CCDicas Dana Martins

Questionando: Desculpa falar, mas... WTF é LGBTQIAP+?

9.5.14Dana Martins





A verdade é que eu escrevi esse primeiro Questionando quando eu comecei a entender o assunto, alguns anos atrás, e de lá pra cá descobri várias coisas e comecei a entender melhor. Clicando acima você vai encontrar as mesmas respostas muito mais simples e corretas.















texto antigo, o conteúdo não é indicado como informação, a não ser como uma prova de que a gente fala merda e depois aprende. continue por sua conta e risco






Mais um post do Questionando, o tema das nossas sextas temáticas de maio! Hoje trazemos algumas perguntas sinceras que nós não temos coragem de fazer e as respostas que nós encontramos.

Já pensou que você não precisa nem se identificar como heterossexual, mesmo que você seja heterossexual? Você sabe o que é pansexual? Queer? Cisgênero? A diferença entre orientação sexual, comportamento sexual e identidade sexual? O que significam todas as benditas letras do LGBTQ(alfabeto)+? Calma aí, o que é uma pessoa gay?

E mais importante: que diferença isso faz na sua vida?

Trouxe a Amy novamente só pra lembrar que não importa se você é heterossexual, isso também é sobre você. Faça o favor e leia o nosso primeiro questionamento.

Um aviso antes de começar: Nem tudo o que está aqui está 100% certo, leia os comentários da Priscilla para completar.

Esse é o primeiro texto do Questionando, desse texto para onde eu estou agora (no futuro?), eu aprendi muita coisa e detalhes que não faziam sentido nesse primeiro texto agora são claros como água. Eu ainda não pude decidir qual é a melhor maneira de revisar esses textos, então decidi colocar esse aviso, mas lembrando que não tenha medo de Questionar. De falar merda. Foi a partir disso aqui que eu aprendi a entender - e esse não é o propósito? Esse, sem dúvidas, é um bom lugar para começar. 

Vou começar roubando um trecho desse post do Diego, porque eu não poderia explicar melhor:

Vamos parar um minuto para desconstruir a sexualidade humana. Primeiro nós temos o nosso sexo. Sexo é biológico. Exceto raras exceções, você só tem um, ou você é um macho ou uma fêmea. Em seguida temos identidade de gênero, que é basicamente o gênero com o qual você se identifica. É possível ser cisgênero, que se identifica com seu gênero biológico, ou transgênero, que não se identifica. Quando alguém pergunta se você é homo ou hétero, essa pessoa está basicamente perguntando sua identidade sexual, que é a sexualidade que você assume, mas na verdade ele quer mesmo saber sobre seu comportamento sexual, que é basicamente com quem você está disposto a ter relações íntimas. Por fim existem os papeis de gênero, que são características socialmente estabelecidas como masculinas e femininas. O problema é quando pessoas levam em consideração apenas um aspecto da sexualidade alheia e tentam definir um individuo por ela.

A minha maior dificuldade de entender isso tudo foi o conceito de identidade sexual. Qual seria a diferença disso para o comportamento sexual? A identidade sexual é a parte cultural da coisa? Eu consigo pensar exemplos, mas ainda não consegui entender exatamente. Tipo, você tem esses goys, que até onde eu entendi são os gays não afeminados. Eles não se identificam como gays, mas eles têm relações íntimas com homens. Então eles são homossexuais, ou bissexuais, ou pansexuais, mas não se identificam como gays.

Isso significa que nós temos termos que definem o comportamento sexual e outros que são versões desses termos aplicados a variações culturais?


Às vezes eu acho que isso fica bem confuso e... cansativo. Não dá pra gente ignorar tudo isso e só viver? Tipo, ser feliz ou sei lá?

É em momentos assim que eu me pergunto: essas definições são realmente necessárias?



O que eu aprendi aqui é que quando você fala de grupos LGBT+ e começa a estudar a sexualidade, você tem que ir além de comportamento sexual.

Por exemplo, outra coisa que eu aprendi foi sobre a binária de gênero, que é basicamente classificar sexo e gênero de apenas duas formas: feminino e o masculino. Parte da causa LGBT+ envolve a desconstrução disso - pessoas que não se encaixam como mulher nem como homem, por N motivos. Tanto que parte dos grupos representados na sigla são relacionados a essas questões, como os transsexuais. Ou seja, não é apenas uma questão de com quem você vai pra cama.

E também existe, é claro, a criação de símbolos de identidade. Se definir como queer pode dar no mesmo que se definir como grifinória, ou divergente ou de sagitário.

A SIGLA - LGBT+

Atualmente, você vai encontrar várias derivações de LGBT,  que já é uma variação daquela GLS, como a LGBTQIA+. Pra ter ideia, enquanto eu fiz esse post alterei três vezes a sigla final porque encontrei versões mais inclusivas. A sigla LGBT tem o objetivo de representar todo tipo de... *corre no google* "orientações sexuais minoritárias e manifestações de identidades de gênero divergentes do sexo designado no nascimento"

até divergente entrou nessa história, aperte os cintos

A mais completa foi: LGBTTQQIAP+

L - lésbicas, garotas que se sentem atraídas por garotas
G - gays, garotos que se sentem atraídos por garotos (e homossexuais no geral)
B - bissexuais, pessoas que se sentem atraídas pelo próprio gênero e outros
T - transexuais, pessoas que têm uma identidade de gênero diferente do sexo designado no nascimento
T- transgêneros, o mesmo que transexual, só que é um termo mais amplo. Na verdade, nos Estados Unidos e no Brasil transexual/transgêneros têm significados diferentes.
Q - questioning, é um termo inclusive para aquelas pessoas que ainda não se sentem confortáveis se descrevendo de uma forma, ou não têm certeza de onde se encaixam, mas estão descobrindo
Q - queer, é um termo que significa tudo o que não é heterossexualidade ou do binarismo de gênero
I - intersexual, quando você não pode dizer pela biologia se é homem ou mulher (por causa dos cromossomos, ou órgãos genitais)
A - assexual, pessoas que não se sentem atraídas sexualmente por outras pessoas
P - pansexuais, "a pansexualidade é caracterizada pela atração sexual, romântica e/ou emocional independentemente da identidade de gênero do outro. Inclui, portanto, pessoas que não se encaixam na binária de gênero macho/fêmea"
+ - basicamente a porta do armário aberta para o que mais quiserem colocar, só para garantir que a sigla vai ser inclusiva

C - de Cuidado, lembrem que o importante não é encontrar uma definição absoluta, mas ter uma referência para aprender mais.

Entenda: Bissexualidade vs. Pansexualidade | Transexual vs. Transgênero | Outra visão sobre Bissexualidade

Comportamento sexual: com quem você tem relações íntimas, com quem você teve e com que você está disposto a ter
Orientação sexual: por quem você se sente atraído
Identidade de gênero: o gênero com o qual você se identifica
Identidade sexual: a sexualidade com a qual você se identifica

Fora identidade de gênero, os outros três podem ter a mesma resposta. Você pode ter uma orientação sexual, comportamento sexual e se identificar com uma identidade sexual heterossexual. Mas isso não significa que seja sempre assim. Dá pra dizer que um homem que casou obrigado como uma mulher, mesmo tendo uma orientação sexual homo, tem um comportamento sexual e identidade hétero.

Lembram do que eu falei na primeira parte desse texto? Que isso não é só uma questão de comportamento sexual?



Então, quando a gente tenta entender a sigla LGBTTQQIAP+ isso fica mais claro, porque você vê que os termos não são excludentes e nem se limitam a tipo de atração que a pessoa sente. O bissexual, que só gosta de homens e mulheres gosta do mesmo gênero e gêneros diferentes, é um tipo mais específico de pansexual. Garotas homossexuais também podem ser chamadas de gays, apesar de gay ser mais comum para homens. Ser transexual não tem nada a ver com por quem você se sente atraído, significa só que você não se identifica com o sexo que nasceu e quer mudar. Um homem que nasceu no corpo de mulher pode ter relações com mulheres depois da transformação e vai ser heterossexual. Pode existir uma mulher assexuada que casa com outra mulher. E a definição de queer é basicamente tudo isso.

E você ainda tem o termo servindo como identidade de gênero, o que nós conversamos lá em cima. Você pode ser um homem que se identifica como gay e fica com mulheres também. Por que não?

Não é meio estranho que a gente veja filmes de gente se matando de toda forma e o país quase para por causa de um beijo gay na novela?


Por fim, a última ideia importante que eu aprendi foi sobre a "fluidez da sexualidade" (em algum post futuro com direito a Jessie J, aguardem), que é em uma época você se sentir atraído por uma coisa e depois por outra e depois mudar...

Uma vez o Diego me disse que a sexualidade não é preto ou branco, é um milhão de tons de cinza. E sabe de uma coisa? Não importa com quem você se relaciona. Não importa por quem você se sente atraído. Mas, ao mesmo tempo, isso é extremamente importante.


PRONTO! Agora você tem o básico de informações para poder começar a discutir sexualidade e entender qualquer papo sobre LGBT+. Quando a gente começou a pensar a sexta temática de maio para falar de temas LGBT+, eu percebi que tinha MUITA coisa que quem não está por dentro desses questionamentos não entende. Eu sempre ouvia falar de cisgender (cisgênero) e encontrei vários textos falando desse negócio de fluidez da sexualidade, mas não sabia direito o que era. Pra ser sincera, eu cheguei até ao ponto de perguntar o que é gay. E só nos poucos dias entre terminar esse texto e publicar, eu já precisei revisar várias vezes com novas definições e descobri coisas tipo o conceito de Gray-A. Tudo isso em breve aqui no CC. 

Enquanto isso, vamos continuar questionando...

Por que rótulos são tão importantes? Ou será que eles são apenas algo extremamente irritante? O que você acha de existir um "curioso" no meio disso tudo? E que diferença isso tudo faz na sua vida? Calma aí, isso é tudo verdade? As coisas são realmente assim?

-dana martins






1 ANO DEPOIS

Eu tinha medo de olhar esse post, porque eu não sabia o que ia encontrar. É um grande dilema: Hoje lendo esse texto eu vejo problemas gritantes, as definições de algumas orientações sexuais estão confusas e tem até transfobia. A capa mesmo, não é o que eu teria usado. São coisas que eu há um ano não fui capaz de compreender, nem com a Priscilla nos comentários mostrando os problemas. Porém, sem esse post eu nem teria chegado aqui. Ecoando minhas palavras de um ano atrás: Escrever isso foi fundamental para me ensinar o que eu sei hoje. E, mesmo com todos os problemas, é um grande ponto de partida para você também. Então não tenha medo de ir em frente e questionar. Espero que aproveite. :)

Eu escrevi aqui algumas das coisas que eu aprendi no último ano.

Também estou planejando fazer um novo post com informações seguras, só quero aprender mais antes.



Nossos comentários vão ficar fora do ar por tempo indeterminado, então vou colocar aqui os comentários da Priscilla e do Diego que continuam a conversa.

COMENTÁRIOS

PRISCILLA FARIA

"Exceto raras exceções, você só tem um, ou você é um macho ou uma fêmea" as exceções não são tão raras assim e é até problematico chamar a galere intersexual de exceções.

"A minha maior dificuldade de entender isso tudo foi o conceito de identidade sexual. Qual seria a diferença disso para o comportamento sexual? A identidade sexual é a parte cultural da coisa?" na verdade é o contrário, a identidade (ou atração) sexual, é por quem você se sente atraído. o comportamento sexual é com quem você pratica atividades sexuais. pensa nos padres, o padre joãozinho é heterossexual, essa é a identidade sexual dele, mas o comportamento do joãozinho é celibato. amém.

"Não dá pra gente ignorar tudo isso e só viver? Tipo, ser feliz ou sei lá?" ignorar é um privilégio. eu por exemplo adoraria ignorar mas não posso porque existe um sistema que me oprime.

o T em LGBT+ não é para transexuais, mas para transgêneros, (ou Trans*). Esses são termos guarda chuva para todas as pessoas que não são cis (ai no caso vão entrar as pessoas transexuais, travestis, transgêneras, genderqueers, drag queens, multigenero, bigeneras, ageneras, genero fluído etc etc)

o P na sigla também é pra galere polisexual.

"O bissexual é um tipo mais específico de pansexual" hmmmmmmmmm......... não. as orientações não-monossexuas (ou seja, galere que não se sente atraída por apenas um gênero) tem como termo guarda chuva polisexual. bissexualidade e pansexualidade são tipos de polisexualidade. (polisexualidade não é apenas um termo guarda chuva para a galere não-mono, mas também é uma sexualidade. no caso, a pessoa polisexual vai se sentir atraída por mais de um gênero, mas não por todos).

falar que um homem trans é um homem que nasceu com corpo de mulher é transfóbico. (e como mulher é uma categoria social, ~corpo de mulher~ nem existe)


sobre o link de bissexualidade vs pansexualidade: não não não. bissexualidade é a atração por pessoas do mesmo gênero e por pessoas de gêneros diferentes, isso não exclui a galere não-binária ou a galere intersexo (que pode ser cis, ser trans e estar dentro da binaria de gênero e ser trans não-binário). Bissexualidade não reafirma a binária de gênero e essa ideia é bifobica.

sobre o link de Transexual vs. Transgênero: sexo oposto não existe, essa ideia é binarista. a gente não tem um gênero no nascimento. gênero é social, não biológico. a gente é DESIGNADO a um gênero no nascimento. essa não é a diferença entre travesti e transexual. a diferença é subjetiva e só uma pessoa travesti pode falar porque ela se identifica como travesti e não como transexual e vice versa. e não é O travesti, são AS travestis. toda pessoa transexual é transgênera porque transgênero é um termo guarda chuva, mas a questão da identificação também é subjetiva e só perguntando para uma pessoa trans* que nós podemos saber porque ela usa um ou outro. chamar a intervenção cirurgica de cirurgia de mudança de sexo é ofensivo e a cirurgia de transgenitalização não é uma regra para pessoas transsexuais.

Esse texto é de um homem cis completamente ignorante nas questões da comunidade trans* falando um monte de merda. o correto seria indicar materiais produzidos por pessoas trans*, porque gente cis não tem que definir porra nenhuma.

aqui algumas indicações de textos bacanas sobre a comunidade trans* produzidos por pessoas trans*:

http://aquinacuca.blogspot.com.br/2013/09/binarioexplicanismo.html

http://incandescencia.org/category/transgeneridade/ indico todos os texto com a tag transgeneridade. (alias, indico todos os textos do blog, mas enfim), inclusve o video sobre abolicionismo de gênero, novamente.

http://transfeminismo.com/trans-umbrella-term/ aqui é o que eu falei sobre o T na sigla ser de Trans*, um termo guarda chuva (só que aqui é uma pessoa trans falando então é melhor q)

http://naobinario.wordpress.com/

http://contrassexo.wordpress.com/

https://www.youtube.com/watch?v=Tj0XflQXu0k (documentário/entrevista com uma ativista trans e que fala sobre o ser travesti, o ser transgenero e o ser transexual)

se os links não forem o suficiente, aqui algumas pessoas trans* que >costumam< falar de boa sobre as suas vivências no ask.fm (mas que não tem absolutamente NENHUMA obrigação de responder nada): konichiwaclara, HaineRoltz, darvill, paunocudequemescolheuuhuruantes, vaevictae. (regrinhas: ler FAQs e respostas mais curtidas antes de perguntar qualquer coisa. SEMPRE respeitar os pronomes. lembrar que essas pessoas não tem nenhuma obrigação de educar gente cis).
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"Por que rótulos são tão importantes?" essa eu já respondi q

"Ou será que eles são apenas algo extremamente irritante?" quem não precisa dos rótulos é a galera privilegiada, e esses eu quero mais é irritar mesmo <3

"O que você acha de existir um "curioso" no meio disso tudo?" sexualidade pode ser fluída. a galere só tem que tomar cuidado com questões de protagonismo.

"E que diferença isso tudo faz na sua vida?" a minha identidade é parte de quem eu sou. o meu rótulo me da uma comunidade. a minha comunidade me apoia e me ajuda a lutar contra a opressão. isso faz toda a diferença.

"Calma aí, isso é tudo verdade? As coisas são realmente assim?" ok as duas ultimas perguntas eu não entendi q. (mas deixa eu falar, as ÚNICAS pessoas aptas pra definir, por exemplo, pansexualidade são as pessoas pansexuais. a opinião de gente que não é pansexual NÃO IMPORTA, inclusive galere não pansexual nem devia ter opinião sobre pansexualidade porque ninguem quer ouvir <3. a minha identidade não está aberta a discussão. ponto final (sim, eu dou o ponto final aqui porque é a MINHA identidade). o mesmo vale pra todas as orientações sexuais e todos os gêneros. se alguém de dentro de uma comunidade diz que as coisas são assim então muito provavelmente as coisas realmente são assim, porque gente de fora dessa realidade não pode dizer como as coisas são para as pessoas dessa comunidade, que vivenciam essas identidades).

ces realmente deviam parar de usar 'LGBTQ(alfabeto)+'. é ofensivo. só não usem ok. e queer. na hora de falar sobre queer o ideal é pedir pra uma pessoa queer usar/fazer citações/etc. e deixar claro que gente cishetero NÃO DEVE usar a palavra queer.
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DIEGO MATIOLI
Muito obrigado pelas correções Priscilla! Eu aprendi muita coisa nova com suas explicações!

Só queria registrar que o post de minha autoria aqui citado é antigo, de antes de eu aprender sobre intersexo e os problemas do binarismo. E eu de fato esqueci de levantar o assunto durante as discussões da equipe que geraram esse post (e eu nem sabia que ela ia citá-lo).

Quanto a seus comentários finais, no entanto: eu entendo plenamente que a identidade é algo pessoal e que só pessoas de dentro do grupo podem explicar com exatidão a sua identidade, mas a questão é que esses tópicos de identidade sexual são um taboo pouquíssimo divulgado. A Dana mesmo menciona como ela ficou chocada com a quantidade de novos termos que ela acabou conhecendo. E eu não acho muito saudável essa postura de "não opine sobre o assunto, sua opinião não importa". Se as comunidades lgbt+ querem ser ouvidas, então acho que devem ouvir também, mesmo que isso inclua ouvir ignorância e equívocos. Pois erros só podem ser corrigidos quando eles são feitos, escritor ou falados. Se eles permanecerem apenas no campo das ideias, eles continuarão errado e não farão favor algum a causa.

Digo isso por dois motivos: o primeiro é que, com esse tipo de postura, você afasta pessoas cishetero do conteúdo. Muitos da nossa equipe mesmo confessaram ter medo de falar do assunto por sentir que podem acabar cometendo algum erro e serem rechaçados por conta disso. Acho que esse não é o caminho se o propósito é igualdade. O segundo motivo é procurar, para além do respeito, a compreensão. Como eu vou entender a identidade de uma pessoa polissexual sem discutir o assunto ou falar o que eu acho que é um polissexual? Tenha em mente que uma pesquisa foi realizada para o desenvolvimento deste texto, e que ainda assim ele se prova cheio de equívocos. Mas nada disso será esclarecido se nós não falarmos do assunto.
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PRISCILLA FARIA
diego, o que eu falo aqui é diferente do que eu falaria pra dana (ou pra qualquer pessoa??? mas é com a dana que eu ando falando), seila, no facebook porque aqui eu sei que existe a oportunidade de várias pessoas lerem. e uma dessas pessoas pode ser alguém que tem a sua identidade questionada. não sei se você já passou por isso, mas eu já. muito. isso acontece demais com a galere polisexual. isso acontece demais com a galere da grey-a. isso acontece DEMAIS com a galere trans*, principalmente com a galere n-b. qualquer pessoa lgbt+ provavelmente já passou ou vai passar por alguma situação onde a sua identidade é questionada. então quando eu falo aqui que não, que NINGUÉM tem o direito de questionar a identidade alheia, eu tou falando com as pessoas lgbt+ que podem estar lendo. eu tou falando com quem sofre com isso. não, ninguém deve nem pode sair opinando sobre a sua identidade, isso é invasivo, é tirar o protagonismo da sua narrativa, é opressor e você não precisa, nunca, aceitar esse tipo de merda. (o que pode até parecer obvio, mas não é). quando eu comento aqui existe a chance de várias pessoas lerem e a minha prioridade não é ser pedagógica (eu tento, mas não é nunca foi a minha prioridade então não sei se eu tenho sucesso), é empoderar pessoas que podem estar passando por isso. (e pra mim, saber que eu não preciso ouvir gente falando merda e, caso eu ouça, eu definitivamente não tenho que ouvir calada FOI empoderador, e aconteceram coisas parecidas com várias gentes, então acho importante.)

gênero e sexualidade são assuntos MUITO complexos, e tentar pesquisar sobre tudo isso em tão pouco tempo e ter que lidar, de uma hora pra outra, com um mundo de informação e ter que traduzir essa informação pra tentar passar pra outras pessoas é tipo wow. é complexo e é confuso pra caralho. eu falo de boa sobre gênero e sexualidade porque eu tou nesse rolê ha muito tempo e isso me deixou com um acúmulo, mas se eu, sem esse acúmulo que eu tenho, fosse parar pra pesquisar sobre tudo isso e tivesse tão pouco tempo eu não teria escrito esse post (alias, se você reparar eu falei pra caralho nos meus comentários, mas eu falei sobre poucas coisas. o post no geral ta muito bacana, só acho importante não deixar de comentar sobre os aspectos problemáticos mesmo).

(ok isso eu nem ia falar mas eu não usaria igualdade como o meu propósito principal do >meu< ativismo. tipo bacana igualdade e tal, mas eu não quero ser igual o meu opressor, eu quero me libertar dessa estrutura que me oprime. meu lance é muito mais liberdade, no sentido de abolicionismo de gênero e, consequentemente, de orientações sexuais, do que igualdade em si. por isso o meu modo de praticar o meu ativismo pode divergir do seu, mas enfim q)
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não acho que você precise necessariamente entender para respeitar mas sei que costuma ser fácil desse jeito, então vamos la (também vou usar polisexual como exemplo). se eu não sei o que diabos é polisexualidade eu posso, seila, pesquisar na internet. mas a internet é um lugar meio bizarro e essa pesquisa pode não ser fácil e não esclarecer as minhas dúvidas. ok. então eu vou e pergunto para uma pessoa polisexual, porque essa pessoa vai saber me responder. essa pessoa é a única que pode me responder e me dar as informações corretas porque né, é a identidade dela. ninguém melhor pra falar disso. e isso é uma coisa muito importante pra se ter em mente, a nossa principal fonte de informação sobre polisexualudade deve ser, SEMPRE, uma pessoa polisexual.

por que sempre uma pessoa polisexual? por dois motivos. se eu vou la e pergunto sobre polisexualidade pra uma pessoa que não é polisexual ela vai poder me responder de dois jeitos:

1 - ela vai me dar informações erradas. por ignorância. por malícia. para manter seu privilégio de pessoa monosexual. por qualquer motivo, na verdade.

2 - essa pessoa vai me dar respostas bem bacanas e decentes. ué, mas isso é ruim?? hmmmmmm........ pode ser. muitas vezes é. por quê?? porque se essa pessoa tem esse entendimento de polisexualidade, ela tem que ter aprendido isso em algum lugar. e ela provavelmente aprendeu sobre isso com pessoas polisexuais. mas ao ser questionada sobre polisexualidade, ao invés de recomendar para a pessoa que perguntou algum material produzido pelas pessoas polisexuais com quem ela aprendeu, ou encaminhar as dúvidas dessa pessoa para pessoas polisexuais, essa pessoa preferiu responder. e mesmo que essa pessoa tenha respondido de forma impecável, rola a questão do protagonismo. ela ta protagonizando o movimento que não é dela, isso é colonizador. eu já vi isso acontecer demais e geralmente essas pessoas não fazem isso com o intuito de roubar o protagonismo. geralmente a galera vai com maior boa intenção mesmo, mas pode ser problemático do mesmo jeito. uma pessoa polisexual que veja esse texto pode não achar nenhum erro e ficar puta mesmo assim por aquela pessoa mono estar ocupando um espaço que não é dela (e muita gente pode não achar e não tem nada de errado nisso, mas isso não quer dizer que a pessoa que acha isso escroto está errada).

se a gente quer discutir o assunto (não curto, mas enfim), gente tem que dar a fala para alguém que entende do assunto. se o assunto é uma identidade, a gente não pode simplesmente não ouvir alguém com essa identidade. e a voz dessa pessoa é a voz que tem que sair mais alto. é sobre ela. ela é que sabe. não faz sentido falar sobre o assunto sem ela aqui, até porque se a gente falar merda, quem vai corrigir? (e quem decide se a gente falou merda ou não é essa pessoa cuja identidade está ~~sendo discutida. a gente pode achar que falou uma coisa bacana e essa pessoa dizer que não. ai não importa que a gente ache que foi bacana, porque não foi. então a gente pede desculpas e não repete. e se a pessoa quiser ela explica pra gente porque não foi bacana)


[aproveitando o espaço pra falar que pode não parecer pelos meus comentarios -q, mas eu odeio escrever. não gosto e não acho que eu me expresse bem no papel e me sinto absurdamente limitada por nao poder botar as coisas em negrito ou italico quando comento, então as vezes pode parecer que eu tou gritando ou que eu tou absurdamente puta, o que na maioria das vezes não é verdade, entao se alguém teve essa impressão desculpa, não foi a intenção q]

[aproveitando também pra indicar outro link, https://www.facebook.com/eradecisperar?fref=ts, no caso uma page super legal de várias gentes trans* falando sobre a vida, o universo e gente cis.]

DIEGO MATIOLI
Ok, entendi sua abordagem e ela faz sentido. Talvez, por eu ser professor, eu não necessariamente concorde com ela, em termos didáticos mesmo, mas tudo bem. Discursos diferentes com focos diferentes. Nenhum mal aí e eu acho totalmente certo o empoderamento dessas pessoas. Quanto a igualmente, aí é mais uma questão de semântica. Para mim, o que você descreveu como liberdade, é igualdade. Palavras diferentes, mesmo proposito.

Não concordo plenamente a respeito dessa questão de protagonismo. Eu acho que PROIBIR pessoas cishetero de falarem desse assunto é o mesmo que proibi-los de falar da causa. Eu vejo esse mesmo problema com quem diz que homens não podem falar de feminismo. Eu entendo plenamente que são as mulheres que devem liderar o feminino e as pessoas lgbt+ que devem liderar seus movimentos, mas, para mim, liderar é diferente de fazer parte, e as pessoas devem falar daquilo de que fazem parte. Não sei, talvez minha noção de protagonismo seja diferente da sua. Dizer que cisheteros não podem usar a palavra Queer, então, para mim beira a censura.

Mas de qualquer forma, não acho que isso seja uma questão de certo ou errado. Eu entendo e respeito totalmente sua opinião sobre o assunto. Só não concordo totalmente com ela. Felizmente, como homossexual, eu aparentemente ainda tenho permissão para falar pelo menos da minha sexualidade, que onde eu geralmente me foco (especialmente nas questões de representatividade). Então provavelmente devo estar em "território seguro". De toda forma, considerei nossa conversa deveras interessante e adoraria ter a oportunidade de continua-la um dia.

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19 comentários

  1. "Exceto raras exceções, você só tem um, ou você é um macho ou uma fêmea" as exceções não são tão raras assim e é até problematico chamar a galere intersexual de exceções.

    "A minha maior dificuldade de entender isso tudo foi o conceito de identidade sexual. Qual seria a diferença disso para o comportamento sexual? A identidade sexual é a parte cultural da coisa?" na verdade é o contrário, a identidade (ou atração) sexual, é por quem você se sente atraído. o comportamento sexual é com quem você pratica atividades sexuais. pensa nos padres, o padre joãozinho é heterossexual, essa é a identidade sexual dele, mas o comportamento do joãozinho é celibato. amém.

    "Não dá pra gente ignorar tudo isso e só viver? Tipo, ser feliz ou sei lá?" ignorar é um privilégio. eu por exemplo adoraria ignorar mas não posso porque existe um sistema que me oprime.

    o T em LGBT+ não é para transexuais, mas para transgêneros, (ou Trans*). Esses são termos guarda chuva para todas as pessoas que não são cis (ai no caso vão entrar as pessoas transexuais, travestis, transgêneras, genderqueers, drag queens, multigenero, bigeneras, ageneras, genero fluído etc etc)

    o P na sigla também é pra galere polisexual.

    "O bissexual é um tipo mais específico de pansexual" hmmmmmmmmm......... não. as orientações não-monossexuas (ou seja, galere que não se sente atraída por apenas um gênero) tem como termo guarda chuva polisexual. bissexualidade e pansexualidade são tipos de polisexualidade. (polisexualidade não é apenas um termo guarda chuva para a galere não-mono, mas também é uma sexualidade. no caso, a pessoa polisexual vai se sentir atraída por mais de um gênero, mas não por todos).

    falar que um homem trans é um homem que nasceu com corpo de mulher é transfóbico. (e como mulher é uma categoria social, ~corpo de mulher~ nem existe)


    sobre o link de bissexualidade vs pansexualidade: não não não. bissexualidade é a atração por pessoas do mesmo gênero e por pessoas de gêneros diferentes, isso não exclui a galere não-binária ou a galere intersexo (que pode ser cis, ser trans e estar dentro da binaria de gênero e ser trans não-binário). Bissexualidade não reafirma a binária de gênero e essa ideia é bifobica.

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    1. sobre o link deTransexual vs. Transgênero: sexo oposto não existe, essa ideia é binarista. a gente não tem um gênero no nascimento. gênero é social, não biológico. a gente é DESIGNADO a um gênero no nascimento. essa não é a diferença entre travesti e transexual. a diferença é subjetiva e só uma pessoa travesti pode falar porque ela se identifica como travesti e não como transexual e vice versa. e não é O travesti, são AS travestis. toda pessoa transexual é transgênera porque transgênero é um termo guarda chuva, mas a questão da identificação também é subjetiva e só perguntando para uma pessoa trans* que nós podemos saber porque ela usa um ou outro. chamar a intervenção cirurgica de cirurgia de mudança de sexo é ofensivo e a cirurgia de transgenitalização não é uma regra para pessoas transsexuais.

      Esse texto é de um homem cis completamente ignorante nas questões da comunidade trans* falando um monte de merda. o correto seria indicar materiais produzidos por pessoas trans*, porque gente cis não tem que definir porra nenhuma.

      aqui algumas indicações de textos bacanas sobre a comunidade trans* produzidos por pessoas trans*:

      http://aquinacuca.blogspot.com.br/2013/09/binarioexplicanismo.html

      http://incandescencia.org/category/transgeneridade/ indico todos os texto com a tag transgeneridade. (alias, indico todos os textos do blog, mas enfim), inclusve o video sobre abolicionismo de gênero, novamente.

      http://transfeminismo.com/trans-umbrella-term/ aqui é o que eu falei sobre o T na sigla ser de Trans*, um termo guarda chuva (só que aqui é uma pessoa trans falando então é melhor q)

      http://naobinario.wordpress.com/

      http://contrassexo.wordpress.com/

      https://www.youtube.com/watch?v=Tj0XflQXu0k (documentário/entrevista com uma ativista trans e que fala sobre o ser travesti, o ser transgenero e o ser transexual)

      se os links não forem o suficiente, aqui algumas pessoas trans* que >costumam< falar de boa sobre as suas vivências no ask.fm (mas que não tem absolutamente NENHUMA obrigação de responder nada): konichiwaclara, HaineRoltz, darvill, paunocudequemescolheuuhuruantes, vaevictae. (regrinhas: ler FAQs e respostas mais curtidas antes de perguntar qualquer coisa. SEMPRE respeitar os pronomes. lembrar que essas pessoas não tem nenhuma obrigação de educar gente cis).

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. "Por que rótulos são tão importantes?" essa eu já respondi q

      "Ou será que eles são apenas algo extremamente irritante?" quem não precisa dos rótulos é a galera privilegiada, e esses eu quero mais é irritar mesmo <3

      "O que você acha de existir um "curioso" no meio disso tudo?" sexualidade pode ser fluída. a galere só tem que tomar cuidado com questões de protagonismo.

      "E que diferença isso tudo faz na sua vida?" a minha identidade é parte de quem eu sou. o meu rótulo me da uma comunidade. a minha comunidade me apoia e me ajuda a lutar contra a opressão. isso faz toda a diferença.

      "Calma aí, isso é tudo verdade? As coisas são realmente assim?" ok as duas ultimas perguntas eu não entendi q. (mas deixa eu falar, as ÚNICAS pessoas aptas pra definir, por exemplo, pansexualidade são as pessoas pansexuais. a opinião de gente que não é pansexual NÃO IMPORTA, inclusive galere não pansexual nem devia ter opinião sobre pansexualidade porque ninguem quer ouvir <3. a minha identidade não está aberta a discussão. ponto final (sim, eu dou o ponto final aqui porque é a MINHA identidade). o mesmo vale pra todas as orientações sexuais e todos os gêneros. se alguém de dentro de uma comunidade diz que as coisas são assim então muito provavelmente as coisas realmente são assim, porque gente de fora dessa realidade não pode dizer como as coisas são para as pessoas dessa comunidade, que vivenciam essas identidades).

      ces realmente deviam parar de usar 'LGBTQ(alfabeto)+'. é ofensivo. só não usem ok. e queer. na hora de falar sobre queer o ideal é pedir pra uma pessoa queer usar/fazer citações/etc. e deixar claro que gente cishetero NÃO DEVE usar a palavra queer.

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    4. Muito obrigado pelas correções Priscilla! Eu aprendi muita coisa nova com suas explicações!

      Só queria registrar que o post de minha autoria aqui citado é antigo, de antes de eu aprender sobre intersexo e os problemas do binarismo. E eu de fato esqueci de levantar o assunto durante as discussões da equipe que geraram esse post (e eu nem sabia que ela ia citá-lo).

      Quanto a seus comentários finais, no entanto: eu entendo plenamente que a identidade é algo pessoal e que só pessoas de dentro do grupo podem explicar com exatidão a sua identidade, mas a questão é que esses tópicos de identidade sexual são um taboo pouquíssimo divulgado. A Dana mesmo menciona como ela ficou chocada com a quantidade de novos termos que ela acabou conhecendo. E eu não acho muito saudável essa postura de "não opine sobre o assunto, sua opinião não importa". Se as comunidades lgbt+ querem ser ouvidas, então acho que devem ouvir também, mesmo que isso inclua ouvir ignorância e equívocos. Pois erros só podem ser corrigidos quando eles são feitos, escritor ou falados. Se eles permanecerem apenas no campo das ideias, eles continuarão errado e não farão favor algum a causa.

      Digo isso por dois motivos: o primeiro é que, com esse tipo de postura, você afasta pessoas cishetero do conteúdo. Muitos da nossa equipe mesmo confessaram ter medo de falar do assunto por sentir que podem acabar cometendo algum erro e serem rechaçados por conta disso. Acho que esse não é o caminho se o propósito é igualdade. O segundo motivo é procurar, para além do respeito, a compreensão. Como eu vou entender a identidade de uma pessoa polissexual sem discutir o assunto ou falar o que eu acho que é um polissexual? Tenha em mente que uma pesquisa foi realizada para o desenvolvimento deste texto, e que ainda assim ele se prova cheio de equívocos. Mas nada disso será esclarecido se nós não falarmos do assunto.

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    5. diego, o que eu falo aqui é diferente do que eu falaria pra dana (ou pra qualquer pessoa??? mas é com a dana que eu ando falando), seila, no facebook porque aqui eu sei que existe a oportunidade de várias pessoas lerem. e uma dessas pessoas pode ser alguém que tem a sua identidade questionada. não sei se você já passou por isso, mas eu já. muito. isso acontece demais com a galere polisexual. isso acontece demais com a galere da grey-a. isso acontece DEMAIS com a galere trans*, principalmente com a galere n-b. qualquer pessoa lgbt+ provavelmente já passou ou vai passar por alguma situação onde a sua identidade é questionada. então quando eu falo aqui que não, que NINGUÉM tem o direito de questionar a identidade alheia, eu tou falando com as pessoas lgbt+ que podem estar lendo. eu tou falando com quem sofre com isso. não, ninguém deve nem pode sair opinando sobre a sua identidade, isso é invasivo, é tirar o protagonismo da sua narrativa, é opressor e você não precisa, nunca, aceitar esse tipo de merda. (o que pode até parecer obvio, mas não é). quando eu comento aqui existe a chance de várias pessoas lerem e a minha prioridade não é ser pedagógica (eu tento, mas não é nunca foi a minha prioridade então não sei se eu tenho sucesso), é empoderar pessoas que podem estar passando por isso. (e pra mim, saber que eu não preciso ouvir gente falando merda e, caso eu ouça, eu definitivamente não tenho que ouvir calada FOI empoderador, e aconteceram coisas parecidas com várias gentes, então acho importante.)

      gênero e sexualidade são assuntos MUITO complexos, e tentar pesquisar sobre tudo isso em tão pouco tempo e ter que lidar, de uma hora pra outra, com um mundo de informação e ter que traduzir essa informação pra tentar passar pra outras pessoas é tipo wow. é complexo e é confuso pra caralho. eu falo de boa sobre gênero e sexualidade porque eu tou nesse rolê ha muito tempo e isso me deixou com um acúmulo, mas se eu, sem esse acúmulo que eu tenho, fosse parar pra pesquisar sobre tudo isso e tivesse tão pouco tempo eu não teria escrito esse post (alias, se você reparar eu falei pra caralho nos meus comentários, mas eu falei sobre poucas coisas. o post no geral ta muito bacana, só acho importante não deixar de comentar sobre os aspectos problemáticos mesmo).

      (ok isso eu nem ia falar mas eu não usaria igualdade como o meu propósito principal do >meu< ativismo. tipo bacana igualdade e tal, mas eu não quero ser igual o meu opressor, eu quero me libertar dessa estrutura que me oprime. meu lance é muito mais liberdade, no sentido de abolicionismo de gênero e, consequentemente, de orientações sexuais, do que igualdade em si. por isso o meu modo de praticar o meu ativismo pode divergir do seu, mas enfim q)

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    6. não acho que você precise necessariamente entender para respeitar mas sei que costuma ser fácil desse jeito, então vamos la (também vou usar polisexual como exemplo). se eu não sei o que diabos é polisexualidade eu posso, seila, pesquisar na internet. mas a internet é um lugar meio bizarro e essa pesquisa pode não ser fácil e não esclarecer as minhas dúvidas. ok. então eu vou e pergunto para uma pessoa polisexual, porque essa pessoa vai saber me responder. essa pessoa é a única que pode me responder e me dar as informações corretas porque né, é a identidade dela. ninguém melhor pra falar disso. e isso é uma coisa muito importante pra se ter em mente, a nossa principal fonte de informação sobre polisexualudade deve ser, SEMPRE, uma pessoa polisexual.

      por que sempre uma pessoa polisexual? por dois motivos. se eu vou la e pergunto sobre polisexualidade pra uma pessoa que não é polisexual ela vai poder me responder de dois jeitos:

      1 - ela vai me dar informações erradas. por ignorância. por malícia. para manter seu privilégio de pessoa monosexual. por qualquer motivo, na verdade.

      2 - essa pessoa vai me dar respostas bem bacanas e decentes. ué, mas isso é ruim?? hmmmmmm........ pode ser. muitas vezes é. por quê?? porque se essa pessoa tem esse entendimento de polisexualidade, ela tem que ter aprendido isso em algum lugar. e ela provavelmente aprendeu sobre isso com pessoas polisexuais. mas ao ser questionada sobre polisexualidade, ao invés de recomendar para a pessoa que perguntou algum material produzido pelas pessoas polisexuais com quem ela aprendeu, ou encaminhar as dúvidas dessa pessoa para pessoas polisexuais, essa pessoa preferiu responder. e mesmo que essa pessoa tenha respondido de forma impecável, rola a questão do protagonismo. ela ta protagonizando o movimento que não é dela, isso é colonizador. eu já vi isso acontecer demais e geralmente essas pessoas não fazem isso com o intuito de roubar o protagonismo. geralmente a galera vai com maior boa intenção mesmo, mas pode ser problemático do mesmo jeito. uma pessoa polisexual que veja esse texto pode não achar nenhum erro e ficar puta mesmo assim por aquela pessoa mono estar ocupando um espaço que não é dela (e muita gente pode não achar e não tem nada de errado nisso, mas isso não quer dizer que a pessoa que acha isso escroto está errada).

      se a gente quer discutir o assunto (não curto, mas enfim), gente tem que dar a fala para alguém que entende do assunto. se o assunto é uma identidade, a gente não pode simplesmente não ouvir alguém com essa identidade. e a voz dessa pessoa é a voz que tem que sair mais alto. é sobre ela. ela é que sabe. não faz sentido falar sobre o assunto sem ela aqui, até porque se a gente falar merda, quem vai corrigir? (e quem decide se a gente falou merda ou não é essa pessoa cuja identidade está ~~sendo discutida. a gente pode achar que falou uma coisa bacana e essa pessoa dizer que não. ai não importa que a gente ache que foi bacana, porque não foi. então a gente pede desculpas e não repete. e se a pessoa quiser ela explica pra gente porque não foi bacana)


      [aproveitando o espaço pra falar que pode não parecer pelos meus comentarios -q, mas eu odeio escrever. não gosto e não acho que eu me expresse bem no papel e me sinto absurdamente limitada por nao poder botar as coisas em negrito ou italico quando comento, então as vezes pode parecer que eu tou gritando ou que eu tou absurdamente puta, o que na maioria das vezes não é verdade, entao se alguém teve essa impressão desculpa, não foi a intenção q]

      [aproveitando também pra indicar outro link, https://www.facebook.com/eradecisperar?fref=ts, no caso uma page super legal de várias gentes trans* falando sobre a vida, o universo e gente cis.]

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  2. Ok, entendi sua abordagem e ela faz sentido. Talvez, por eu ser professor, eu não necessariamente concorde com ela, em termos didáticos mesmo, mas tudo bem. Discursos diferentes com focos diferentes. Nenhum mal aí e eu acho totalmente certo o empoderamento dessas pessoas. Quanto a igualmente, aí é mais uma questão de semântica. Para mim, o que você descreveu como liberdade, é igualdade. Palavras diferentes, mesmo proposito.

    Não concordo plenamente a respeito dessa questão de protagonismo. Eu acho que PROIBIR pessoas cishetero de falarem desse assunto é o mesmo que proibi-los de falar da causa. Eu vejo esse mesmo problema com quem diz que homens não podem falar de feminismo. Eu entendo plenamente que são as mulheres que devem liderar o feminino e as pessoas lgbt+ que devem liderar seus movimentos, mas, para mim, liderar é diferente de fazer parte, e as pessoas devem falar daquilo de que fazem parte. Não sei, talvez minha noção de protagonismo seja diferente da sua. Dizer que cisheteros não podem usar a palavra Queer, então, para mim beira a censura.

    Mas de qualquer forma, não acho que isso seja uma questão de certo ou errado. Eu entendo e respeito totalmente sua opinião sobre o assunto. Só não concordo totalmente com ela. Felizmente, como homossexual, eu aparentemente ainda tenho permissão para falar pelo menos da minha sexualidade, que onde eu geralmente me foco (especialmente nas questões de representatividade). Então provavelmente devo estar em "território seguro". De toda forma, considerei nossa conversa deveras interessante e adoraria ter a oportunidade de continua-la um dia.

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  3. Tenho uma duvida pessoal muito grande, e espero que você possa ser de alguma ajuda, primeiro vou numerar minhas certezas, e no final cada dúvida.
    1. Sou menina, nunca senti que nasci no corpo errado ou algo do tipo, porém não me identifico com as coisas femininas(?) assim dizendo, não consigo de forma alguma usar uma saia, um vestido, uma blusinha regata mais feminina, coisas do tipo, se uso, normalmente são bem neutros, sem nenhum tipo de estampa e normalmente preto ou cinza, mas realmente nunca vesti um vestido ou uma saia. A maior parte do meu guarda roupa é comprado na seção masculina, menos as calças, me sinto extremamente confortável usando uma camisa de botão masculina, estampada ou não, independente da estampa, jaquetas camisetas, moletons, todos os tipos de vestimenta. (Um exemplo de como me visto, camisa de botão masculina folgada, abotoada até em cima, calça legging ou jeans apertado, e tênis masculino, e meu corte de cabelo é estilo masculino só que afeminado, e sempre uso lingerie feminina, de renda e coisas do tipo, ah e uso óculos de bem grande, me visto mais ou menos igual aquele estereótipo Hollywoodiano de nerd, a diferença é que uso calça legging. Ajo, ando igual uma mulher, tenho uma personalidade neutra, nem masculina e nem feminina (literalmente fico na borda, me visto de "menino" mas uso maquiagem e ligerie igual mulher). A pergunta é, qual a minha identidade de gênero ou a minha identidade sexual?
    Obs: minha aparência atrai tanto homens/meninos quanto mulheres/meninas heterossexuais, e homossexuais também. (sei disso porque eles fazem questão de me falar que eu os faço questionar sua opção sexual)
    2. Me identifico como Pansexual, não enxergo uma pessoa pelo corpo ou gênero, genitalia ou sexualidade, nem mesmo pela idade, pra mim são todos os mesmos. Eu sou pansexual, mas minha dúvida é a seguinte, não sinto atração por nenhuma pessoa até eu conhecer o lado intelectual dela e a forma como ela enxerga o mundo, só depois desse processo que começo a sentir atração, e não é nada romântico e nem sentimental (aliás, nunca me apaixonei, e nunca tive um relacionamento que fosse além do sexo), é puro tesão e só, como se eu fosse ter relação sexual com a intelectualidade da pessoa e não por gostar dela, ou sentir desejo pelo corpo dela ou algo do tipo, (agora que descobri que têm uma nova rotulação de aromático, e outros nomes que esqueci), queria saber, em que rótulo eu me encaixo? Como é chamado o meu comportamento sexual?

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    1. 1. Sua identidade de gênero não se define pelo modo como se veste, meu amor, mas sim por o que pensa ser. Se tu nasceu fêmea e vê a si mesma(o/e) como uma mulher, então és uma (mulher cis ― aquela que se identifica pelo gênero biológico), independente de teu estilo de agir e se vestir. Mesmo que tenhas tal aversão por roupas ~rotuladas~ como femininas.

      2. Eu acredito que poderia se encaixar como DEMISEXUAL E ARROMÂNTICO*. Demisexual é aquela pessoa que só se atrai sexualmente pela outra ao conhecê-la e estabelecer profunda relação, mas não necessariamente tendo uma atração romântica.

      CHAMANDO A ATENÇÃO A ALGO:

      Atração sexual e romântica são coisas completamente diferentes.

      ▶ Atração Sexual: Disposição a ter relações sexuais com determinadas pessoas (homossexuais*, por exemplo, são aqueles que se atraem por pessoas do mesmo gênero).

      ▶ Atração Romântica: A capacidade de sentir o "amor" (eu não acredito nele e por isso as aspas) em si por pessoas (homorromânticos, por exemplo, são aqueles que se apaixonam por pessoas do mesmo gênero).

      Por exemplo, uma pessoa pode ser homossexual mas heterorromântica.

      [**COLA caso não compreendeu**
      Homossexual = (aquele que sente) Atração sexual por pessoas do mesmo gênero
      Heterorromântica = (aquele que) Se apaixona apenas por pessoas do sexo oposto.]

      Arromântico*: Aquele que não sente atração romântica, ou seja, não se apaixona.
      Obs:
      ▶ Arromântico ↑
      ▶ Aromático: Algo ou alguém que exala um aroma ou perfume.

      Homossexuais*: Queria chamar sua atenção para algo super importante. Nunca, NUNCA MESMO, fale "HOMOSSEXUALISMO" ao invés de "HOMOSSEXUALIDADE", o mesmo para outros tipos de atração sexual.
      O sufixo "-ismo" é mais usado para algo passageiro, ou uma doença, e isso acaba sendo ofensivo.

      Como conclusão, posso dizer que és demisexual pois se atrai sexualmente por pessoas após conhecê-las bem somente, mas arromântica (ou não, depende de ti própria a te conhecer melhor) pois não se apaixona/enamora ou coisa assim por pessoas. Mas vai que um dia o fazes...
      Qualquer coisa só perguntar. *pisca*

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    2. Nightmare já falou bastante, mas vou incluir aqui:


      Gênero é esse senso interno de quem você é. Como você se sente confortável sendo chamada? O que te faz bem? As pessoas transgênero, por exemplo, podem ter problemas mentais sérios por serem chamadas pelo pronome errado (ela, ele...). E um lembrete de que não existe só feminino/masculino. Dá uma procurada em genderfluid e não-binário.

      Agora roupa, até certas coisas culturais (mulher tem que ser mais delicada, homem é mais forte...) são chamadas de "expressões" de gênero. São uma criações culturais para representar esses gêneros. E a verdade é que eles são mais impostos, todo mundo é uma mistura de 923823 características que são consideradas femininas e masculinas.

      Basicamente, alguém um dia inventou que Azul representa Homem, e todo mundo que se identifica como Homem, gosta de azul. Só que é uma babaquice porque qualquer um pode gostar de azul e ninguém muda de gênero por isso.

      Só você pode dizer o seu gênero. Nada do que você veste, e nem como as pessoas enxergam em você, determinam isso.

      2- E eu indico esse esse texto sobre demissexualidade:
      http://www.conversacult.com.br/2015/10/sera-que-eu-sou-demissexual.html

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    3. Eu não faço questão de me chamarem de ele/ela, cara, mano etc
      Eu nao me importo por ter nascido num corpo feminino, contanto que eu possa fazer, vestir, agir, da forma que mais me sinto confortavel, então com certeza sou genderfluid, porque depende muito do dia, tem dis que acordo me sentindo uma menina e na maioria das vezes,um menino, o fato de eu não me importar sobre o gênero do corpoem aue nasci, não me faz cis. Todos os testes que psicólogos e psiquiatras fizeram em mim, indicaram que sou um homem, mesmo não me sentindo um alien no meu corpo feminino.
      Obrigada Dana por esclarecer a parte do não-binário.

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    4. Este comentário foi removido pelo autor.

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    5. Depois de muita pesquisa e leitura eu me identifiquei extremamente com Sapio-Pansexual Arrômantico Genderfluid. Sapiosexual - alguém que sente extrema atração por inteligência. Pansexual - pessoas que sentem atração sexual por outras pessoas, sem distinção de gênero. Arrômantico - Alguém que não sente atração romântica. Genderfluid/Não-Binário - Todos que não se categorizam no Binário de gênero (Exclusivamente homem, ou exclusivamente mulher). Meu gênero Não-Binário específico é chamado Neutrois, que basicamente é um equilibrio e neutralidade de todos os gêneros existentes.

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    6. fico feliz que você tenha encontrado todas as informações, é muito bom sem entender e se sentir bem pra ser você mesmo. qualquer coisa pode perguntar <3

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Assexual* ali onde ta escrito assexuado. Assexuado é aquele tipo de animal que se reproduz sem precisar de relações sexuais. Assexual, por outro lado, é a pessoa que não se interessa por sexo..
    Errinho de principiante, ouch. Tudo bem, muita gente confunde ^^
    Ótimo post...

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    1. esse texto aqui tá difícil... hahaha foi tipo a minha primeira tentativa de entender tudo alguns anos atrás, e tem tanta coisa errada aqui. mudei isso e umas outras coisinhas, mas não posso melhorar tudo agora :(

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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