clube de escrita Dana Martins

Clube de Escrita: Às vezes o melhor pra escrita não é escrever

25.2.18Dana Martins


Um novo domingo chegou! E dessa vez eu estou feliz!!! Feliz do tipo acordei às 6 da manhã pra jogar videogame. Mas vamos falar de histórias e dramas pra escrever, porque esse é o objetivo do Clube.

Aprendizado da semana:

Às vezes a melhor coisa que você faz pra escrita é não escrever.

Na verdade, isso é algo que eu já sabia, mas acho que a gente às vezes precisa aprender e reaprender algo pra fazer sentido. Ou talvez a gente precise redescobrir antigas soluções. Seja o que for, essa semana fiz uma pausa pra assistir Pantera Negra (QUE FILME!!!) e sair com os amigos, e esse momento de esfriar a cabeça sem me preocupar com a escrita foi crucial pra conseguir terminar a história.

Não vou dizer que foi 100% fácil, eu ainda precisei me forçar a focar na história e enfiar a cabeça através do bloqueio inicial, mas eu não estava mais tão sufocada.

Duas coisas foram cruciais pra eu conseguir chegar a esse ponto essa semana:

Aquele esqueminha do "só meia hora!! pelo menos meia hora!!" Minha maior frustração quanto a esse final da história é que eu tava cansada, eu não tava conseguindo pensar claramente, e na edição pensar claramente é crucial. É a hora de ter uma visão clara sobre o que eu tô falando, reorganizar o texto, encaixar parágrafos. Não dá pra fazer de qualquer jeito. Editar é a única hora que o cérebro precisa estar afiado e olhar passar um pente fino. 

Então eu sentei lá pra escrever, igual um cadáver sendo jogado numa vala pra seguir seu destino, querendo fazer tudo pelas beiradas. "Vou só fazer uma revisãozinha até o final," eu pensei. Fiz a revisãozinha, e o relógio pra mim:



Não tinha nem passado 10 minutos. Eu tinha 20 minutos ainda pra fazer algo da história e o única coisa que faltava fazer era começar uma revisão mais profunda. Fazer o quê, né? Vambora. E eu fui embora. Acabou sendo mais fácil do que eu imaginava, e eu fui ajustando as exatas coisas que eu tava com problema antes. A história destrinchou, as peças encaixam no lugar e, click, o cubo mágico estava completo. 

Lição: naquele momento que eu não tava com vontade nem cabeça pra escrever, eu acabei encontrando meu caminho até estar. Tem uma citação de escrita que é algo como "Você não se inspira pra escrever, você escreve pra se inspirar," e apesar de ser difícil acreditar nisso quando você estar se sentindo um cadáver, eu preciso dizer: é real. A cada vez que você persiste e encontra a inspiração você fica mais confiante e escrever se torna mais fácil.

Se você pensar, é até contraditório com o que eu disse no início, "às vezes o melhor pra sua escrita não é escrever." E acho que a moral da história é que não existe regra. Você tem que se conhecer e se desafiar. Pisar no acelerador ou no freio são duas ações igualmente importantes na hora de digirir, você só precisa aprender a hora de usar cada uma. Na escrita, eu (eu, Dana) aprendo causando acidentes. Eu acelero, aí vejo que acelerei demais, aí freio. Eu não uso a solução antes da merda acontecer, a solução aparece quando a merda aconteceu.

Enfim, além de esse tempo limite (30 minutos, que não é muito abusivo pra se forçar a fazer algo) ter me ajudado a continuar e tentando, e eventualmente encontrar uma solução, outra coisa que me ajudou foi o meu papel de referência.

Semana passada eu disse que fiz uma folha listando em tópico os acontecimentos principais, e depois listando cada "cena" da história (veja bem, é um conto, então eram uns 10 tópicos), e também os 5 movimentos da história. Isso foi crucial pra conseguir entender a história e consertar a parte confusa. 

Primeiro, quando eu voltei a escrever depois da minha mini-folga pra esfriar a cabeça. Depois pra pensar mesmo no encadameamento dos fatos. "Aconteceu isso, depois isso, depois isso... onde é que tá travando?" Não sei explicar direito essa parte, e mostrar o papelzinho não adianta tanto porque é um monte de rabisco baseado na história que não deve fazer muito sentido. 

Agora, um detalhe que dá pra comentar é que consertar um momento nunca é só sobre consertar AQUELE momento. Aqui na minha listinha, a cena 5 e a 11 estão sublinhadas e conectadas, porque um mistério que surge na primeira é respondido ali. Consertar o final acaba sempre sendo consertar o início também, porque os dois são partes da mesma questão. 

Se no início a minha pergunta é: o que aconteceu com a mãe do Percy Jackson?

No final você precisa me dizer o que aconteceu com ela. 

Falando assim parece simples, mas na real nem é tanto, porque isso é muito mais sobre credibilidade emocional, ou tema, ou sei lá. Tenho que pensar melhor sobre o assunto.

Pra fechar, uns pensamentos aleatórios:

1. Desde semana passada eu tava pensando em uma forma de descrever o processo de editar a história. A sensação é de colocar as peças no lugar. Pegar uma caixa com um bando de peça de lego bagunçada e encaixando e reencaixando até formar um objeto sólido e unificado. Mas acho que o cubo mágico - aquele cubo jeito de quadradinhos coloridos que você fica rodando até deixar cada lado com uma cor - é a metáfora mais adequada. Mesmo depois de escrever quando a história poderia até ser lida e entendida, eu ainda sinto como a bagunça de pegar um cubo desses desfeito. Caos. Cores pra todo lado. E aí tem que ir girando e reencaixando até um momento que é como se a história destrancasse. Tudo faz sentido agora, tudo tá no lugar. (pelo menos tão no lugar quanto a gente consegue colocar HUAHUAH)

2. No Clube de Escrita que eu fiz sobre o processo do Greg Pak, ele fala que começa descobrindo sobre o que a história é, aí depois de escrever, ele descobre sobre o que a história é outra vez. E aí depois de tudo finalizado e enviado pra os editores pra receber feedback e consertar, ele fala isso:


Terminando essa história eu me senti assim. O processo de edição foi sobre fazer a narração ter sentido, entender a motivação dos personagens e garantir que a história esteja contando isso. E aí eu cheguei no fim! Terminei tudo! A história se encaixou! Tive meu dia de folga e voltei pra revisão final, e me surpreendi reescrevendo vários pedaços. Não foi nada demais, só esses "ajustes sutis," e ainda assim quando terminei tive a impressão de que só então eu entendi sobre o que a história realmente era. 

Parece que escrever é um eterno processo de tentar enteder que porra eu tô fazendo.

3. A história ficou perfeita? Não sei. Mas eu fiz o melhor que pude agora, com as habilidades que eu tenho, e chegou a hora de ir em frente. 

Status: terceira história terminada esse ano!! Aeeee!!! 20 dias de atraso na minha programação. Eu inocente achando que ia conseguir terminar a Rebels AU só em fevereiro e o mês já tá acabando e eu nem abri o arquivo. Algumas histórias são tão fáceis de escrever, outras tão difíceis. O aprendizado é que não dá pra saber, só se certificar de sentar o rabo cada dia e fazer o melhor que puder. As preparações pra Rebels AU já começaram, mas semana que vem falamos sobre que isso. Agora vou jogar Dragon Age e comemorar.  


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