CCSéries Dana Martins

Good Girls, série divertida do Netflix

13.7.18Dana Martins


Eu vi o anúncio sobre Good Girls, uma série nova do Netflix, e a premissa foi dessas que me chamou atenção de cara: três mulheres que parecem as donas de casa recatadas nas horas vagas, na verdade, cometem crimes. 

Pra completar, depois de 8 Mulheres e Um Segredo eu já tava querendo ver mais histórias descontraídas com mulheres bandidas, e uma das protagonistas de Good Girls ainda é a Mae Whitman, que eu adoro. Ou seja, era algo que eu ia ver como é. E eu vi.

O resultado é que eu assisti quase a série toda em um dia só. É a melhor série do mundo? Não pra mim, mas era exatamente o que eu precisava. 

A série em si foi um pouco diferente do que eu esperava. Não é exatamente sobre mulheres que cometem crimes, mas sobre a jornada delas até essa vida. Outra coisa que eu não esperava é que acompanha bastante os dramas de mãe de família das protagonistas. Às vezes parece quase que a série é um enorme desabafo: e se a tua mãe falasse FODA-SE CANSEEEEEEI um dia e decidisse começar a roubar pra sustentar a família? Essa é a série. 

Good Girls: Os Crime que Tua Mãe Comete Nas Horas Vagas

ou

Sua Mãe Empoderada, Cansada de Homem, tomando as rédeas da própria vida, e cometendo crimes. 

É uma série bem leve com um ritmo que às vezes deixa desejar, mas legal mesmo assim. Dá pra odiar alguns personagens. Torcer pra elas vencerem. E ver mães usando a própria experiência para o crime.

As protagonistas também são legais por si só. Você tem a Ruby (interpretada pela atriz Retta que é maravilhosa a cada segundo) que tem uma filha com câncer e, trabalhadora de lanchonete com um marido que é guarda de shopping, não tem o dinheiro pra pagar o tratamento que literalmente vai manter a garota viva. E aí gente vê um pouco também dela lidando com médico barato (nos EUA não tem rede pública, mas se tu tem pouco dinheiro é uma merda mesmo assim), os desafios dela como atendente de lanchonete.

Você tem a Annie, uma mãe solteira que trabalha como caixa de mercado pra cuidar da filha. E a irmã dela, a Beth, que é a típica mãe dona de casa que largou a vida pra cuidar dos filhos.

Acho que, talvez, o mais legal é que parecem mulheres reais, que eu encontro no meu dia a dia. Parece as minhas tias. A pessoa te atendendo no mercado. E se essas mulheres falassem "foda-se, cansei de ser uma boa garota?" 

Ao mesmo tempo, não chega a ser nenhuma discussão profunda. Tem as cutucadas legais sobre feminismo, racismo, homofobia e injustiça social, mas no geral... é tipo, eles tem a personagem Beth, que é colocada num nível de protagonismo em relação às outras duas. Ela é uma mulher branca, acostumada a dinheiro e ter a vidinha perfeita como dona de casa, aí isso tudo vai por água abaixo e ela decide cometer os crimes e, mais do que isso, ela começa a gostar. Beleza. E aí quando ela pega o dinheiro, vai até a mulher com quem o marido a traiu e dá dinheiro pra ela meter o pé, "porque nós duas merecemos mais do que um babaca mentiroso." Legal, porque a série não vilanizou a "outra mulher", mas ao mesmo tempo toda a cena é montada como "vou dar um fora na vadia que pegou o meu marido hahaha" com muito slutshaming. 

Tem muita pegada de feminismo branco revoltado, aquele que quer empoderar a mulher mas é bem superficial. Ou pessoa bem privilegiada que ouviu falar que se você é bonzinho o Papai Noel traz presente, mas chegou no final do ano e o Papai Noel não trouxe, então ela se sente no direito de foder com o mundo. 

Seja como for, Good Girls nunca falha em colocar as três mulheres protagonistas no centro da história, e é muito divertido ver as três se metendo em problema com crime, com mafia, com polícia, com colega de trabalho filho da puta e ir em frente, juntas, fazendo mais merda. 

Só sei que queria que tivesse mais episódios pra assistir. Felizmente a segunda temporada já foi confirmada. 

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