A Vingança dos Sete alienígenas

A dificuldade de falar sobre Legados de Lorien

16.3.15Conversa Cult

(também conhecido como: a minha complicada família de super-heróis alienígenas)


Algumas histórias são fáceis de se explicar, mas outras fogem tanto das nossa definições básicas de gênero, se recusando a ser uma coisa só, que não importa o quanto a gente se esforce para falar, sempre parece que vai dar a ideia errada.

Por que é tão difícil falar sobre Legados de Lorien? 


Legados de Lorien é uma série... diferente. São livros que eu adoro, mas não tenho direito como definir. É como se fosse uma história YA demais, só que YA de menos. Ficção científica, super-heróis, romance, ação, dramas pessoais: tudo demais, tudo de menos. E é justamente isso que me faz adorar esses livros. Faz 5 anos que eu leio essa série, 5 anos que eu cresço com esses personagens e essa história. 

Mas não ser de um gênero muito definido é só uma parte do problema. Falar da história também é difícil, porque a sinopse do primeiro livro é diferente da sinopse da série. Ou seja, é quase como se eu fosse indicar histórias diferentes. 

Lembro que quando eu fui ler o primeiro livro, a história não era nada do que eu esperava - eu imaginava alienígenas jovens andando pelas cidades precisando se esconder, fingir que são normais. Eu tenho a visão clara de um garoto de jaqueta jeans e boné azul andando em um corredor movimentado, andando por um metrô. A solidão de estar na estrada e o perigo iminente de ser atacado por alienígenas malignos. Acho que a imagem abaixo com a Número Sete traduz um pouco. 

Número Sete é um dos nomes da personagem. 

O primeiro livro, Eu sou o Número Quatro, é sobre tudo isso, mas beeeem diferente. Em vez do ritmo frenético de um livro de ação, ele é mais como um YA contemporâneo. O protagonista, o Número Quatro, que começa a usar o nome John Smith quando vai viver disfarçado na cidadezinha chamada Paradise, mesmo que seja um alienígena está mais para um adolescente normal. Ele nunca nem encontrou esses alienígenas do mal, não desenvolveu poderes. Se não fosse a necessidade de mudar sempre e morar sozinho com seu "tutor" paranoico cheio de ordens de segurança, seria o típico adolescente americano (garoto John Green com mais atitude?). 

Tá vendo a merda? A pessoa abre um livro sobre alienígenas fugitivos e encontra um romance YA. Tipo, é demais para as expectativas. Eu acho que muita gente não consegue se adaptar com o resultado. E quem se adapta... ainda é uma história sobre alienígenas fugitivos, o que ganha mais foco ainda a partir dos próximos livros. Pra mim, eu achei isso ótimo, mas acho que muita gente não consegue se abrir pra história além das expectativas? 

E ainda tem aquele filme ruim. 

Então, sério, se você gosta de histórias de super-heróis e histórias YA, não há motivo para não ler esse livro. Aliás, tivemos o nosso mês Super Girl Power sobre super-heroínas e a série Legados de Lorien é cheia delas, além de ter uma grande representação de namorada-do-super-herói. Dois livros do tipo: A Ilha dos Dissidentes. Divergente. 

Até o momento, nós temos 5 livros lançados pela Intrínseca:

Eu sou o Número Quatro
O Poder dos Seis
A Ascensão dos Nove
A Queda dos Cinco
A Vingança dos Sete

(e diga-se de passagem que a Intrínseca lança aqui no Brasil bem rápido depois que sai lá fora)

São daquele tipo de livro que você lê em um ou dois dias. A série completa com 6 ou 7, não consigo lembrar. Além de ter os Arquivos Perdidos (Lost Files), que são histórias menores sobre passado/o que tá acontecendo com personagens da história que não entram na trama principal - a Intrínseca traduziu também. 

Melhor fanart que eu encontrei, mas... talvez eu tenha ignorado a descrição de alguns personagens?


Agora é que chegamos na parte em que eu falo sobre a série, mas também é a parte que eu tento fugir de spoilers. É sempre a parte em que eu me complico pra falar sobre Legados de Lorien. A premissa da história é: 9 bebês alienígenas são mandados para Terra com seus tutores quando seu planeta natal, Lorien, é destruído pela raça de alienígenas do mal Mogadorians, que não desiste do extermínio e vem até aqui caça-los. O detalhe é: um feitiço faz com que os 9 apenas possam ser assassinados em ordem. Então para matar o Número Quatro, você tem que matar o Um, Dois e Três. 

É quando o Número Três morre que a história começa. 

Então deixa eu recapitular, você ainda tem 6 alienígenas espalhados pela Terra fugindo, dois planetas que entraram em guerra, mitologia alienígena e muuuita coisa para descobrir. Eu acabei de ler o quinto livro, A Vingança dos Sete, e ele foi lindo porque desconstruiu pressupostos que estão sendo estabelecidos desde o primeiro livro. Mas a questão é que enquanto eu lia a grande curiosidade era: MINHA NOSSA SENHORA O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI? Eu queria saber quem são os outros, se eles estão vivos, se eles vão se encontrar e muito detalhe que só vai aparecendo no caminho. 

Então como falar da série sem começar a cuspir spoilers? Eu só posso falar do primeiro livro, mas o primeiro livro não representa a série. Caramba, não é de se surpreender que mais pessoas não conheçam a história. (aliás, nunca ficou decidido se o nome oficial pra falar da série é "Legados de Lorien" ou "Eu sou o Número 4", mas uso o primeiro pra distanciar do filme)

Tudo bem, nem tudo é tão ruim no filme. O Bernie Kosar é igual ao do livro. 

Só vou dizer que, depois do primeiro livro, a história realmente muda. Ela se transforma naquela minha imagem do jovem adolescente alienígena fugindo. Não exatamente, há pessoas com ele (quem? você só vai se surpreender). A partir do segundo livro a narração também é dividida. O John (Número Quatro) narra um ponto de vista em todos os livros, mas temos novos narradores. 

Aliás, o que eu mais gosto (além dos personagens que nós vamos conhecemos. falando sério, eu gosto muuuito mais deles do que o Quatro, e eu não sei nem como eu li o primeiro livro inteiro gostando do John?) é que essa é uma história de ação como qualquer outra, só que não insiste nos clichês femininos. Pelo contrário, com o passar dos livros eu acho que os autores se esforçam mais ainda e, como é uma história relativamente longa (do que um filme de super-herói ou história em quadrinho, por exemplo), eles têm a oportunidade de reverter diversos tropes e discutir vários temas. Eu disse na resenha de Americanah, sobre a impressão de "isso não foi feito pra mim" e, por mais que não seja perfeito, é uma história que tem lutado para ser feita pra mim também. 

já indiquei "A Queda dos Cinco" nesse post de três livros sobre mulheres fora do estereótipo

Enfim... eu entendo o motivo da história ser construída do jeito que é, começando pela história de Eu sou o Número Quatro e depois mudando. Um dos temas central da história é o ataque dos Mogadorians a Lorien ter tirado a chance desses jovens de ter uma vida normal, eu ia dizer que eles cresceram sendo treinados para vencer uma guerra que seu povo inteiro não foi capaz de vencer, mas não é verdade. Cada um dos 9 passam por uma jornada própria depois que chegam na Terra, mas todos eles definitivamente foram roubados de uma vida normal, de um planeta e de seus pais. Então o primeiro livro, Eu sou o Número Quatro, que foca apenas no John Smith e em sua tentativa de levar uma vida normal na pequena Paradise, estabelece essas bases para mais tarde lembrarmos pelo que eles estão lutando.

uma das minhas personagens preferidas


Agora estou realmente grata de ter feito esse post. E já morrendo de saudade dos meus personagens. Parte de mim quer que essa guerra nunca termine e eu fique velhinha tendo novas histórias para ler. É pedir muito? 





A autora desse texto é a Dana, especialista em falar coisas idiotas, traficante de cultura pop e o avatar. Deal with it. Me recuso a usar 3ª pessoa, então: Você pode ver todos os textos que eu escrevi aqui na tag Dana Martins e também estou no twitter @danagrint, vem conversar comigo. :)


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3 comentários

  1. Danaaaa. Eu odeio essa série! Acho as circunstâncias muito mal contatas, do nada as coisas acontecem e tenho raiva da demora da história se desenrolar, as lutas acabam sendo distrações o tempo todo, sem falar que não tem nem como imaginar a realidade da história (pra mim as histórias precisam ter um mínimo de compromisso com a nossa realidade). Odiei rsrsrs Maaaas gosto é gosto né!

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  2. Eu amoooooooooooo essa série,ansiosa pra ler o sétimo livro que vai lançar em 2016.

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