CCSexta crenças

Crise Existencial: Falta de fé, religião, crenças...

4.7.15Dana Martins


Nesses momentos de crise existencial, parece que o mundo não tem solução e que eu nunca vou sair disso. Eu tenho medo de que eu passe a vida inteira sofrendo. Eu fico perdida sem saber o que fazer. Eu me sinto fisicamente mal. É como um peso no peito. Já vai dando aquela vontade de deitar e ficar. E se eu não quiser mais levantar?



Então esse é o nível das sextas temáticas de julho. Eu vou trazer grandes perguntas. Absolutamente nenhuma resposta. E experiências e dúvidas e coisas no geral pra pensar. Eu escrevi 16 páginas sobre o assunto (Dana, autoridade em crise existencial), que eu poderia dividir em 11 posts, mas vou transformar tudo em um passeio por questionamentos sobre a vida que vai durar 5 sextas. Eu espero. Só pra variar, eu não sei o que eu to fazendo.



Vamos começar pelo começo, porque eu sou tradicional assim. A Duda, uma das minhas amigas, fez essas perguntas em um grupo do whatsapp:

"Por que a gente existe? Por que a gente ta nesse universo? Qual é o propósito disso tudo? Pra onde a gente vai depois de morrer? Acho que descobri a fonte da minha crise existencial, o problema é: não tem resposta pra essas perguntas. E isso me incomoda. E me assusta. Não é possível que eu seja a única pessoa que parou pra pensar nisso."

Duda, você não é a única pessoa. Eu já fui mais longe nessas perguntas do que eu espero que você chegue. E se você, lendo isso, também já se perguntou essas coisas, mostre para ela. Pode comentar aqui, ou como você preferir. Mostre pra ela que você é uma pessoa real que já teve essas dúvidas. Porque eu sei que não é só a gente.

E não são exatamente essas perguntas que estamos fazendo desde... sempre? Na verdade, eu achava tão comum esse tipo de pergunta que nem passou pela minha cabeça que ela se sentiria sozinha nas próprias dúvidas. 



Vai lá, procura sobre os filósofos. 

Fui ver agora quando Platão viveu: 348/347 a.C. 2500 anos atrás já tavam tentando entender que porra é essa. Platão, vou te mandar um papo reto: ainda não sabemos. (mas ao longo desses 2000 anos inventamos séries e internet, então algo de bom aconteceu)

Com a humanidade lidou por milénios com essas dúvidas?

Deus.

Ok, nem sempre Deus. Mas as pessoas que estão seguras têm: fé. Crenças. Acho que na História da Humanidade, a única resposta pra todas essas perguntas que nós temos é a religião. E por isso ela é tão importante.

Acho que foi a Duda que falou que queria um “manual do universo”. O que diabos são a religiões? Um manual do universo. Eu não to falando dessa coisa que nós vemos como religião na prática de carregar crucifixo, usar um tipo de roupa ou político distribuindo ódio. Eu to falando do que há por trás disso, as crenças.

achei simbólico

Por que você acha que alguém reza sempre em uma determinada hora ou coloca uma estátua de santo em casa? Não é o que elas fazem, é por que elas fazem. Elas acreditam. Não tem lógica. Alguns rituais até têm e tal, mas pela parte lógica não precisam acontecer de um determinado jeito, então por que as pessoas repetem de determinada maneira? Porque elas acreditam. (eu vou falar melhor sobre acreditar ao longo do mês)

E talvez até funcione. Eu adoro como em Orange Is The New Black eles mostram a religião das latinas acendendo vela, mas desenvolvem a história de modo que não dá pra definir se foi o acaso ou foi a fé toda poderosa delas que fez acontecer. O que importa é que funciona. Então pra que questionar? 

A Bíblia é um manual do universo. Cada livro religioso é um manual diferente do universo. E se você começar a olhar bem, vai ver que eles nem são tão diferentes assim. 



Eu não estudei nenhuma religião a fundo, só que crescendo eu frequentei "cultos" de religiões diferentes e já tive muito contato com diversas crenças. Então é fácil ver alguns padrões aparecendo. Tem um livro chamado "A viagem de Théo", sobre o qual eu não lembro nada, mas é meio que um "O Mundo de Sofia" sobre religiões - o garoto tá pra morrer e a tia leva ele pra rodar o mundo, vivendo várias culturas/religiões. Então pode ser uma boa leitura pra quem tá se questionando.

Mas, enfim, o que você acredita é uma escolha sua. E algumas pessoas, como eu, não conseguem abraçar nenhuma religião. Há gente, por exemplo, que vai pra o exército.

QUÊ?



Religião e o exército não são excludentes, ok. Mas o exército, ainda mais em um país nacionalista, dá um propósito e certeza à pessoa. Dá um foco para onde ir. Pode dar muita merda também porque não é garantia de nada e, bem, guerra sempre tem feridos. Mas foco na questão principal: propósito. Certeza. Segurança. Crenças. 

Uma história que mostra esse paralelo é Orphan Black. Na segunda temporada, um personagem abandona o exército para fazer parte de um culto religioso, porque assim ele tinha propósito na vida e sabia que tava fazendo o certo. Bem...

A forma mais comum de crença é a religião, mas como você pode ver, há essas outras formas de acreditar e encontrar propósito na vida como o exército (e outras que eu devo citar ao longo do mês).



Acreditar não é certeza ("preciso ver pra crer") ou catalogar em dados, é justamente o contrário disso: é acreditar mesmo sem saber. Isso me fez lembrar das minhas análises de histórias com o Grande Talvez do Herói, onde eu mostro que basicamente a diferença entre herói e o vilão é o fato de que o herói tem esperança. E o que é esperança se não acreditar que algo vai acontecer mesmo sem ter certeza?

“Então basicamente cada um pode pensar num propósito?” a Duda perguntou.

Sim. 

Agora eu quero que você pense em elefantes cor de rosa feitos de algodão doce que são seres vivos e andam pela Terra. Você acredita que eles existem?

Não?

Por que você não começa uma fazenda deles e fica rico?

Porque você não acredita realmente que eles existem. 

Acho que o mesmo serve para o propósito. Você pode ter qualquer propósito – porque, sim, é um dado real: cada um arranja o próprio propósito. A crença de um não desvalida a crença do outro. Não existe uma crença soberana. Mas aí tornar esse propósito real pra você. Ih, aí é outra história...


Se eu pudesse seguir a religião católica, a crença me preencher e eu achar que tá tudo maravilhoso e viver bem. Nossa, eu faria num piscar de olhos. Mas eu não posso. Meu primeiro grande questionamento é que eu nunca viraria o Papa, só pelo fato de eu ser mulher, e essa é uma verdade religiosa que eu não consigo acreditar. Eu daria um ótimo Papa!!!!! HAUHUAHUAH

Espero não estar ofendendo ninguém, porque eu sei que existe uma coisa meio sagrada ou relação de respeito com a figura religiosa. Mas, pra mim, não tem valor. Eu não consigo sentir esse valor e é por isso que eu não posso seguir.

Então como encontrar esse propósito? Como acreditar? Como viver lidando com o fato de que não há respostas? Como viver acreditando em respostas imaginárias? Como levantar da cama pra encarar algo que você não acredita?



Talvez você já tenha a resposta. Mas eu vou discutir mesmo assim. Até lá, indico os livros do John Green, porque todos eles desenvolvem uma perspectiva de crises existenciais. Em "Quem é você, Alasca?" nós somos introduzidos ao Grande Talvez, que é meio que apostar as fichas esperando o melhor e tem todo o lance do labirinto do sofrimento que eu preciso entender melhor. Em "Cidades de Papel" nós temos Margo, uma pessoa que fica descrente com tudo na vida e não vê sentido - tudo é apenas feito de papel - e discute bastante sobre acreditar em coisas imaginárias. A história é contada da perspectiva de um garoto que tá procurando a verdadeira Margo. E eu adoro até o comentário do John Green no fim sobre as "cidades de papel".


se você não imagina, aí que nada acontece. 




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20 comentários

  1. Digo e repito: minha fé não é no Deus das Igrejas, mas no Deus dos Museus. Na arte eu encontro mais sentido pra minha vida e conforto do que em qualquer livro sagrado. Minha Bíblia é Korra, Carmilla, Skins.... Os versos que me dão sentido são os de Slam Poetry. "Procura compreender o que dizem os artistas nas suas obras-primas, os mestres sérios. Aí está Deus", isso é uma citação de Van Gogh. E o que conforta na minha pequena loucura é ver que sempre existiu gente sentindo o processo criativo como um ato divino, tem relatos por toda a história. E eu nunca vi ninguém explicar claramente como é ter fé na arte, mas acho que aí que está a graça da coisa. É uma religião de sentir, não de entender.

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    1. Nossa, me identifico total.

      Minha fé está mais nas relações humanas e no processo criativo do que em qualquer outra coisa. Posso duvidar de Deus, da realidade, do conceito de alma mas acho que nunca vou duvidar do amor e do poder que a arte tem de transformar as pessoas. Todas as formas de arte.

      Acho que ter fé na arte é ter fé em nós mesmos, na espécie humana. É acreditar que se somos capazes de fazer coisas tão incríveis, tão tocantes, então a coisa não está tão ruim assim. Pelo menos é assim comigo. Enquanto existir artes sempre vou acreditar nas coisas boas que as pessoas (qualquer pessoa) podem oferecer

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    2. Sense8: Art Is Like Religion

      Acho que estamos todos indo para a mesma Igreja... HUAHUAHUAHUAHUAH eu falo isso numa parte desse texto.

      Vamos trocar o nome do CC para CultCult (culto da cultura??????????????????)))) e começar

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    3. Bells, seu comentário me lembrou de um trecho de um filme.

      Não me lembro qual filme da trilogia era, se em Antes do Amanhecer, Antes do Por do Sol ou Antes da Meia-Noite (recomendo os três <3). Mas tem um trecho em que a garota fala que acha que Deus existe no espaço entre as pessoas, que ele acontece através do esforço delas tentando se conectarem. É um pensamento que eu acho muito bonito!

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  2. Minha fé é no Deus das Igrejas :) (Embora eu ache que as igrejas foram um desenrolar meio torto do que realmente era para ter sido, mas enfim)

    Eu não acho que crenças, sejam elas quais forem, sejam apenas acreditar. Eu vejo como um misto de vivência e, aí sim, fé, esperança. No espiritismo, por exemplo, em que há os médiuns e tal. Tipo, ELES SÃO MÉDIUNS. É a vida deles, o que eles conhecem. Na religião, eles encontraram base para o que eles já sentiam/viviam. Então, não é de todo uma coisa cega. Acho que, principalmente com crenças que envolvem o sobrenatural, é difícil não acreditar. Pra quem está de fora, quem não vive aquilo, é realmente difícil de entender, mas, para quem está dentro, faz todo o sentido.

    Sobre as perguntas "Por que a gente existe? Por que a gente ta nesse universo? Qual é o propósito disso tudo? Pra onde a gente vai depois de morrer?", eu, como uma pessoa que tem as próprias respostas, me pergunto qual a importância delas para quem não as têm, a ponto de causar incômodo. As coisas têm que ter um PORQUÊ, que nem na ficção? Quer dizer, o meu pensamento seria de que coisas simplesmente acontecem. Sobre o "Pra onde a gente vai?", ué, o que somos? Quem sou eu? Nosso cérebro é desligado, os órgãos param de funcionar, a gente morre e é enterrado. A menos que se acredite que não somos o nosso corpo, algo como o conceito de alma... Mas aí meio que já é ter fé em alguma coisa, né?

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    1. As perguntas surgem quando não temos um embasamento.

      Por exemplo, parte da minha família segue uma religião, e meus avós acreditam em algo maior que nós e tudo o mais. Até o meio da minha adolescência eu também acreditava nisso, e o fato de eles existirem já deveria ser explicação o suficiente pra essas questões. Mas eu sempre fui de questionar tudo, então vinha a pergunta: e se eles não existem? qual é a explicação?

      Bem, passou o tempo e deixei de acreditar que eles existem mesmo. E esses questionamentos ficaram cada vez mais fortes até o ponto de ficar quase insuportável. Acho que fazer uma faculdade que estuda a sociedade e o ser humano em todos os níveis (social, biológico e psicológico) me fez absolutamente descrente em quase tudo. Só que por outro lado, tem isso que você falou. Conheço amigas e pessoas muito próximas que tiveram e tem experiências no mínimo estranhas, e eu não duvido da experiência delas. Pra elas essas coisas acontecem MESMO. Então não questiono.

      E AÍ?

      É, vivo em constante conflito de ideias HUGIDFHGIUFDHIGHD

      Acho que divaguei, mas esse assunto causa essas coisas qqq

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    2. Sobre a relação com a sua família, foi meio que o caso de você ser ~ensinada~ numa religião, não foi? Quando alguém te conta sobre algo e vc acredita na pessoa é diferente de quando vc vivencia o algo em questão. Eu nunca vi neve, por exemplo, só em vídeos/fotos. Seria algo que eu conseguiria questionar. Será que neve existe mesmo? Não é só isopor e o mundo todo está me enganando? Improvável, mas possível. Agora, eu não consigo contestar a chuva, porque eu já VIVI a chuva. Eu posso não saber de onde ela vem ou o que realmente é, mas, tipo, É REAL.

      Eu imagino que deva ser enlouquecedor buscar uma resposta porque TEM TANTAS OPÇÕES.

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    3. Siiim, isso mesmo.

      Quer dizer, não fui exatamente ensinada numa religião, até porque minha avó FOGE de todas elas. Minha avó acredita em Deus, Jesus e tudo o mais. Mas ela resolver parar por aí. Então eu meio que aprendi a ter que acreditar, digamos assim.

      Mas nunca vivenciei a fé de verdade, nada nunca se manifestou comigo (e no caso do espiritismo ainda porque sou cagona HUGDFHGUIDFHGID) então é verdade, difícil acreditar em algo que nunca se vivenciou, a não ser que se tenha provas concretas. O que simplesmente não existe quando se trata de fé.

      E sim. É enlouquecedor HUIGFDHGHDFIGHD

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    4. Eu vivenciei uma fé plástica. Fui batizado mais porque todo mundo era. Não cresci indo pra igreja nem fui ensinado dentro de doutrina especifica, mas aprendi a rezar e fui pra primeira comunhão - onde comecei a questionar as parada tudo e desenvolvi um ódio de Igrejas que carreguei por quase uma década e que até hoje me impede de me aproximar de qualquer uma. Igrejas simplesmente fizeram muito mal pra mim, e ainda fazem muito mal para as pessoas ao meu redor, pra eu conseguir gostar delas. Que fique salientado aqui que me refiro a Igreja enquanto instituição, da mão dos homens atuando nela, e não de Deus ou da fé que elas professam. Sei que há partes boas na Igreja, e meus pais se conheceram em um grupo de Jovens da Igreja deles quando eram adolescentes, então a fé meio que faz parta da raiz da minha existência, mas eu simplesmente não consigo relevar. Há cicatrizes profundas demais pra eu conseguir chegar perto. Então eu fico aqui com meu Deus e deixo a Igreja lá com o Deus dela. Eu só discuto a fé dos outros quando ela tenta intervir no estado Laico, atualmente - o que considero um motivo bastante justo.

      Mas curiosamente, essas dúvidas que vocês descrevem eu nunca tive. Eu sei lá, eu só estou OK em não saber de onde viemos ou para onde vamos ou porque existimos. Eu só acho que a existência humana é muito incrível e a gente tem muita sorte de estar aqui e eu quero curtir ao máximo e aprender ao máximo e transcender através da experiência.

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    5. Fui numa missa uma única vez e essa é toda minha experiência com a Igreja Católica, mas conheço igrejas evangélicas e, realmente, elas são problemáticas em diversos aspectos. Sei como é esse sentimento de ódio :-/

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  3. Dana, pode falar pra sua amiga que provavelmente quase toda a população humana que vive hoje, que já viveu e que ainda viverá fará essas perguntas HUGIDHFGIUFDHIGHDFGHDIGH

    Acho que é um negócio de praxe. Nasceu, já consegue pensar de forma abstrata? Lá vem os questionamentos existenciais q

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  4. O Deus das IGrejas???

    A Bells já respondeu, o que foi bem legal, porque é a perspectiva dela e não minha, a gente nem conversou sobre isso. E ela passou pela mesma experiência que a minha e a da Duda, o que é interessante. Nenhuma de nós conversou ou decidiu YEAH, VAMOS NÃO ACREDITAR EM NADA E SER ATACADA POR PERGUNTAS SEM RESPOSTAS. Mas nós fomos e, wow, da mesma maneira. Interessante, não?

    De qualquer forma, o que eu teria respondido:

    Essa é a primeira parte do texto. Como falei, escrevi 16 página. Foi tanta coisa que nem eu sabia o que tinha escrito e fui me surpreendendo pelo meu próprio texto. HAUHAUAUHA Então como eu coloquei ali, eu pretendo retomar isso de acreditar em breve no futuro. Mas...

    Se eu pegar agora qualquer coisa e largar, vai cair no chão. Vai sempre cair. E aí é algo que eu não vejo, mas que eu sei que existe, eu to vendo e tem uma lei compreensível. E a pessoa pode não ter conhecimento científico nem nada, mas ela sabe e acredita que a gravidade existe, porque vê. Porque pode ser mostrado tão fácil quanto largar algo. Agora: de onde vem a gravidade? por que ela existe? o que fez a gravidade surgir? o que fez surgir o que fez a gravidade surgir? qual é o propósito disso tudo? tipo, qual é o objetivo? existe um ou não importa pra nada, é só como as coisas são? se é só como as coisas são, o que isso significa sobre mim...? (ad infinitum, mas as principais perguntas eu vou desenvolver ao longo do mês)

    Agora a importância... vou responder primeiro a parte da morte. Mas você pode provar que é só isso que acontece? Que não existe nenhuma vida após a morte? De que a nossa consciência não é transmitida de algum modo? De que não existe uma alma? De que eu não vou virar uma formiga? Se não, mesmo acreditar que a morte é só isso é uma forma de crença, porque você não pode provar que seja apenas isso. Todo mundo saber que essa parte acontece. Mas se é só isso: ninguém pode provar. Então sempre é uma suposição e uma forma de crença. Você acredita (tem fé) que é só isso que acontece.

    Agora a importância... e o que isso significa pra nós? Tipo, essas perguntas são o meio pelo qual nós encontramos significado na vida. Se você acredita que existe um lugar especial para as pessoas boas, você trabalha em vida para ser uma pessoa boa. Se você acredita que vai ficar só matéria orgânica, você já não lida com um julgamento pós-morte, mas talvez tipo o Gus em A Culpa é das Estrelas lute para ser lembrado. Mas se você acredita em reencarnação, ser lembrado talvez não seja tão importante porque você vai voltar de qualquer forma.

    E isso influencia tudo. Sem uma resposta, ou direção, a gente não tem pra onde ir. Eu devo passar por essa experiência difícil ou essa experiência difícil sou eu sendo idiota? Se nada tem um propósito, por que eu deveria fazer algo com a minha vida?

    Percebi que não to conseguindo explicar direito, porque acho que é uma noção de segurança. Acho que isso vem do fato de que a gente tá perdido e as "regras" que nós temos como opção não são uma verdade pra gente. Elas não estão servindo de base para nos guiar. Não dá pra fazer um *segura na mão de deus e vai* Vai pra onde???? A gente pode acreditar em qualquer coisa, mas elas não têm um efeito na nossa vida. E incômodo é eufemismo. HUAUAHUAH

    Eu ia fazer umas perguntas, mas não quero correr o risco de te trazer pra esse lado da força.

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    1. Antes de tudo, adorei esse comentário <3

      Sim, eu me identifico como cristão, só quis usar a mesma expressão que o Diego.

      Você tem razão. Achar que a morte é só "morreu, cabou" é mesmo uma forma de crença, pois não pode ser provado.

      Lendo sobre a importância e a agonia que as perguntas causam, percebi que somos pessoas de tipos diferentes. Eu já fui muito indeciso, ainda sou um pouco, mas uma coisa que eu aprendi foi trabalhar com o que eu SEI. Com as coisas que eu não sei, eu não posso lidar. Isso me conforta num nível que se, lá na frente, eu descobrir que fiz uma escolha ruim hoje por falta de conhecimento, eu simplesmente aceito que fiz o melhor que pude, já que não tinha a informação que me faria tomar a decisão correta. Isso simplesmente apaga todos os "E se" da minha cabeça.

      Comentei ali em cima sobre a neve/chuva e isso funciona pra mim com questionamentos sobre Deus. Deus é a minha chuva, eu não consigo NEGAR a existência dele nem se eu quisesse com muita força. Mesmo se alguém provasse por A + B que a Bíblia é toda falsa e foi escrita por, sei lá, um grupo de escritores entediados e muito criativos. Não consigo, é muito real pra mim.

      Mas quem garante que Deus, na verdade, não é, sei lá, um ser sentado num computador jogando uma espécie de The SIMS, nós somos os personagens do jogo e ele inventou várias coisas maravilhosas sobre ele mesmo só para se sentir bem? UMA POSSIBILIDADE. Mas eu bloqueio esse imenso "E Se" pois, aparentemente, não posso fazer nada a respeito.

      Se eu fosse uma pessoa que não tem fé em coisa alguma, eu ia focar em tentar ser feliz agora, porque isso me faz eu me sentir bem.

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    2. Depois eu vi o comentário dele e entendi xD

      Eu entendo essa lógica, mas é o mesmo do elefante rosa. Funcionar e tomar como real? Difícil. Simplesmente... não vai. Não dá pra jogar um "ah, ok" e ir em frente. (mas acho que tem uma razão pra isso e é algo que eu vou falar nos próprios posts) (curiosamente, acho que a própria bíblia tem uma explicação pra razão HUAHUAHAUHAUH) Focar em ser feliz agora é um ato de fé. E poderoso. Porque é ignorar o futuro. A pessoa está preparada pra dar esse passo? Ela tem fé o bastante para fazer isso?

      E o que eu não consegui dizer mais cedo, acho que a razão da agonia é: Eu no momento to numa situação que eu não sei o que fazer da minha vida. Eu não sei o que é a resposta certa. Eu faço o melhor que eu posso, mas o que é o melhor? É tudo bem eu ficar em casa, ou eu deveria sair por aí? E parte de mim, eu sei que isso vai se ajustar alguma hora. Eu sei que eu vou entender como parte do meu aprendizado particular. Porém. E se eu abandonar a faculdade e acabar em uma situação tensa em que eu preciso de dinheiro? E se eu acabar em um hospital público sozinha sem ninguém? Porque agora eu sou capaz de reagir, mas se eu tiver algo que me impossibilita? Esses são meus particulares e parte da crise do meu momento, porém. Acho que não sou só eu. Acho que isso vem da hora que você tá na ponta do abismo. E você não consegue ver nenhuma ponte. Só que ficar parado ali tá te fazendo mal. E aí você vê a multidão de espaço vazio no vácuo. Olha pra traz vê a multidão de terra desconhecida. E aí você olha em volta: ok. eu deveria pular no abismo? Eu deveria voltar atrás? Eu deveria dar uns passos pra trás e sentar confortável aqui? E o eco do abismo responde com as mesmas perguntas, porque você não sente que tem alguém que possa olhar pra você e te dar uma direção. Alguém que vai te segurar se você cair. Alguém que vai olhar pra você, até mesmo agora, e saber como acabar com a dor que você tá sentindo. Aí você olha pra deus e pergunta: o que eu faço? cri cri cri

      A busca continua. E acho que é assim que a gente acaba chegando nessas questões existenciais. Se a gente pelo menos descobrir o propósito da gente na Terra, da pra ir em frente. "Oh, é ser bom com os outros. então eu vou enfrentar essa dor, porque é o certo e vai ser bom no final." "oh, é sei lá o que, então eu vou me afastar disso"

      Todas as pessoas, no momento, que eu sei que são perturbadas por essas perguntas, é porque elas estão diante de algum abismo na vida.

      Só que eu acho que nem todo mundo chega até ele. Vê de longe, se arrepia. Às vezes nunca nem vê.

      E acho que a partir disso eu to criando a minha própria crença. Mas eu ainda não sei no que eu quero acreditar. Enfim. E eu acho que todo mundo tem algum tipo de crença (até não acreditar é uma crença). Por isso dei um exemplo do exército. Ou nem algo tão assim: colocar comida em casa é um grande propósito. Já serve pra passar o dia. Às vezes.

      Você já teve algum momento de frente pra o abismo?

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    3. Felipe é um felizardo, porque os "E se" podem matar.

      De todas as formas. Literalmente e figuradamente q

      Sei que terei evoluído quando eu parar com os "E se" e me concentrar naquilo o que importa.

      E o que importa?

      NÃO SEI

      ADELS

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    4. É por isso que eu digo: fé não é racional. E eu não quero dizer que ela não faz sentido. Quero dizer que ela é uma experiencia emocional acima de tudo. Fé é quando você sente que algo é certo mesmo quando a lógica diz que está errado. O sentimento eclipsa qualquer coisa. Sentir Deus, um propósito maior ou o que for que você estiver sentindo, pra mim isso é fé.

      Eu acredito que as coisas acontecem por um motivo. E isso me ajuda absurdamente a lidar com as coisas. Inclusive com a ideia de morte. E eu cheguei a essa crença através de muita pesquisa de muitas religiões - o mais próximo de uma religião tradicional que eu tenho é o espiritismo, que fala muito disso de as coisas terem um proposito e a gente estar aqui para aprender -, mas na real, o conhecimento "técnico" só me deu vocabulário para explicar as coisas. Eu senti as coisas encaixarem no lugar através de filmes, músicas, livros, quadros... E embora existam alguns pontos marcantes (Frida Kahlo, Lembranças, Skins, Korra, A Culpa é das Estrelas), em geral não são obras isoladas, mas sim minha relação a longo prazo com arte. Tipo, eu me tornei uma pessoa infinitamente melhor graças ao consumo critico de cultura pop.

      Eu não sou atormentado por perguntas constantemente. As vezes surge algo próximo a uma curiosidade, ma sé uma curiosidade amistosa. Na maior parte do tempo eu estou bem de boa em não ter respostas. Eu conclui que ter essas respostas não vai realmente fazer diferença na minha vida hoje, então eu não preciso me desgastar procurando elas. Por exemplo, meus termos com a morte são mais focados em resignificar o que ela é a importância do tempo que eu tive com a pessoa em vida do que o que acontece depois dela e para onde nós vamos. Saber para onde nós vamos não vai mudar o que for acontecer, sabe? Mas aprender a lidar com a morte de um ente querido vai me ajudar hoje a sair de uma onda de sofrimento.Mas again, eu não acho que faça isso racionalmente. É só o que eu sinto que faz sentido. Eu sei que fazer isso não é necessariamente fácil, e nem sei como eu consigo. Eu só tento dar o melhor de mim todos os dias, porque acho que é o certo a fazer. Em geral, isso basta.

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    5. Dana: Sobre o propósito na vida e as respostas das questões existenciais, você acha que é algo que há possibilidade de você descobrir? Quer dizer, há realmente uma busca que você acredita que vai te levar a algum lugar? Ou são perguntas que vc sabe que nunca serão respondidas? Vai ver seu propósito é encontrar as respostas.

      ACHO que eu já olhei para o abismo. Na verdade, foi recentemente, quando eu tive uma crise sobre o caráter de Deus e deixei de acreditar nele. Não na existência dele (como eu disse, pra mim, é impossível), mas de achar que Deus não era tão bom e justo como todos diziam. Daí eu me senti desamparado e sem propósito. Foi horrível mesmo.

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    6. eu já meio que respondi isso em posts. então vou dar por respondido e continuar a conversa no post mais recente.

      mas eu não acho que encontrar as respostas a essas perguntas seja meu propósito. até porque... esse é um detalhe importante: não sou só eu. aliás, essas dúvidas são da Duda, não minhas (eu tenho curiosidade, mas essas perguntas específicas não me incomodam). eu poderia falar mais, mas vou parar por aqui hoje.

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  5. Chegando meio atrasada na discussão (e já tem outros posts continuando o assunto), mas só queria deixar registrada uma coisa aqui: além de toda essa crise existencial, uma coisa que tem me deixado de olhos abertos durante a noite e cérebro a mil por hora é a Astronomia. Quando você para pra pensar na imensidão do universo, dá um desamparo. Por exemplo, o Sol vai se apagar daqui uns anos (muitos, obviamente, e isso se não acontecer outra coisa antes), mas fico preocupada mesmo sabendo que não estarei aqui (será que terá algum humano até lá?). O fim me preocupa, mesmo que nos meus piores momentos eu ache que a morte é um descanso.Gostaria de viver mais no presente sem os "se".

    "Felipe é um felizardo". [2]

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    1. quando eu fico olhando demais pra o céu me dá uns medos loucos. mas é acolhedor também, ser resumido a nada. HAUHAUHAUHA mas e se o fim te preocupa, por que você não faz algo quanto a isso? (minha pergunta soou errada até pra mim) eu não sei. ._. eu queria que você não se incomodasse com isso. e que tivesse tudo bem. mas não sei como fazer nada. não tenho muitos problemas como os "se". eu tenho mais problemas com os "é"

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