apocalipse Apocalypse

Tô enganado ou eu me empolguei muito assistindo X-Men: Apocalipse?

4.6.16João Pedro Gomes


Para a surpresa da nação (ou, provavelmente, só a minha mesmo), X-Men: Apocalipse foi o filme de super-herói que mais me empolgou até este momento do ano. 

NÃO, isso não quer dizer que ele foi o melhor. MAS TAMBÉM NÃO É IRONIA. 

*o texto tem alguns spoilers, mas todos ocultos :)


Engraçado que X-Men não tava parecendo muita coisa perto de BvS e Guerra Civil. A franquia é meio capenga, nunca pegou a essência dos quadrinhos direito (principalmente em termos visuais), e a crítica caiu em cima do filme como se não houvesse amanhã. Tudo parecendo comprovar os maus agouros que os mutantes trazem consigo no cinema, incluindo a sessão lotada em que eu tive que beber saliva em vez de refri, tão grande era a fila pra comprar algo. 

Mas o filme começou e eu, da minha poltroninha ruim e sem nada pra comer, esqueci de todos os problemas.

Pessoas... X-Men: Apocalipse é, apesar de tudo, um filme bem decente. 

Vamos começar pelo alívio que eu mal percebi que tive durante a sessão de não ver heróis brigando entre si. Num mundo de tantos versus aqui e acolá, eu quase tinha esquecido como é bom ver figuras que inspiram, que mostram a nobreza que o trabalho em equipe em prol da humanidade deveria ter. 

"ah, mas a gente já viu isso nos Vingadores!". Sim, nós vimos. Mas, se parar pra pensar, os super-heróis da Marvel são heróis num sentido bastante tradicional. Veja o Capitão América, que mesmo sem poderes sempre esteve do lado nobre e patriota lutando contra os vilões nazistas. Ou o Tony Stark, que é playboy, filantropo, bilionário, etc etc, um homem que usa sua inluência e poder financeiro pra fazer o bem. Tem até um deus com um martelo da dignidade!!! Seria difícil de questioná-los.

Mas os mutantes não tem esse privilégio de estar do lado nobre da coisa como os Vingadores estavam no primeiro filme. Eles são odiados e temidos, feitos de atração de circo, e mesmo que a sociedade passe a tolerar sua presença no mundo, eles estão longe de receber algum respeito. 

E isso poderia ser só minha admiração pelo conceito por trás dos X-Men como um todo, mas em Apocalipse isso é mostrado muito bem. Você logo se vê investido em qualquer personagem que apareça em tela, porque a divisão entre mocinhos e bandidos não passa do quão ferrada tá sua vida como mutante.

É só olhar pros quatro cavaleiros do Apocalipse: um cara que perdeu a família, um lutador por obrigação, uma guarda-costas de um cara que só faz negócio sujo e uma jovem que rouba pra sobreviver.


O caso da Tempestade, esse último da lista, é o que eu mais gosto. No começo do filme, você descobre que a Mística é para ela um exemplo de resistência mutante graças aos seus atos no fim de Dias de Um Futuro Esquecido. Tem poster na parede e tudo!!! Isso não é só uma das formas de mostrar como fazer um filme por década traz possibilidades interessantes, uma fórmula única dessa franquia que eu sempre vou defender: também mostra como os mutantes tem sua própria história enquanto grupo social, construída por meio de momentos de sangue, vitória e, acima de tudo, esperança. Podia ser sobre qualquer causa pela qual a gente luta hoje em dia.

É por isso que, quando a batalha final acontece e a Tempestade vê o seu exemplo de vida comandando um time oposto ao seu e percebe que tem algo errado... É apenas especial.

Aliás, foi nos pequenos momento que esse filme me pegou. As cenas com a Moira arqueologizando no início e seus posteriores momentos com o Xavier foram surpreendes. Não sabia o quanto eu gostava dela até esse filme, e quase saí chorando do filme depois que ela recobrou a memória sobre os acontecimentos do Primeira Classe. O mesmo pra alguns diálogos com a Jean, que foi sensível e poderosa e ELA ENTRANDO NA BATALHA PSÍQUICA COM O XAVIER e salvando aquela cena desnecessária com o Wolverine!!!!! Aliás, eu tô MUITO ansioso pra ver o relacionamento dela com o Scott daqui em diante, porque a química. Ela existe ali.


E, olha, acho que esse filme teve o clímax mais legal de todos os que citei lá em cima. As coisas realmente foram construindo pra um final empolgante em vez de mostrar o que tinha de melhor antes da hora. Também não teve CGI escuro com cara de video game: se as batalhas aqui mergulharam sem medo na plasticidade de efeitos especiais, foi de forma limpa e honesta, sem tentar se esconder no escuro. Mesmo não sendo a cena de ação mais original do mundo (lembrando uma dúzia de animes quando todos "soltam o poder" juntos pra derrotar o vilão), ela manteve seu ritmo por bons minutos, e terminou com o apelo emocional, mudança de lados e sensação de vitória que são quase raros hoje em dia.

X-Men: Apocalipse me entregou o filme mais parecido com o que eu sempre esperei dos mutantes. Meus personagens estavam lá, os momentos icônicos que eu sempre esperei estavam lá, e até os uniformes coloridos tiveram sua vez.

Tudo muito feliz, né? Só que foi nessa tentativa deveras ambiciosa de colocar sal, tempero e tudo que há de bom no filme que ele encontrou seu maior erro.

Ser fã de quadrinhos aqui se tornou uma via de mão dupla. Se tudo o que eu sempre quis apareceu, a construção de cada um desses elementos e personagens icônicos foi longe do ideal. É como se eles tivessem tentado jogar xadrez com mais de duas fileiras de peças de cada lado do tabuleiro. Quanto mais você coloca, menos espaço há para se movimentar. Mais peçam importantes serão usadas como peões, e mais movimentos bruscos, passando por cima de peças do seu mesmo time, serão precisos pra que o jogo encontre sua conclusão. 

Só pra exemplificar, eu tava vendo uma entrevista no IGN com a Lana Condor, atriz que faz a Jubileu, e..... sério, não tem coisa mais triste do que ver ela descrevendo como estava empolgada pra ver os efeitos especiais dos seus poderes, ou como fez as poses pro seu poster individual (que não existiu). Até choque a garota levou com as luzes de LED que usariam na pós-produção, mas ficou quietinha de tão empolgada que tava.

Chega na versão final do filme, se apareceu em três cenas foi muito.

pelo menos teve uns momentinhos na mansão ):

É uma frustração que alguém que não conhece a personagem não deve ter passado, mas que fica palpável com vários personagens, incluindo ela, Psylocke e Anjo, se você sabe previamente quem eles são. 

O mesmo pra cena icônica que todo mundo esperava: Jean liberando a Fênix. Foi legal e tudo, mas... precisava? Tão rápido assim, e só pra fazer fan service barato? :\

Vou mentir se falar que me incomodei com isso no meio do filme. Desculpa, tava muito ocupado vendo uma cena à la X-Men: Evolution no cinema, meu sonho de criança. Mas são coisinhas que deixam um gosto ruim na boca depois de pensar um pouco mais sobre. 

No fim do dia, X-Men: Apocalipse é um ótimo blockbuster, visualmente agradável e o mais parecido até agora com um filme ideal dos mutantes. Mas nesse mundo em que super-heróis competem cada vez mais entre si dentro e fora das telas, talvez seja bom aprender um pouco com o que os outros estão fazendo de certo e dar um passo adiante. Já são seis filmes nas costas e, a esse ponto da era de ouro dos supers nas telonas, fan service sozinho não garante lugar na indústria hollywoodiana. Nem no coração de quem a sustenta. 

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2 comentários

  1. Muito boa a crítica, apesar de ser fã dos X-men não gasto grana para vê-los no cinema. Prefiro esperar o dia em que a Fox aprenda ou a Marvel os pegue de volta.

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  2. O filme foi delicioso e concordo com você em quase tudo, menos sobre aquela cena que você julgou desnecessária. Ela não só resgatou a essência de um personagem, como abre o caminho para o próximo filme.

    E pelo estilo fofinho que a Disney imprimiu aos heróis Marvel, espero que os direitos de X-men não voltem pra eles tão cedo.

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