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Aprendendo a viver com a ansiedade

29.9.17Isabelle Fernandes


Hoje é a última sexta do mês, Setembro Amarelo terminando e decidi vir compartilhar a minha experiência pra fechar com chave de ouro - ou nem tanto assim né HAHAHAHA. Já comentei em alguns posts que eu não só já passei pela experiência de pessoas próximas tentarem/pensarem em suicídio como também eu mesma já vivi na pele. Naquela época eu "só" tinha pensado mesmo, nunca tinha tomado nenhuma atitude a respeito disso...até seis meses atrás.

Mas isso foi a consequência extrema, digamos assim, de um processo que já vinha acontecendo há algum tempo.

Final de 2015, tava terminando a faculdade e louca escrevendo a minha monografia. Eu normalmente já sou o tipo de pessoa que entra em parafuso quando tem que fazer algum trabalho difícil, então imagine como fiquei né HAHAHA. Mas até aí normal, infelizmente todo mundo SURTA quando chega a época do TCC. Só que no meu caso a coisa foi além e depois de muitos meses de resistência e enrolação, acabei indo fazer terapia e descobri o que na verdade eu já imaginava (ser psicóloga tem suas vantagens/desvantagens): transtorno de ansiedade generalizado (TAG).

O TAG não é muito falado por aí e quando tentam descrever, é um negócio que me parece tão simples e genérico que não faz jus à desgraceira que é. Ele costuma ser caracterizado basicamente por preocupação excessiva, persistente e sem controle que vem acompanhada de vários sintomas físicos como coração acelerado, dores de cabeça, insônia e outros mais. Já no último curso que eu fiz, a minha professora deu uma descrição que eu sinceramente achei muito melhor: uma pessoa que tem TAG geralmente é aquele Amigo Precavido, que sempre tem um plano B, C e até D pra absolutamente TUDO, além de conseguir construir trocentas mil possibilidades a partir de uma única linha de pensamento, surtando absolutamente com todas elas. E geralmente a pessoa tem o transtorno há muito tempo, mas como essa coisa de "PENSAR EM TUDO" muitas vezes é útil, ela acha que é só o jeito dela ou que é até algo positivo.

"Tudo o que eu faço é me preocupar. O tempo todo.
Eu passo cada minuto de cada dia me preocupando"
Em outro post eu posso falar mais sobre o TAG, mas o foco nesse aqui é outro. A questão é que segui fazendo terapia e tals, mas a minha ansiedade tava tipo nível catastrófico. Minha psicóloga trabalhava comigo durante a terapia, dava certo até meia hora depois, porque aí qualquer coisinha e plau, ansiedade atacava. Em março eu já vinha tendo muitas crises, vivia no limite e com a sensação de que eu tava enlouquecendo de verdade. Comecei a achar que eu nunca mais ia conseguir me sentir "normal" de novo, que eu não tinha jeito. Daí teve um fim de semana em crise especialmente ruim onde eu tomei muito rápido a decisão de morrer. Depois, quando eu já tava mais calma, eu fiquei até assustada lembrando porque eu NUNCA tinha me sentido tão decidida assim, nunca tinha movido uma palha pra tentar fazer isso, mesmo quando eu tive depressão e pensava em morrer o dia todo. Não vou dizer o que eu ia fazer até pra não dar ideias, mas no fim das contas eu só não tentei me matar de fato porque descobri que o método que ia usar não ter o resultado que eu queria, o que me deixou com raiva.

Nessa hora eu não pensei na minha avó, que tava na sala assistindo tv de boas enquanto eu tava nesse furacão dentro do meu quarto. Não pensei em nenhum dos meus amigos, nem nos meus gatos. Eu só queria ficar livre de mim mesma. Essa é a grande merda dos transtornos psicológicos: é algo não visível aos olhos ou exames (em geral), então parece que o transtorno é você.

Eu no auge das crises
Me parecia muito longe, mas naquela mesma semana voltei na terapia, contei mais ou menos o que aconteceu (não tive coragem pra dizer as palavras exatas) e ela: então né, acho melhor entrar com uma intervenção farmacológica. Eu e a Taiany já falamos aqui no CC muitas vezes que pode ter casos em que só a terapia não vai resolver e os remédios são necessários pra pessoa voltar a um estado de equilíbrio o suficiente pra que a terapia funcione. Mas olha, eu custei a ir atrás disso. Irônico, né. Eu, psicóloga, que sempre bato na tecla do REMÉDIOS MUITAS VEZES SÃO NECESSÁRIOS OLHA O PRECONCEITO, fiquei resistente por questões de dinheiro mesmo. Mas o tempo foi passando e apesar de não ter sentindo mais o ímpeto de me matar, tive crises de ansiedade cada vez piores e aí eu percebi que eu ia ter que dar um jeito, coisa que por sinal foi bem rápida. No fim das contas, acho que a minha resistência não era tãaaao financeira assim.

Enfim, acabei indo num psiquiatra que a minha psicóloga indicou, que foi ÓTIMOOOO e finalmente comecei o tratamento. Isso já tem quase dois meses e já sinto uma diferença enorme. Até agora só tive uma mini-crise que foi leve e rápida em comparação com as outras, na maior parte dos dias eu fico totalmente suave. Claro que isso não é só o remédio, ele só ajuda a baixar os níveis de ansiedade no meu organismo, mas junto com a terapia e o taekwondo (que antes do tratamento era a única coisa que me dava o mínimo de perspectiva), pela primeira vez em muito tempo eu sinto que tá tudo bem. Eu ainda tô no meio do caminho do tratamento, mas pelo menos agora eu consigo ver que dá pra viver mesmo tendo ansiedade e que posso fazer com que ela não me controle.

Eu antes/depois do tratamento
Com isso tudo, eu quero dizer que: só é o fim quando você morre. Enquanto você estiver vivo, ainda dá pra rolar muita, mas muita coisa. Eu nunca ia imaginar que ia começar um esporte que amo, que ia passar momentos ótimos, que enfim ia encontrar algum caminho pra minha carreira. Se eu tivesse ido em frente, nada disso teria acontecido. Morrer pode até realmente acabar com tudo, mas:

1 - não importa a crença que tenha, não tem como a gente ter certeza do que tem lá do "outro lado", isso se ele existe
2 - Todas as possibilidades morrem junto. Tudo o que você é, foi e seria. É definitivo demais pra algo que na maioria das vezes tem solução ou tratamento.

Então, aguente firme. 

E procure ajuda. Não faça que nem eu que precisei sofrer horrores pra correr atrás disso.

"A felicidade pode ser encontrada mesmo nas horas mais sombrias,
quando você se lembra de acender a luz"
Já usei antes, mas SEMPRE VÁLIDA


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3 comentários

  1. Poxa, convivo com a ansiedade há bastante tempo e tenho sintomas parecidos com o seu. Como é algo que vai e volta sem avisar, estou convivendo com ela há alguns dias e logo em minha semana de provas da faculdade. As consequências disso: euforia, "procrastinação", respiração pesada, etc.
    Ter lido seu texto acabou de realmente me alertar de que tenho que voltar no psiquiatra para regular meus medicamentos e voltar para terapia. Espero que tenha ajudado outras pessoas também!

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    Respostas
    1. Tô feliz pelo meu post ter te ajudado de alguma forma e espero que ajude outras pessoas também <3

      "As consequências disso: euforia, "procrastinação", respiração pesada, etc"

      É EXATAMENTE ISSO O QUE EU SENTIAAAAAA

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  2. Minha amiga me mandou esse post porque tô passando por uns momentos estranhos. Faço terapia há mais de um ano e ainda sofro muito sobre algumas coisas. Talvez seja hora de visitar um psiquiatra.

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