belo horizonte Carol Cardozo

Notas Brasileiras #25 - Young Lights

22.2.17Carol Cardozo


Sim, eu sei,  já falei oitocentas vezes aqui no blog sobre a playlist que eu descobri e que fui apresentadas a bandas brasileiras muito muito boas (e que se você não seguiu ainda: qual o seu problema??), e sim, essa banda conheci essa playlist, e sim, essa banda é de Belo Horizonte, mas...

.. gente, pára tudo e vem ouvir essa banda. De verdade. Parafraseando um amigo meu, ela me fez cócegas na alma.

Young Lights é uma banda de Belo Horizonte (do movimento Geração Perdida de Minas Gerais, que tem como outros integrantes Jonathan Tadeu, Fábio de Carvalho, Paola Rodrigues, Fernando Motta, Lupe de Lupe, entre outros),  e tem como integrantes Jairo "Jay" Horsth (vocal), Vitor "Boss" Ávila (guitarra), João Paulo Pesce (baixo) e Gentil Nascimento (bateria).

Jay veio pro Brasil no final de 2010 (ele foi criado em Massachusets, nos EUA), e aqui começou a escrever músicas, com grande influência do folk, que ele trouxe durante toda a sua vida. Junto com Boss, João e Gentil, a banda acaba vindo com um som indie/folk, com destaque pras suas performances ao vivo, cheias de energia.

A banda tem um EP lançado em 2013, "An Early Winter", e um cd em 2014, "Cities". Na turnê desse álbum, eles passaram por várias cidades do Brasil, com um dos principais shows sendo em Recife, no festival "No Ar Coquetel Molotov", em 2016.

Atualmente eles estão trabalhando no novo disco (eu particularmente estou ansiosíssima!) e lançaram um single dessa semana, "Understand, Man", que já dá um gostinho do que a gente pode esperar nesse próximo trabalho, que será lançado pelo selo QUENTE, de Belo Horizonte, em outubro de 2017. Marquem no calendário!

O Jay e o Gentil responderam as nossas perguntas, vem conferir:


1 - Como vocês definiriam sua música para alguém que nunca ouviu?

É difícil definir o Young Lights porque costumamos tocar as músicas bem diferentes ao vivo. Mas sem dúvida se for definir seria folk alternativo. Nossas influências vêm desde de clássicos americanos como Bob Dylan até sons mais recentes como Bon Iver, Andy Shauf ou Radiohead. Atualmente as coisas caminham para uma vertente mais moderna mas sem duvidas estamos mantendo viva a raiz do folk que eu aprendi nos Estados Unidos até os 21 anos (quando me mudei novamente para o Brasil).


2 - Dentre as suas músicas, qual sua favorita? 

Nossa, acho que seria The Hand That Feeds. Está música é muito importante pra mim pois fala sobre minha mãe. Além disso nós gostamos muito de tocá-la ao vivo devido a energia que todos colocamos na música quando estamos no palco. Understand, Man (música single que soltamos esta semana) também nos agrada demais, uma vez que representa o primeiro trabalho 100% em equipe na banda!





3 - Como a banda se juntou?


Quando cheguei dos EUA trouxe comigo muitas músicas. Durante alguns anos tentei sozinho amadurecê-las, o que culminou no primeiro EP "An Early Winter" e no primeiro full "Cities". Logo, percebi que precisava de mais gente comigo e iniciei uma busca (e que busca rs) por pessoas que quisessem dividir tudo comigo. No início foi bem difícil e houveram várias passagens pela banda. Para se ter uma ideia ninguém que tocou no primeiro show com banda completa, está atualmente na formação.

Com o tempo e através do convívio com as pessoas em BH e Sabará (cidade que moro atualmente) conheci  o Boss (Vítor Avila), o João Pesce e o Til (Gentil Nascimento). O Boss era um amigo/conhecido que amava Young Lights e que um dia me disse que sabia tocar tocas as musicas. Eu já estava cansado de procurar gente olhando só técnica e estas bobagens  que a gente pensa na ansiedade de te uma banda. Fiz um convite e ele aceitou. Ele ama o Young Lights e hoje vejo que não há nada melhor do que ter alguém assim conosco. O João era guitarrista também e eu o conheci saindo em algum lugar que não me lembro agora. Ele me disse que queria tocar baixo em uma banda e eu fiz o convite, acertei também. O Til era baterista de hardcore e veio por indicação de um músico aqui de BH. Eu mostrei Youngs Lights pra ele as 7:00 da manhã através do Facebook (eu tava virado e ele saindo pro trabalho). No mesmo dia a noite já estávamos bêbados fazendo planos pra banda.

Vale a pena dizer que neste caminho algumas pessoas especiais passaram pela banda, mas foi só com eles que conseguimos engrenar em uma sequência de shows e agora composição! Todos eles amaram o Young Lights logo de cara. Foi ótimo. Amo eles.




4 - Como foi o processo de definir a sua identidade sonora?

No início o Young Lights era só eu. O som era repleto das minhas influências mesmo. Então não havia muito o fazer com o material gravado né... rs. A solução foi colocar o estilo de cada um nas apresentações ao vivo. O Boss trouxe os solos porque gosta muito de rock. O Til por ter crescido tocando punk colocou uma pegada bem firme nas musicas. Já o Joao deu uma criatividade a mais nas linhas de baixo (que antes praticamente seguiam as guitarras). Hoje, isso está acontecendo nas gravações e podemos dizer que atingimos agora uma "identidade sonora". O som está mais democrático sabe. Continuamos folk só que com um repertório de influências muito mais rico. Não vamos deixar de ser uma banda folk, mas hoje não da pra acreditar que somos só isso. Se você escutar alguma música do "An Early Winter" e o novo single "Understand, Man" vai entender tudo que eu acabei de falar! :)



5 - Uma lembrança querida da carreira?

São várias! Mas tem uma muito especial, mesmo: nós temos o hábito de participar da produção de alguns eventos por aqui (BH) e certa vez, organizamos um festival em um estacionamento (Parking Shake). Era algo completamente louco, sem alvará e com divulgação mediana. Foi um absurdo organizar tudo. Montamos palco, iluminação, bar e chamamos uns foodtrucks. Gastamos quase dois dias carregando e montando tudo sob a previsão de chuva. Neste festival tocava (além do Young Lights) Séculos Apaixonados (RJ), JP Cardoso, Teach Me Tiger e Captain Karma.

Estávamos exaustos quando chegou a nossa hora de tocar (última banda), quase dormindo mesmo. Para piorar começou a chover no início do show e ficamos muito desanimados. Eis que as pessoas resolveram invadir o palco pular no meio de tudo. Foi uma loucura. Ficou tudo molhado e alguns pedais foram "pro saco" hehe. Mas sem dúvida foi um dos shows mais divertidos de nossas vidas.

Não posso deixar de falar do No Ar Coquetel Molotov (Recife) que tocamos em 2016. A gente só conseguia beber cerveja e ficar maravilhado com tudo a nossa volta. Os show foi ótimo também por sinal haha.


6 - Qual vocês acham que é a maior dificuldade do cenário musical brasileiro atualmente?

Hoje em dia tem muita banda por aí. A impressão que passa é que todo mundo tenta meio que fazer as mesmas coisas. Por mais que eu seja contra as polêmicas, acho que as bandas precisam ser menos conformistas e fazer algo em que acreditam de verdade. Você precisa atingir as pessoas que se identificam com você, e, estas pessoas são as que você se identifica também, entende? Não há como ficar somente indo na onda do que está rolando por aí.

Acho que se você acredita no seu som as coisas ficam mais simples, uma vez que pelo menos as suas expectativas estarão alinhadas a realidade em que você vive.


7 - Uma banda nacional que vocês acham que todos deveriam ouvir?

Difícil demais falar assim. Tem muita banda boa atualmente. Óbvio que vou fazer um jabá para Belo Horizonte né? Rs.

Acho que todo mundo deveria ouvir o Lupe de Lupe, Jonathan Tadeu e Fernando Motta (que é ex Young Lights), El Toro Fuerte e Fabio de Carvalho. Estes caras representam muito bem o que eu disse aí em cima sob não ser conformista e acreditar no próprio som.




***

Caso vocês estejam se perguntando "Ok, mas cadê o single que tanto falam?", aqui está ele, jovem padawan! Você pode ouvir "Understand, Man" já nas principais plataformas de streaming e no Youtube também, com esse clipe lindo demais produzido pelo Coletivo Imaginário



Acompanhe mais sobre os próximos lançamentos da  Young Lights no Facebook, Twitter, Youtube, Instagram e Bandcamp (tem rede social pra todos os gostos, você não tem desculpa, dá pra acompanhar por vários lugares).

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