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Esse nhé nhé nhé de corpo de verão

20.8.15Taiany Araújo


Antes de começar a ler o post, jogue a palavras "corpo de verão" no google e veja o que aparece. É como se te dissessem: querida é isso aqui, você tem que mudar alguma nesse corpo,vai ser o que? Na verdade você deve mudar o seu corpo, não importa que você já seja magra, não é o suficiente.

Se tem uma coisa que todo mundo que mora no Rio de janeiro gosta, tirando algumas exceções, é praia. Ali parece o quintal dos cariocas e fluminenses, porque faça chuva ou faça sol, vai ter alguém aproveitando esse passeio gratuito que é andar no calçadão, torrar na areia ou dar um mergulho no mar. Particularmente eu não entendo a fascinação de um bando de gente seminua ir para um lugar abarrotado de outras pessoas seminuas, sendo bombardeada pela areia que as crianças deixam cair em cima de você, e encontrando essa mesma areia no seu corpo dias depois. E mesmo assim, é bom ir para a praia de vez em quando. Deve ser alguma falha nos genes das pessoas que vivem no litoral, vai saber. E tudo seria apenas flores se o problema da praia fosse só esses ou uma morte por insolação. Só que não é, e hoje vamos falar sobre isso.


Eu não sei se foi a mídia que começou a vender a ideia de que as pessoas precisam ter um corpo de verão ou se foram as pessoas que mostraram para mídia que esse podia ser um bom marketing, a questão é que vemos as academias cheias,  pessoas fazendo dietas malucas e alto estimas lá no chão por causa de uma noção distorcida do que seria o corpo de verão. Em tudo quanto é lugar só se vê coisas como "Perca TODOS OS quilos em 2 dias", "A dieta milagrosa de Fulana de Tal", "O chá que seca tudo", "Corra! Emagreça porque o verão está chegando". Não importa como, emagreça já.

Isso não é legal de ouvir, mesmo numa brincadeira

Quando eu tive a ideia de fazer esse post, ia manter a linha dos textos sobre mulheres gordas e a desconstrução da ideia de que elas não podem fazer determinadas coisas, mas eu percebi que o discurso sobre qual corpo deve desfilar nas praias afeta todo mundo. Vira e mexe aparece alguma famosa linda e com o corpo magro ou médio, na falta de uma palavra melhor, e por causa de uma barriga insignificante são massacradas pelos sites de fofoca. Chega o verão e homens e mulheres são submetidos às propagandas e às cobranças, sejam externas ou internas, a cerca do corpo perfeito. E isso não é legal.

O mais louco é que nós vemos de tudo na praia - pessoas gordas, magras, brancas, pardas, negras, altas e baixas, com muita bunda ou pouca - aquele parece ser o lugar mais diversificado do mundo, mas ao invés de ressaltarmos isso, ficamos martelando ( muitas vezes sem perceber) o discurso de buscar um corpo que atenda ao padrão de perfeição vigente. 

Somos todos diferentes uns dos outros, e todos somos pessoas que merecem respeito .
Eu não acredito no corpo perfeito, claro que tenho minhas preferências no que diz respeito aquilo que me atrai no corpo de alguém, e aquilo que acho mais bonito no meu, no entanto, isso não pode ser transformado por mim numa regra onde as pessoas devem atender as minhas preferências.  Somos física e psiquicamente diferentes. Na verdade, somos diferentes em quase tudo, então porque ao ir para a praia nos divertir, teríamos que apresentar um mesmo corpo?

Sabe qual é o corpo do verão?  É esse aí, o corpo que você tem. E sabe como você deveria ir para a praia? Como você quiser. 

Tantas pessoas tem vergonha de ir à praia, tantas pessoas se privam de colocar uma roupa de banho, tantas pessoas passam a acreditar que não gostam de praia porque é difícil ouvir que você tem algo muito errado,  que não devia estar ali.

Talvez eu tenha me perdido, talvez eu tenha me embolado naquilo que queria falar, mas por anos eu disse não gostar de praia, por anos me despir quando chegava à praia era difícil, por anos o verão era a pior estação do ano para mim, até eu perceber outras pessoas passando pelas mesmas coisas ou piores. Vi pessoas ficando de bermuda e blusa na praia não porque queriam, mas porque tinham vergonha demais para ficar seminuas como todas as outras, vi homens que ficavam com marcas de sol ridículas (minha opinião) porque tinham vergonha de tirar a camisa na praia, vi tanta coisa que eu comecei a pensar: "What the fuck? Esse era para ser um lugar mega democrático, tá todo mundo de roupa de banho, que é quase a mesma coisa que roupa de baixo, tá todo mundo exposto, então vamos ser felizes".

Eu pensando sobre isso.

Mas como eu disse ali em cima, nem sempre foi assim comigo. Eu tinha aquele discurso (que claro, pode ser verdadeiro em muitos casos, mas não era no meu) de odiar praia e quase não ia, eu era a última a tirar minha roupa e ficar de biquíni (às vezes isso ainda é difícil),  mas quando eu comecei a perceber que meu corpo faz parte de quem eu sou, que ele conta a minha história, isso foi mudando. Aí, num belo dia, fui para a praia com uma prima que também é gorda, e ela chegou à praia toda poderosa, tirou o vestido, revelando assim seu minúsculo biquíni, deitou na areia e curtiu o sol dela lindamente. Nesse momento eu tive um insight e percebi que apesar de não ser rata de praia, eu gostava de ir, mas tinha muita vergonha do meu corpo para isso.

E já que desviamos um pouco do assunto (já volto a ele), aconteceu outro fato com essa mesma prima e praia que contribuiu para eu ligar o botão do foda-se e ir curtir o mar mesmo sem ter o dito “corpo de verão":

Abrindo um parênteses gigante.  Lá vem história.

Estávamos na praia, eu, essa prima e o noivo dela (um homem grandão que fez Jiu-Jitsu e karatê, isso vai ser importante mais pra frente) e encontramos lá uns parentes dela, incluindo uma prima dela e seu namorado.  Eis que o noivo fortão tava na água conversando com o namorado da prima da minha prima (vocês estão acompanhando?) sobre como as meninas da família eram assim e assado, super parecidas, quando o namorado solta a seguinte frase “ainda bem que o jeito é parecido, mas o corpo não". O noivo nem precisou falar nada, deu um olhar tão mortífero que eu e minha prima só ficamos sabendo da história porque o namorado idiota estava visivelmente assustado (percebeu que falou merda para alguém muito maior que ele).
Eu queria colocar essa gif mesmo que ela não fizesse sentido, mas percebi que faz. Quando alguém que só quer te "ajudar" começa a defecar a opinião dele, escute nossa amiga aqui. 

Vocês podem falar "mas Taiany era só a opinião dele", sim, era. No entanto, ele não precisava ter sido grosseiro e nem desmerecer minha prima por ela ter um corpo que ELE não achava atraente. E como isso foi importante para mim sobre a questão da praia? É que me fez perceber que todos nós achamos muita coisa, mas que nossos achismos não devem ditar regra de nada e que às vezes é melhor calar para não sair soltando estrume pela boca.

Fechando o parênteses gigante.

Então, voltando ao corpo de verão, quando alguém ou alguma propaganda disser que você não têm ou precisa ter um corpo de verão, saiba que isso é achismos puro, e que na verdade,  você já tem esse corpo,  porque vamos pensar: Você tem um corpo, está no verão,  logo...

Só aproveitar o sol, a água, a areia, a água de coco...



...as crianças, a multidão, os vendedores ambulantes, a volta pra casa, essas coisas todas...



















e ser feliz.







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6 comentários

  1. Nossa como eu amo seu blog <3 maravilhoso www.lennamaria.com

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    1. Acredito que o que torna esse blog legal, é o fato de um bando de gente falar o que pensa, podemos discordar ou concordar, o importante é que isso nos permite falar e pensar. Além dos surtos loucos de descobrir que outras pessoas gosta da mesma coisa que você.
      Obrigada pelo seu comentário *-*

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muito bom esse texto <3

    Me lembrou de uma vez que eu fui na praia com um amigo meu e, assim que chegamos, eu fui tirando a camisa, bermuda, etc, e ele nem a camisa tirou. Eu fiquei pensando "Ok, beleza, acabamos de chegar e tal". Quando a gente foi pra água, ele continuava com a camisa, aí sim eu fiquei "Ué?". Perguntei o motivo. Daí ele disse que estava com vergonha, porque tinha ficado 2 meses sem malhar e tal. Eu sei que ri MUITO por dentro (mas por fora eu respeitei a decisão), porque, gente, DOIS MESES. Pra vcs entenderem, eu sou naturalmente um graveto, ele já é bem mais forte, daquele tipo que só gente que malha consegue ser. E ELE ESTAVA COM VERGONHA. 2 meses sem pisar numa academia e a pessoa já não se acha digna de pisar na praia. Olha. Daí eu falei com ele "Mas, amigo, OLHE AO SEU REDOR". Nas praias da cidade do Rio, tem um número maior de pessoas malhadas, ratos de academia e tal, mas lá onde a gente estava (esqueci o nome? Muriqui? Praia Grande? Uma dessas) tinha um monte de gente NEM AÍ PRA TER "CORPO DE VERÃO". Nossa, só gente ótima, casais, criança, idoso, família, todo mundo nem aí, só curtindo. Daí ele resolveu ser feliz também. Eu imagino como que mulheres se sentem ainda pior do que ele.

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  3. Felipe é louco isso né? Existe uma preocupação tão grande com o corpo que as pessoas se esquecem de aproveitar as coisas. Puxa olha seu amigo, com vergonha de tirar a camisa, e supostamente ele atendia ao padrão de beleza, mas nunca tá perfeito né?

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  4. Felipe é louco isso né? Existe uma preocupação tão grande com o corpo que as pessoas se esquecem de aproveitar as coisas. Puxa olha seu amigo, com vergonha de tirar a camisa, e supostamente ele atendia ao padrão de beleza, mas nunca tá perfeito né?

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