Eu sou filha de um homem negro com uma mulher branca, não
diferente de muitos outros brasileiros. Mas esse fato e a minha criação fizeram
com que eu não soubesse em que lugar estava em relação a minha cor. Eu aceitava
a denominação parda de maneira ingênua e acomodada, porque enquanto na família
do meu pai, onde todos eram negros, eu não era negra o suficiente para ser
vista como igual, na família da minha mãe, composta de brancos, eu sempre fui a
"moreninha", nunca negra demais.
Quantos livros de autores negros você tem em sua estante? Essa não é uma discussão nova, muito já se disse sobre o quanto a literatura no geral (crítica, academia, mercado editorial, leitores etc) constantemente pretere autores negros. Não é de hoje, sempre foi assim, o triste é ver que em pleno 2018 ainda temos um caminho enorme para trilhar. E como podemos melhorar? Fomentando cada vez mais o consumo de literatura produzida por pessoas negras.














