muito complicado (tanto que eu não estou fazendo isso agora, porque quando você precisa escolher entre estudar ou pagar o aluguel, qual que você vai escolher, não é mesmo?).

      Excluir

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