2.03 Brasil

Sobre a #brazilianinvasion de Faking It

14.10.14Dana Martins


Então, eu estava aqui me encolhendo no cantinho e lutando pra decidir se escreveria ou não sobre o terceiro episódio de Faking It (2.03 - Lust in Translation), então a Sarah disse que queria saber a minha opinião. Para situar, esse é o episódio que um ônibus cheio de brasileiros chega na Hester School para ajudar os personagens a lidarem com seus desejos sexuais. O que eu achei desse episódio?

ADOOOOOREI


Eu estava realmente tentando me segurar desde que eu vi o Shane com aquela gente seminu sobre bandeiras do Brasil do supertease da temporada. Não vamos julgar sem ver. Isso tem uma explicação. Eu confio na série. Eu conf... *começa o episódio* QUE MERDA É ESSA. POR QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO ISSO?


Tudo o que eu fiz foi te amar. 

E a pior parte é que o Brasil foi só uma parte de todo o problema no episódio. É até difícil saber do que eu falo aqui - ou seja, escrevi um texto enorme falando 3293289328 coisas e no final decidi focar só na representação dos brasileiros. (deus me ajude a conseguir)

O problema é que tem 4 pontos da representação nesse episódio:

1- A representação errada pra brincar com a falta de cuidado dos americanos com outra cultura, até uma autocrítica.

Os cartazes em espanhol, a música que parece mexicana - tudo no universo da série que é feito por AMERICANOS representando o Brasil. Todos esses são detalhes que eu não sei se eles erraram de propósito, ou se é uma brincadeira de autocrítica. Vou acreditar no segundo. A discussão entre Lauren e a diretora no início da festa comemorativa "All American Carnival (Love It or Leave It)" diz tudo - eles mostram também um estereótipo ruim americano. 

É tipo a Mulan vestida de Pocahontas. tá seerto (mas não foi feito ao acaso)


2- A representação exagerada pra brincar, porque... é uma comédia.

A comédia é uma merda. A graça está em reverter o esperado, mexer com conhecimentos prévios que todo mundo tem (aka estereótipos). É tipo fazer piada de emo que corta os pulsos, ou grunge que não toma banho, ou loira que é burra. O brasileiro, pelo jeito, é muito gostoso. Com direito a cenas vergonhosas em câmera lenta cheia de brilhinhos. E isso não é algo desse episódio, na série eles brincam com trilhões de estereótipos. Quer dizer, AGORA doeu? Tudo bem fazer piada com os pais da Karma e os pais da Amy, mas não com os brasileiros?

HAUHAUHAUHAUHAUHUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUHA (....)
fico com pena da moça

No último episódio mesmo Shane e Liam estava em um bar estereotipado de "caras" machos... Tá, eu sei a diferença. Vou falar no 4º tópico.

3- A representação errada por falta de conhecimento mesmo.

Uma coisa é um americano escrever um cartaz em espanhol, outra coisa é aparecer um brasileiro falando um dialeto alienígena (e antes que comecem com "sotaque de portugal" - parem com o estereótipo, pelo que eu li por aí eles também não falam assim). E eu realmente queria saber se fazer topless é tão comum assim aqui no Brasil.

BRONZEAMENTO ARTIFICIAL? SÉRIO?
(fala a verdade, amy, você arrastou a mão no barro do chão pra ter desculpa pra falar com a karma)


4- Personagens mal construídos. 

O causador número 1 de estereótipos: personagens mal construídos. Os personagens brasileiros - TODOS - são robôs tratados como objetos sexuais. Sabe, é diferente quando você apresenta um personagem a sério, ou um fantoche para poder "desenvolver" a história do protagonista. Eles já naturalmente têm alguns problemas com estereótipos, mas até agora foi com personagens fixos que podem ser aprofundados ao longo da série. Já os brasileiros? Se alguém lembrar que isso aconteceu no próximo episódio já vai ser um avanço. 

MAS, DANA, É UMA SÉRIEZINHA DE 20 MINUTOS, NÃO DÁ TEMPO PRA DESENVOLVER.

Você definitivamente nunca assistiu The Legend of Korra, faça o favor.

Eu não consigo falar desse episódio só tipo "AH, QUE MERDA" ou "AINDA AMO, FODA-SE, PAREM DE RECLAMAR", porque eu acho que tem várias camadas. Não, eu não gostei de ser retratada como uma pessoa gostosa que só quer saber de sexo. Sim, eu entendo que eles quiseram homenagear. É tipo a conversa da Katniss com o Haymitch:


 
"Ele me fez parecer fraca!" - "Ele fez você parecer desejável!" 


Porque mal ou bem é isso - as pessoas de fora que não viram o problema no estereótipo estão adorando os brasileiros. Muitos falaram nas redes sociais: COMO EU FAÇO PRA IR PRA O BRASIL??? Acho que eles realmente quiseram fazer uma homenagem a nós, brincando com as coisas que eles gostam "do Brasil". Já parou pra pensar que a primeira garota que a Amy beija de verdade sem ser a Karma é uma brasileira? Mas fizeram isso muito mal informados em um episódio muito mal feito. Indico esse recap

A minha maior tristeza aqui vem do medo deles continuarem fazendo essas merdas. Sabe, pra mim, o grande valor de Faking It não é nem que tenha representatividade ou seja uma história muito boa ou sejam atores maravilhosos, o que eu gosto é como eles mostram os personagens como seres humanos. Esse episódio foi o contrário disso, tudo ficou muito genérico. 

-dana martins
vem conversar sobre Faking It comigo no twitter @danagrint



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1 comentários

  1. O FINAL!!!
    Faking It teve um peso na minha vida, mesmo sendo uma seriezinha de 20 minutos. E eu sempre SEMPRE aplaudi as escolhas dos roteiristas, a forma que eles retratavam a sexualidade dos adolescentes, o modo como construiam a trama ao redor de personagens críveis, sabe? Não tem um "bad guy", por exemplo. A série aponta os lados bons e ruins dos personagens sem dar uma ideia bidimensional de "preto no branco".
    Aí eles me vêm e estereotipam os brasileiros e hipersexualizam e criam personagens completamente rasos.
    Fiquei chateada.
    E eu queria ler as outras 9819781271 coisas!!! HAUAHAUISAS

    ResponderExcluir

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