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Pelo direito de dizer foda-se

1.9.15Taiany Araújo


Às vezes tudo o que você quer é mandar o mundo explodir. Dizer que não quer ouvir, que não está interessado nos problemas dos outros, você já tem as coisas da própria vida pra pensar. Tem vezes que a vontade é falar para o outro ficar quietinho porque você não está nem aí para as queixas dele, que se ele quiser te oferecer um chocolate tudo bem, mas se for pra se lamentar, bem que ele podia deixar para outro dia. Mas isso não pode. Isso é feio.


Você pode até dar um sorrisinho amarelo para a pessoa, mas se a mandar calar a boca, você é visto como um antipático, grosso, mal educado. E isso só piora quando você está estudando/é um psicólogo. Se você diz que é uma pessoa impaciente, todo mundo vem com a história que não pode. É um tal de "você tem que ouvir o outro, ser simpático, ser isso, ser aquilo."


Eu ouvindo que não posso isso ou aquilo.

Só que não é bem assim. Eu fiz psicologia, mas isso não muda o fato de eu ser uma pessoa como qualquer outra, tenho o direito de não querer dar atenção pra alguém. Quando eu estou no trabalho, com algum paciente, é claro que estarei completamente inserida naquilo, não ficarei xingando nem nada. Minha postura será outra. Agora, se eu estiver num bar tomando umas biritas com os amigos, não preciso ser a conselheira, a boa ouvinte. Não preciso ter paciência quando estou no cinema e várias crianças começam a gritar enquanto eu quero ver um filme. Eu posso desejar que o mundo se exploda e isso não vai me fazer uma profissional pior.

Às vezes as pessoas confundem as coisas e acham que a sua profissão é quem você é, mas não é bem assim. Psicólogos também ficam tristes, também ficam cansados de tudo, também podem querer xingar ou qualquer outra coisa. Temos direito de falar "foda-se, não estou nem aí pra você" sem que isso nos torne monstros.

Quando você chega a um lugar cheio de psicólogos, percebe que ali existem pessoas com personalidades variadas. Pessoas calmas e agitadas, pessoas falantes e caladas. Pessoas.

Não esperem que psicólogos sejam sempre sorridentes e bons ouvintes, pelo menos, no que se refere a mim isso não é uma verdade. Eu adoro ajudar as pessoas, não ligo para ouvir, sou no geral alguém com quem se pode contar, no entanto, têm horas que eu sinto vontade de falar "EU NÃO ME IMPORTO", e ainda vou continuar sendo legal.

Até parece que esse post foi uma espécie de desabafo, mas não, foi muito mais o desejo de falar que todos, sem exceção, temos nossos momentos em que pensar em nós mesmos é mais importante, que é melhor sermos os primeiros nas nossas listas de prioridades do que nos anularmos pelos outros. E convenhamos, um foda-se bem falado lava a alma.



Não sei vocês, mas o bonzinho o tempo todo me cansa, me soa falso. Prefiro aqueles que viram os olhos e pensam "merda, que chato" uma vez ou outra. Esses me fazem acreditar que não somos robôs. Esses me fazem acreditar que sentem



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2 comentários

  1. Concordo plenamente com vc, Taiany. Ninguém é obrigado a coisa alguma, muito menos a estar disponível pras pessoas sempre. Me identifiquei bastante pq tbm acho que sou boa ouvinte e alguém com quem que se pode contar, mas, cara, tem dias que vc simplesmente não tá a fim. E isso não faz de vc uma vaca. Como vc disse, só faz de vc uma pessoa. Tbm não gosto de gente boazinha que tá sempre disposta. Gosto de gente que diz não, que não pode e que simplesmente não quer. Nesses eu consigo confiar.

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    1. Exatamente Adriana, fico feliz por não estar sozinha no mundo.

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