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Precisamos parar de hipocrisia e falar de sexo

3.12.18João Paulo Albuquerque

"Bem-vindos à aula de educação sexual inclusiva"

* Retirado do site Beyond Teaching *

Com esse tanto de senador e deputado (sem contar o próprio futuro presidente) a favor da não educação sexual nas escolas, além da falta de informação que gira ao redor da educação sexual, precisamos parar com essa hipocrisia cheia de falácia e conversar sobre sexo.

Sexo é algo comum no reino animal (seja racional ou não), mas é só no reino humano que existe a pornografia e a capacidade de compartilhar informações sobre isso (sejam elas informações corretas ou falsas). Ou seja, é inevitável, especialmente na sociedade falocêntrica que vivemos, ou seja, sociedade que coloca o pênis em um pedestal e faz o pênis ser visto como "a melhor e mais foda coisa do mundo", não ter contato com o sexo, principalmente na adolescência. Seja fazendo, seja conhecendo o próprio corpo ou vendo pornô, o que significa que a pessoa não terá o menor senso do que é o sexo na realidade (porque pornô é artístico, não realismo).

Todo mundo fala de sexo em algum ponto da vida (na adolescência é onde ocorre o pico de conversas sobre o tema) [ou vê, já que está no cinema, nas séries...], especialmente homens para garotos. 

Pais, tios, avós e amigos orientam um garoto a ir pegar uma menina e dão diversas dicas errôneas de como abordar uma garota ou que ferem uma garota, sem educar o garoto direito de como abordar alguém ou de como de fato funciona um sexo e sobre o "não". Isso tudo acontece enquanto garotas são privadas dessas conversas por justificativas banais como "ela é uma moça, deve se dar o respeito, meninas novas não transam" (ou qualquer outra balela que você possa ouvir de família e gente desconhecida), deixando-as ainda mais sem conhecimento sobre esse assunto que garotos e deixando-a se sentir culpada por sentir desejo ou ter curiosidade sobre o assunto. (Isso porque eu nem to falando que a maioria das famílias não discutem sexo)

E esse fato de culpabilizar as meninas por seus desejos e não explicar como é um sexo de verdade para os meninos após ter ensinado eles a como agredir uma menina (vale lembrar também que falar que "sexo se faz só com camisinha" não é educar seu filho sexualmente), que leva os dois grupos a pesquisar sobre pornô, o que já era inevitável (e ok), mas agora eles usarão o pornô como fonte de ensino de sexo e das diversas maneiras que existem para se fazer sexo.

E por que isso é um problema? Eis os motivos:


  1. Se a menina for hétero, ela entenderá que ela não pode se satisfazer sexualmente e deverá sempre se curvar às vontades do homem, fazer o que ele quer (isso enquanto acha que só existe um meio de sentir prazer/fazer sexo, que é a penetração nela) e achará que sexo é só sem camisinha, o que é mentira. Primeiro porque ela só faz algo se quiser e ela também precisa se sentir saciada (e não existe só um meio para isso), além de existir não só a camisinha masculina, mas a feminina também (e métodos contraceptivos);
  2. Se o menino for hétero, ele achará que a parceira deve fazer o que ele bem entender e que ele é quem deve guiar o ato, além de achar que só existe camisinha pra atrapalhar ele de ter mais prazer e acreditar que sexo se trata só da penetração, e isso tudo é mentira (ou não necessariamente verídico). No sexo, ele, os dois ou só a parceira podem guiar (e existem outras formas de transar além de só penetrar), e deve haver respeito de limites e "não" de ambas as partes;
  3. Se a garota não for hétero (porque os pais deveriam levar isso em consideração), ela não vai aprender porra nenhuma porque os pornôs "lésbicos" são feitos pra homem e são super estereotipados, além de geralmente ficar colocando homem pra participar de algum modo. E caso ela também goste de homem, ela vai entender o mesmo que uma menina hétero;
  4. Se o garoto não for hétero (novamente, porque deveria ser um dever dos pais levar isso em consideração), ele pode até aprender mais sobre os modos diversos de sexo (porque tem mais abertura sobre BDSM e tal), mas por ser muito artístico, ele não vai ter muita noção de como funciona na vida real. E caso ele goste de garotas também, ele saberá o que um garoto hétero sabe.

Ou seja, no fim ninguém aprende nada. Na verdade, todo mundo sai prejudicado e de algum modo, ainda com as ideias tóxicas e desgastantes que aprende desde pequeno em mente.

*Retirada do EduTrics*

O ensino sexual nas escolas não se trata de incentivar seus filhos a irem transar agora. Na idade que estão. Se trata de reconhecer que eles já estão e cada vez mais cedo eles tomam conhecimento do que é sexo através dos pornôs e conversar com eles sobre métodos de proteção, sobre respeito e respeitar limites (aprender a respeitar um "não", seja de mulher, quanto de qualquer outro ser humano), sobre diversidade humana (como eles irão encontrar pessoas que não se atraem só pelo gênero oposto ou que não se identificam com o gênero oposto, sendo de gêneros binários ou não, pessoas intersexo, etc), sobre o que é sexo e porque seria ideal que não fizéssemos em tão tenra idade é o que realmente promoveria uma evolução no nosso país (mesmo, se houvesse menos pessoas grávidas, a economia do país melhoria, assim como os outros requisitos pra um IDH melhor).

Educação sexual não serve só pra esse tipo de conhecimento, mas também para identificar o que não é sexo, o que é abuso, reconhecer pedófilos. Porque o que abusadores mais querem é que as pessoas não tenham conhecimento do que é abuso, do que é violação.

Porque no fim, educação sexual é sobre isso: proteção das crianças e adolescentes que serão, eventualmente, adultos.


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