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Vingadores: Guerra Infinita - Thanos, ecoterrorismo e o perigo da superpopulação

7.5.18Elilyan Andrade


*Esse texto possui spoilers de Vingadores: Guerra Infinita. Afaste-se, humano. Você foi avisado. 


Em 10 anos que acompanhamos o universo criado pela MCU e ao longo desse tempo podemos contar nos dedos de uma só mão os vilões com motivações minimamente interessante. Na grande maioria das vezes só quer dominar o mundo ou colocar as mãos em uma fortuna roubada. Outras vezes é um plano de vingança em andamento, ou um império do mal para defender. Já vimos a maioria dessas motivações antes nos filmes. Diferentemente dos quadrinhos, onde Thanos se apaixona pela Morte e coleciona as Pedras do Infinito para destruir universos e impressioná-la, no filme Vingadores: Guerra Infinita (Avengers: Infinity War) a motivação do vilão Thanos é inusitada, para dizer o mínimo. 

Seu objetivo, o vilão explica enquanto dá petelecos nos heróis como se eles fossem insetos insignificantes, é restaurar o "equilíbrio" eliminando 50% da população do universo, preservando assim a sustentabilidade de um cosmos cujos recursos finitos são tributados. A única maneira de salvar a vida é com o sacrifício de alguns. Como Joe Russo, que co-dirigiu Infinity War com seu irmão Anthony, explicado em uma entrevista à Telegraph India:


"Ele é de um planeta chamado Titan . Muitos anos antes do filme, seu planeta estava passando por uma mudança cataclísmica. Eles estavam ficando sem recursos e estavam superpovoados. Thanos fez uma recomendação de que eles exterminassem metade da população aleatoriamente para salvar o resto da população. É claro que os Titãs rejeitaram sua ideia, rotularam-no de louco, exilaram-no e o planeta acabou morrendo. Então ele tomou para si a responsabilidade de ir planeta por planeta pelo universo e acabar com metade da população de cada planeta como uma forma de corrigir o planeta e trazê-lo de volta ao equilíbrio."


Então, basicamente, Thanos é um ecoterrorista inter-galáctico.

Atualmente o número de pessoas na Terra é de pouco mais de 7 bilhões de pessoas, a estimativa da Nações Unidas é de que até o final do século seremos 11 bilhões. Muitos cientistas já defendem que com 7 bilhões já estamos em uma situação insustentável, agora imagine com 11 bilhões! Vivemos num mundo com recursos e espaço limitados e não dá mais para ignorar essa verdade. Não dá mais para fechar os olhos e ignorar que a grande vilã do futuro da humanidade é real.


Louvável ver que a Marvel não ignora questões polêmicas ao colocar o gigante roxo no centro da narrativa de Vingadores: Guerra Infinita e em consequência dar destaque a questão da superpopulação, a verdadeira vilã do futuro da humanidade. Até Vingadores 4 temos bastante tempo para teorizar o que acontecerá com os heróis e também para refletir e encontrar soluções para a perspectiva do nosso fim, porque sejamos coerentes: o genocídio de 50% da população não é a melhor solução para diminuir a pressão sobre os recursos do planeta e controlar o problema da superpopulação.

A solução de Thanos, o genocídio, é simplória e temporária. A questão da superpopulação é tão complexa que soluções vistas como óbvias se mostraram equivocadas (milhões de esterilizações forçadas no México, Bolívia, Peru, Indonésia, Bangladesh e Índia e a política do filho único na China). Apesar de muitos defenderem que superpopulação é um mito e que não existe nada a temer, o seguro morreu de velho e é melhor prevenir que remediar, então nada apoiar programas de energias sustentáveis, erradicação da fome, pobreza, analfabetismo, doenças, mortalidade infantil, produção de alimentos, planejamento familiar pode ser uma forma para garantir que o futuro da humanidade seja aquele 1 dos 14 mil visto pelo Dr. Estranho.

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