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Headless Women of Hollywood expõe o sexismo da indústria cinematográfica

2.7.16Elilyan Andrade


Já estou cansada de saber que a indústria cinematográfica é sexista. Felizmente, isso é algo que está mudando lentamente, mas não em todas as áreas, e vira e mexe vem algo como a polêmica do outdoor de X-Men: Apocalipse para me deixar ainda mais desanimada com os passos de lesma que Hollywood teima em dar. Para alimentar o meu desânimo, eis que conheci o tumblr Headless Women of Hollywood, que expõe a objetificação das mulheres em cartazes de filmes.


Criado pela comediante de stand-up Marcia Belsky, Headless Women of Hollywood busca chamar a atenção para uma estratégia de marketing que é perturbadora: a fragmentação, fetichização e desumanização das mulheres em cartazes. Em cada um dos pôsteres apresentados no tumblr, os corpos das mulheres - muitas vezes os seus bumbuns, seios, lábios ou pernas - são o principal ponto focal. No entanto, suas cabeças estão longe de serem vistas. Mesmo em filmes voltados para o público infantil, a prática é utilizada.

Justificando a existência do projeto, Belsky diz que: 

"Decapitando a mulher, ela se torna um objeto, sem dúvida passiva ao olhar masculino. A questão do consentimento dela é removido completamente ao lado de sua cabeça, e seu propósito torna-se apenas a de ser olhado por homens obedientemente. Seu valor é apenas de seu apelo sexual para os homens, e não de sua personalidade. 

A fragmentação consistente dos corpos das mulheres, com especial foco nos seios, bunda e lábios, separa as partes do corpo feminino sexualizadas de sua totalidade. Assim, como partes fragmentadas, o espectador não tem de conciliar moralmente a mulher que está sendo objetivado com a sua humanidade completa. 

A cabeça é em primeiro lugar a parte pensante do corpo humano, onde as nossas motivações e sentimentos estão localizados. Então, com essas imagens somos bombardeados em uma base diária que nos diz persistentemente que os pensamentos, os sentimentos das mulheres e escolhas pessoais não existem ou não são de interesse. 

Além disso, as características faciais são a nossa forma de reconhecer outras pessoas. É a cara que nos faz indivíduos. Isso também é tirado, e somos ensinados que todas as mulheres, especialmente as que correspondem ao ideal, são as mesmas e intercambiáveis ​​... 

A presença esmagadora dessas mulheres sem cabeça nas imagens que vemos tanto perpetuar é sintomática da ideia geral de que as mulheres existem principalmente para o prazer sexual e finalidade dos homens. O ponto é (obviamente) que não são em todos os cartazes que vemos objetivação e fragmentos de corpos femininos. 

O ponto é que muitos deles fazem isso, e que cortar corpos femininos em partes consumíveis e sexualizadas é uma prática de marketing aceita, e um padrão em toda a indústria - as pessoas tendem a nem mesmo notar."

Belsky está encorajando os leitores a enviar mais exemplos de mulheres sem cabeça. De filmes clássicos como The Graduate (A Primeira Noite de um Homem) e Death Becomes Her (A Morte lhe Cai Bem), até os mais recentes como Minions e Kingsman, o tumblr está repleto de exemplos. Claro que os homens podem aparecer sem cabeça também, mas como Belsky explica: "Quando os homens estão sem cabeça, não é irracional, não é comum, e geralmente não é sexual. Seu apelo ao sexo oposto não é o foco. Eles estão envolvidos, único e [a] parte clara da piada". Lembra, por exemplo, do cartaz do Deadpool? Apesar dele ser decapitado o cartaz mesmo sem a cabeça colabora na criação da personalidade do Deadpool, pois ele não é passivo, mas sim a parte sexual ativa.    



E se você acha que a prática de desfragmentar as mulheres é utilizada apenas pela indústria cinematográfica saiba, que infelizmente, não. Nos condicionamos a aceitar na TV, em capa de CD’s, capas de livros e publicidade.

Em 2012, na França, o órgão regulador de publicidade disse que os cartazes do filme Les Infideles
degrada as mulheres, e por isso mandou removê-los  
Ainda não se convenceu que imagens de mulheres sem cabeça são um problema? Então reflita nas sábias palavras de Nanette Braun, Chefe de Comunicação da UNIFEM: A mídia cria uma visão de mundo que se entranha profundamente na percepção das pessoas de como as coisas são. A maneira como as mulheres são retratadas perpetua atitudes discriminatórias e sexistas, e a noção de que meninas e mulheres ‘não contam’.

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