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Séries Originais Netflix: Fevereiro de 2016

19.3.16Diego Matioli


Fevereiro foi um mês de altos e baixos para o Netflix. Uma série que funcionou muito bem e outra que... No mínimo, podemos dizer que nem tanto. Foi mais um mês só de lançamentos, o que mostra como a empresa está investida em produzir conteúdo novo para manter sua soberania no mercado de streaming, agora que outras empresas e canais estão criando concorrência, e como sempre eles estão fazendo isso dando muita liberdade para os criadores e apostando em projetos diferentes. Já as tão aguardadas novas temporadas das séries mais famosas aparentemente vão começar a rolar agora a partir de Março, então muitas expectativas para o próximo mês. Não que não houvessem expectativas para esse, já que teve o retorno de um clássico dos anos 90 que é só amor. Mas enfim, mais detalhes a diante:


Love


Ver essa série foi algo complicado. Ela não é ruim, mas também não é boa. A ideia de narrar uma história romântica contemporânea e franca tem potencial – um potencial já trabalhado a exaustão, verdade seja dita, mas ainda assim dava para fazer algo legal. Aqui vemos Gus e Mickey e como eles se relacionam com essa coisa louca chamada amor. Vemos seus relacionamentos prévios, como ficaram por causa deles e como acabam se conhecendo e se envolvendo. Era para ser uma história de amor digna de comédia romântica da sessão da tarde como outra qualquer, não é mesmo? Mas algo descarrilhou nesse seriado aí que olha, é difícil de relevar.

A grande questão é que Love acaba reproduzindo algumas narrativas bem prejudiciais sobre relacionamentos. O protagonista, Gus, acaba sendo o nerd babaca e machista que objetifica mulheres e acha que elas devem algo para ele. Ele é simplesmente nojento e quanto mais eu assistia, menos eu queria olhar para a cara dele. Enquanto isso, Mickey é uma pessoa extremamente instável, com sérios problemas comportamentais e que vive fugindo deles. O arco dela, embora não seja super original, é bem bonito de se assistir. Eu sinto que ela é quem rouba a série ao termino da temporada – que termina totalmente sem fim, até porque a série já tava renovada antes de ser começar a ser produzida.

Mas nem é ai que está o problema, sabe? Dois personagens defeituosos seriam algo legal de se ver sendo desenvolvido em uma série, mas embora a gente veja a Mickey confrontando o Gus a respeito de alguns dos seus defeitos, a série claramente é parcial em retratar a garota como a face problemática do casal. A série reforça todos os piores esteriótipos nerds possíveis, o Gus só fica com garotas dentro de um padrão de beleza altíssimo e é retratado sempre como o injustiçado e incompreendido por elas. No final tudo acaba sendo uma romantização de uma relação de entrelinhas meio abusivas.

Eu não tô feliz com Love, sério. Eu estou disposto a ver a segunda temporada só porque eu quero saber o que acontece com a Mickey, mas se a série não se esforçar um pouquinho pra mostrar que mulher nenhuma deve nada ao Gus, eu vou abandonar.


Fuller House


Muita gente cresceu com a série Três é Demais. O conto icônico do marido viúvo que precisa criar três filhas e acaba recendo a ajuda do cunhado e do amigo para realizar a tarefa. Aquela série de humor clássica que tratou de iniciar a carreira das gêmeas Olsen. É, você provavelmente viu pelo menos um episódio dessa série alguma vez na vida se você já estava por aqui entre os anos oitenta e noventa. E talvez já tenha visto algum trechinho ou referencia mesmo se for mais novo, mas se não conhecer nada disso, tá tudo bem também, você é mais que bem vindo para acompanhar o Spin Off.

Fuller House é a continuação da série (que em inglês se chama Full House) e eu tô muito feliz com ela, gente. Salvo algumas falhas de roteiro típicas de sitcom (do tipo a Stephanie estar totalmente falida ou ser uma DJ famosíssima conforme o interesse do roteiro), ela é sensacional. Tem o mesmo humor leve e caloroso da série clássica, o que é algo que me enche de nostalgia. Mais do que isso: ela mantem essa vibe sem deixar de se atualizar, trabalhando vários temas mais atuais. A série original ficou conhecida por seus muitos, muitos, MUITOS abraços carinhosos entre toda a família, mas agora, no século 21, eles tiram selfie de todos os bons momentos também. É muito legal sem deixar de ser meio careta (mas aquele careta gostoso, sabe?).

E o estilo narrativo é honrado até na premissa. Vemos a filha mais velha, Donna Jo Tanner, tendo de cuidar dos três filhos e recendo a ajuda da irmã e da melhor amiga para isso. Até mesmo o filho caçula, que é um bebe, é feito por dois irmãos gêmeos exatamente como foi com as Olsen! É muito lindo tudo isso, gente, sério! O cenário é absolutamente idêntico ao do seriado clássico e a equipe de produção é majoritariamente a mesma, o respeito deles foi impressionante. E os roteiristas sabem tocar a gente quando precisa, fazendo belas referencias ao passado da série, mas também como provocar. Há várias quebras da quarta parede sutis, brincadeiras com os fãs e até cutucões nas Olsen, que negaram o convite de participar da série (alias, essas provocações são a MELHOR COISA EVER).

Eu acho que eu tô super histérico e não tô conseguindo expressar a maravilhosidade que essa série é. Eu sou suspeito para falar, mas tudo bem, o que vale é a intenção, me deem um abraço todos vocês e vamos assistir Fuller House juntos <3



Isso conclui nosso mês. Como sempre, eu espero que vocês tenham encontrado algo (Fuller House) que vocês achem que valha a pena (Fuller House) de assistir (Fuller House). Daqui umas semanas eu venho falar do que foi lançado em Março, então até lá!

(Fuller House)

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1 comentários

  1. Quero ver ambas. Verei Love assim que tiver um espaço no meio das muitas séries que já estou assistindo, mas Fuller House terá que esperar até eu conseguir rever toda a série original, na ordem certinha, já que só vi episódios aleatórios na TV. Estou amando muito a Netflix com todas essas produções originais e, principalmente, por trazer de volta minhas amadas Garotas Gilmore, que eu não vejo a hora de reencontrar.

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