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Clube de Escrita: Fiquei perdida na história

20.4.15Dana Martins


No momento, eu sinto como se a minha história fosse uma água fervendo. Eu coloquei a água no fogo no início e a cada dia que eu escrevia era como manter a chama acesa. Agora chegou no momento em que a água está fervendo. E transbordando. E eu começa a ficar meio desesperada com tudo aquilo vazando pra fora da panela.


Eu comecei com uma ideia simples: duas pessoas de "gangues" diferentes se encontram. Era sobre uma pessoa se metendo no mundo da outra pra lidar com o passado, enquanto a outra tem que lidar com a nova pessoa em seu território. Enquanto elas competem por espaço surge um romance. Então você tem essas duas pessoas de mundos diferentes, unida por uma relação amorosa e ao mesmo tempo discordando quanto às crenças, precisando lidar com todas as diferenças no mesmo espaço.

Verdade seja dita: A minha primeira imagem foi que eu queria uma história com pichação, o clima urbano de paredes cinzentas marcadas com símbolos pretos. Gangues de jovens em telhados brigando. Uma noite em um beco em que a pessoa líder de uma gangue encontra os intrusos e, em vez de partir para a agressão, decide deixar só por uma vez.  Outra noite no alto de um prédio observando uma parede pichada ao longe e conversando sobre o passado. 

Eu só fui em frente.


Conforme a história continuou as coisas começaram a ficar muito boas. Ideias inesperadas surgiram - a pessoa líder da gangue se disfarça ajudando a outra pessoa, então precisa manter a farsa.

Comecei a resumir a ideia como "pichação, ativismo e slut shaming". 

E ideias que vagavam palidamente pela minha cabeça começaram a se transportar pra histórias em momentos concretos. Ideias que eu fui jogando conforme escrevia cresciam e ganhavam sentido como se eu tivesse planejado aquilo o tempo inteiro.

Aí eu passei da parte da introdução.

Agora eu tinha um mundo e personagens, só precisava ir em frente.

*água começa a transbordar*

Eu já to cansada de dizer que escrever história é como explorar. E agora eu fui parar em lugares que eu não esperava, nem por um segundo, chegar. São áreas escuras que me dão medo. Eu preciso me agarrar aos meus fiapinhos de ideia pra não me perder completamente. Pera, por que eu to escrevendo isso? Pera, quando é o nome daquele personagem mesmo? 

É um medo de que eu tenha rompido completamente com o que eu ia fazer. Ao mesmo tempo é como se não tivesse saída. É como aquela ponte não confiável que fica balançando, talvez caia a qualquer momento, mas você tem que atravessar pra chegar do outro lado.

Pra ser mais concreta: É aquele momento que os personagens começam a ganhar vida, quando você tem vários personagens, eles começam a fazer merda. A vida do personagem protagonista tá difícil porque uns amigos da outra pessoa começaram a desconfiar de suas intenções. Enquanto pessoas de sua própria gangue decidiram resolver os problemas sozinhos e isso terminou em hospital. Começa a ficar difícil acompanhar essa gente toda indo e vindo.

Ao mesmo tempo, a construção de mundo ficou mais tensa. Super fácil estabelcer gangues em uma cidade, mas e a razão pra elas existirem? Como vivem? Por que? Quais são seus objetivos? *escorrega pelo espiral direto para o inesperado*

Aí já to no Ai meu Deus, ia só escrever algo tranquilo. Agora eu tenho mundo se formando e quebrando as barreiras para conquistar seu espaço. 


Já que meu estilo de escrita é jardineiro, vou dizer que essa é aquela árvore que cresce e decide levantar a calçada junto, porque foda-se. Aí você começa a não saber se faz uma construção bonitinha em volta, ou corta as raízes, ou o que. (eu vou provavelmente deixar ela tomar conta de tudo) (mas preciso me segurar pra não perder a noção de pra onde ela tá indo e o que eu quero que ela faça)

O que eu to fazendo aqui? Não sei. Dividindo uma pequena crise existencial, relembrando as origens da história e garantindo que eu não vá parar em uma ilha deserta enquanto tento descobrir um novo um novo continente. 

Além disso, eu também to fazendo listas de acontecimentos futuros que eu tenho que encaixar de alguma forma, resumindo o que aconteceu, vendo o que cada personagem quer e acho que em breve precisarei de um mapa. 



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Eu tinha planejado um Clube de Escrita cada domingo desse mês, MAS A BELLS NÃO DEIXOU ESPAÇO NA AGENDA PRA MIM. Tá, e eu fiquei com uma preguiça enorme. Cheguei até escrever um, que eu coloquei aqui caso alguém queira ver. Mas fiquei com muita preguiça de editar. Viver e escrever as histórias em si já tomam muito do meu tempo, não to conseguindo encontrar a energia em mim pra parar e fazer. Às vezes é até difícil aparecer no grupo do Clube de Escrita. :(  Mas vamos em frente. E espero que vocês gostem desse.

Conquista desse Camp NaNoWriMo Abril 2015:
- Terminei a história de novembro.
- Estou escrevendo bem duas outras histórias. 
- Estou com 40 mil palavras. (mentira, 39.795 enquanto escrevo esse texto, mas como vou escrever logo que terminar isso aqui...)

Você pode falar comigo no twitter @danagrint ou fazer perguntas no meu tumblr.


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1 comentários

  1. Adoro tanto postagem do Clube de Escrita!
    "A minha primeira imagem foi que eu queria uma história com pichação, o clima urbano de paredes cinzentas marcadas com símbolos pretos. Gangues de jovens em telhados brigando. Uma noite em um beco em que a pessoa líder de uma gangue encontra os intrusos e, em vez de partir para a agressão, decide deixar só por uma vez. Outra noite no alto de um prédio observando uma parede pichada ao longe e conversando sobre o passado."
    Só com isso já tinha me conquistado, ai acabei de ler e esse post... Quando você vai me deixar ler?!! HAHAHHAA mal sei o que falar mais, mas realmente fiquei animada com sua história <3

    Fiquei feliz que você acabou a do Camp passado e tá trabalhando bastante nas outras u.u

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