Caroline Heldman CCSociedade

Ser um objeto sexual é empoderador. Oh, espere: não, não é.

3.12.16Elilyan Andrade



Quando tinha mais ou menos uns 14 anos, me deparei com uma matéria na Playboy chamada “O Sexo na Publicidade”. A revista promoveu uma reflexão crítica sobre como os publicitários estavam utilizando imagens hiper-sexualizadas para a venda de produtos. Toda vez que leio ou vejo algo relacionado a ideia que sexo vende, logo penso na matéria da Playboy que me ajudou a escolher Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda como meu primeiro curso na faculdade. Não é à toa que, quando topei com a TED Talk da Caroline Heldman, doutora em Ciências Políticas e uma das maiores vozes contra a objetificação feminina na mídia nos EUA, meu cérebro deu um grito de empolgação! 


A Dra. Caroline Heldman tem um olhar singular sobre a objetificação feminina. De maneira direta, ela ilustra como a cultura pop vende as mulheres, a mentira que o seu valor reside no quão sexies elas parecem ser para os outros. Ficamos acostumadas aos efeitos prejudiciais da objetificação sexual internalizada, que tende a nos fazer agir como objetos de desejo para os outros. É aquele famoso “hoje quero me sentir sexy”, “vou malhar para ficar gostosa”, “uau, como esse sutiã deixa meus peitos incríveis”. Nada contra você se sentir bem com o seu corpo, mas muitas vezes, quando dizemos esse tipo de frase, nos colocamos na posição de objetos, pois a nossa sexualidade é para os outros, ou seja, subordinada à alguém. 

"Temos essa ideia de que sexo vende, mas se sexo vendesse, então por que não vemos homens seminus em todo lugar na publicidade?"

O mais legal do vídeo não é só o fato da Dra. Caroline rasgar o véu da auto-objetificação sexual das mulheres, mas também o teste simples com sete perguntas para determinar se uma imagem traz uma pessoa objetificada ou não. Esse teste era tudo o que tinha pedido a Deus e ao Papai Noel, pois não sei se você sabe, mas vivo num constante conflito por não saber se estou objetificando os homens. Afinal, o que não quero para mim, não quero para os outros. Uma imagem está objetificando se "sim" é a resposta para qualquer uma das seguintes questões:

  1. A imagem mostra apenas partes sexualizadas do corpo de alguém?
  2. A imagem apresenta uma pessoa sexualizada como um objeto inanimado?
  3. A imagem mostra pessoas sexualizadas como intercambiáveis? Ou seja, como um item que se pode trocar por outro?
  4. A imagem afirma a ideia de violação da integridade corporal de uma pessoa sexualizada, sem que a pessoa possa consentir?
  5. A imagem sugere que a disponibilidade sexual dessa pessoa é a principal característica que a define?
  6. A imagem mostra uma pessoa sexualizada como algo que pode ser comprado e vendido?
  7. A imagem trata o corpo sexualizado de alguém como uma tela?

Provavelmente a parte mais impactante do vídeo é quando Heldman propõem o que podemos fazer individualmente e coletivamente para demolir os paradigmas que nos impede de tornar o mundo um lugar bem melhor de se viver. Super recomendo que você assista ao vídeo. 

"As meninas e os caras precisam parar de avaliar as garotas pelo que elas parecem, e antes avaliá-las pelo que fazem ou dizem."

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1 comentários

  1. Muito bom o vídeo! Me deixou bem pensativa. Já tinha ouvido falar sobre objetificação, claro, mas ela falou muita coisa que eu ainda não conhecia nem tinha parado pra pensar, como a questão que "sexo vende". E o mais legal é que dá sugestões no final da palestra.

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