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Pra que ficção se eu tenho a realidade?

30.4.15Dana Martins


“Se eu já tenho essa realidade pra que eu preciso de um mundo fictício?” um cara disse enquanto passava pela parte de videogames da loja, explicando por que ele não joga.

Bem, com realidades fictícias você já aprenderia que não existe uma só realidade, e isso já é um bom motivo pra “precisar de mundos fictícios”.


Além disso, o que nós chamamos de realidade é, na verdade, a forma como nós aprendemos a enxergar o mundo. Isso significa que de certo modo... realidade é imaginação. Não que não exista coisas reais, como sair pra correr na praia ou fazer sexo, que é diferente de correr em um jogo ou fazer sexo no jogo. Isso é real. O jogo não.


Porém, nós vivemos de cultura. Parte da nossa experiência é baseada em como a nossa cultura é construída. É por isso, por exemplo, que faz diferença chamar de cupcake ou de bolinho. Mesmo que possa estar falando o que na prática é a mesma coisa: uma porção individual de massa de chocolate com cobertura, a forma como você experimenta se torna diferente se isso é apresentado como cupcake ou bolinho. Até, aliás, da forma que a massa é apresentada. É como uma fatia, é como um bolinho em miniatura, é como um triângulo, é dentro de uma caneca? São coisas que na realidade realidade, o mundo prático, não fazem a menor diferença e, ainda assim, nós sentimos de formas diferentes.

Se mundos fictícios nos ensinam uma coisa, é que sentimentos importam. Que essa realidade mental pode não ser “realidade”, mas ela faz tão parte da nossa vida que nós nem vemos.

Ignorar os mundos fictícios, aliás, te deixa mais vulnerável à ficção porque você nem percebe em como a forma que você vê o mundo não é tão realidade e, portanto, não consegue separar a realidade realidade dessa dimensão imaginária.

O mundo imaginário nem é algo ruim. É ele que nos faz comemorar datas especiais. Podemos não acreditar em Papai Noel, mas parar todo fim de ano para enfeitar a casa, fazer comida e trocar presentes torna nossas vidas diferentes. Sem esses momentos absolutamente ordinários aos quais nós aplicamos significados inimagináveis, nossa vida fica chata para caramba.

Tipo, casamento. Formatura. São rituais babacas que não fazem diferença, mas muito populares entre os “realistas”. Causa até choradeira. Se você colocar no papel a diferença não é nenhuma, né? Um exemplo: O homem já tá morando na casa da esposa há meses, já namoram há anos, não vai mudar nada na rotina de ninguém e aí: Entra a mulher com uma roupinha diferente e sai todo mundo chorando emocionado.

Os mundos fictícios nos mostram outras realidades, fazem as pessoas que não se encaixam na realidade em que vivem se encontrarem em outros lugares, ensinam lições, são uma forma das pessoas viverem grande experiências, tipo guerra, sem precisar realmente ter sofrido na guerra e refletirem sobre a vida e o mundo. A ficção nos ensina a lidar com essa realidade imaginária em qual vivemos parte do tempo.

Não é uma solução, mas é o caminho.

E é pra isso que você precisa de mundos fictícios.

-dana martins


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1 comentários

  1. Dana, realidade versus fantasia é igual macarrão.
    Tudo a mesma receita, designs diferentes e... tcharam! O molho assenta.
    Ou não.

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