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Quem me dera poder escolher...

23.10.17João Paulo Albuquerque


Quem me dera poder escolher não ter medo de alguma coisa na rua simplesmente porque posso apanhar por amor, quem me dera poder berrar aos quatro ventos que eu sou o que eu sou sem o medo de alguma coisa ruim acontecer, quem me dera...

Há um tempo atrás eu peguei meu fone e pluguei no celular para escutar música enquanto mexia no computador (porque meu fone parou de funcionar no computador, pois é, nem eu sei...) e no Youtube eis que surge um cover feito pelo Travis Atreo e Colton Haynes (nem sabia que Colton cantava, só to mais in love). E de bônus a música era meio romântica/dramática e isso me fez lembrar de tudo que o Colton passou por ser gay (se você ainda não sabia disso, sabe agora ~e como você não sabia?!), tendo que namorar garotas simplesmente para não perder empregos e credibilidade.

E nisso eu fiquei pensando e pensando em tudo que me pode acontecer (e acontece com outros) simplesmente por amar. Aqui vai umas ideias.


Há uns tempos atrás, talvez eu escolhesse (se fosse um opção) não ser quem eu sou, mas hoje me aceito bem o suficiente para me amar do modo como sou. Porém, ser gay (ou qualquer outra sexualidade que não seja hétero) é nascer com bombinhas (sim, to usando o exemplo daquelas bombinhas de brincadeiras que ficam estalando em aniversários) amarradas aos pés e algumas com o decorrer da idade se tornam bombas dependendo do local/família em que estamos. ~isso analisando na sociedade atual, se tudo der certo, daqui a alguns anos será melhor...

Não andar de mãos dadas, não ser afeminado, não poder beijar em público, não poder ser quem você é são as regras que ditam para nós desde que nascemos. Só pode fazer isso se for com o gênero oposto, caso contrário você é doente, uma aberração.

Conforme você cresce, essas bombinhas vão crescendo com você, porque você começa a tomar consciência de quem você é e o que isso significa. E por mais que você lute contra isso, não dá pra lutar contra quem você é. Eles nos chamam de doentes, mas é engraçado, porque se homossexualidade (bi, poli...) é doença, então heterossexualidade também é. Mas de onde surgiu essa mentalidade de que amar é doença? Onde demonstrar amor é nojento? Ser quem você é não é um crime (por mais que alguns países insistam em dizer o contrário), doença, nojento. Você não é uma aberração.

Se você crê em Deus, saiba que ele te fez da maneira que você é, assim como seus familiares héteros. Se você não crê em Deus, saiba que que você nasceu sendo quem é.

E tirem emprego, lancem lâmpadas, acertem nossos olhos e berrem nos chamando de doentes e aberrações. Nada vai mudar, seja eu optando por esconder ou não, nada vai mudar do modo como e me sinto e como você se sente. Pra mim você é perfeito (a,e).

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