amor Ana e Vitória

[CCCrítica] Ana e Vitória: um filme sobre amizade, as incertezas da vida e os seus amores

5.8.18João Paulo Albuquerque


Dia 2 de Agosto desse mês, poucos dias atrás, eu fui ver "Ana e Vitória", o filme da (e com) a dupla Anavitória, conhecidas pelas músicas Trevo, Singular e Fica. Dupla essa que eu sou fã graças a repetição da música Trevo pela casa que minha irmã colocava, o que uma hora me fez sentar com ela e ver o clipe, sentindo de maneira genuína a calma e paixão que as meninas de Tocantins passavam e claro que isso não seria diferente no filme.

É uma produção audiovisual cheia de simbolismos, uso de cor muito claro pra passar ao telespectador cada significado diferente (explicarei isso abaixo), cantorias bem encaixadas, mensagens sobre a adolescência e conversas sem sentido e engraçadas de adolescentes focando no tema amor, mas tratando sobre outras coisas da nossa juventude, homofobia e fama, como deixa claro o trailer:


No filme, Ana e Vitória se relacionam, cada uma, com três pessoas (sendo garotos e garotas, sem a carga dramática que tanto enche o meu saco se perdem mão no desenvolvimento -- o que ocorre em maior parte dos filmes LGBTQ --, deixando leve e normalizado. O PONTO MAIS ALTO PRA MINHA FELICIDADE ACRESCENTADA NA LISTINHA DE #20gayteen DESSE ANO!!!) em um período de três anos, mostrando nesses anos do momento que se reencontram no Rio de Janeiro, passando a noite conversando numa festa que estava desanimada, até o momento que terminaram de gravar o primeiro álbum e iam entrar de férias. Mas não é maçante, como filmes que mostram a ascenção de um grupo musical costumam ser, o diretor (também roteirista) Matheus Souza soube muito bem como coordenar as situações e quais situações seriam melhores para focar.

Felizmente é um filme musical. Não é absurdo de tantas músicas como muitos outros filmes por aí, mas com os simbolismos, tratando de relacionamentos e de evolução pessoal, junto da comédia farofa adolescente, ele ter essa parte musical é de extrema importância para conecção entre as personagens e o desenrolar da história.

Algo que eu percebi, é que além das cenas "comuns", quando começava uma parte musical, as cores eram mais intensas, e como eu comecei a fazer um curso de cinema, eu ficava reparando nas cores e como elas eram usadas para transmitir algo para o telespectador, como: logo no início, uma cor roxa foca na Vitória quando ela chega na festa, representando algo mágico (que é como elas vêem a relação delas).

Por sinal, as músicas podem todas ser ouvidas no Spotify, já que no dia 3 elas lançaram o álbum novo:


O que eu mais amei foi de ver que esse filme retrata muito a nossa geração. Essa geração doida que aos poucos aprende que existe uma possibilidade infinita para se viver, lutar pelos outros é tão importante quanto lutar por nós mesmos e que tentar não custa nada.

Eu me senti muito elas (representado) em todos os momentos, seja perceber que pela primeira vez gostar de alguém do mesmo gênero, seja me ver confuso sobre meu futuro ou conversas sem sentido como "será que as formigas que comi morrem na barriga?". Eu vi o filme sentindo os olhos brilhando enquanto derramava lágrimas, saindo da sala contente da representação verdadeira de pessoas dessa geração, não adolescentes cheios de si com plena certeza de tudo sem experimentar coisas novas. Infelizmente não foi da mesma maneira que meu avô se sentiu, mas okay.

Mas acho que isso traz um ponto importante: se alguém é mais de idade e ainda não desconstruiu algumas ideias, não vai conseguir aproveitar o filme por completo, porque apesar de não haver discussões sobre homofobia ou feminismo, a representação é por meio de quem as personagens (interpretadas pelas próprias cantoras que são ótimas atrizes do meu ponto de vista) são. Elas são mulheres fortes, com dúvidas, descobrindo coisas novas sobre si mesmas, seguindo a vida, tendo de lidar com uma fama inesperada e suas relações confusas, ao mesmo que suas "auto-persepções".

Diferente da crítica do Omelete, que você pode conferir aqui, não creio que o filme "termina sem mostrar um arco narrativo ou um desenvolvimento real das protagonistas", já que mostra o desenvolvimento da percepção de cada uma sobre amor (e até mesmo sobre si mesmas) e história delas. Mostrando que o amor não é simples como parece e muito menos romântico (e falso) como nos mostram desde a infância.

Sendo honesto: me senti muito profundo falando "amor não é simples e muito menos romântico (e falso) como nos mostram desde a infância" todo especialista DKSODKSODK

O que leva ao ponto máximo do final, em que deixam algo para o telespectador perceber entre elas (num paralelo com uma conversa entre Ana e Vitória no início): amor é muito mais amplo do que conhecemos, e existem diferentes formas dele, como a amizade (talvez a mais importante).

O tempo inteiro eu me vi com meus amigos ali, porque é isso: eu talvez tenha amado outras pessoas, mas o amor de amizade é tão poderoso e tão reparador, de uma maneira diferente do que "sonhamos querer". Amigos são nossas famílias que construímos, que um dia podem partir, que um dia podem estar em outro lugar, mas foram eles que estiveram ali quando você precisou e foi a via de mão dupla que você pode recorrer em qualquer ocasião, respeitando seus limites. Já fico todo emocionado falando disso, se é louco...

Mas é isso aí, é gostoso de ver, é divertido, mas real. É a história das cantoras que representam tanta gente, mostrando que elas são como a gente, sem certezas de tudo, conhecendo um mundo novo e cheio de possibilidades sempre que possível e mostrando que dramas também fazem parte da vida (por mais que a gente fuja deles ODKSODKSODK). É um filme sem tabus, sobre a adolescência na forma mais real representada até o momento, que vale muito o galinheiro todo ver.

Alguns sites deram críticas sobre como o filme parece "não ter um arco narrativo" ou "não ser muito conectado", eu digo que minha experiência com o filme foi incrível (mesmo com todos os problemas que tiveram com as luzes da sala de cinema que eu estava), eu não senti meu barato ser cortado, eu estava todo pleno. O que me fez perder o buzz após o filme foram as críticas que li (e ouvi do meu avô) negativas e (sendo honesto) sem emoção que fizeram à ele, mas ainda sim não abalou meu amor. Então não perde tempo e corre para ver ;)

Nota:

"Amei" nem começa a descrever o que eu sinto

Ficha técnica:

Ano: 2018

Direção (e roteiro): Matheus Souza

Duração: 115 minutos (1 hora e 55 minutos)

Classificação: 14

Gênero(s): Comédia, Romance e Musical

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