adaptação Brenton Thwaites

O que eu recebi de O Doador de Memórias

20.9.14Dana Martins


Como eu me senti assistindo: Today I felt a switch in my veins (Segundo o Vagalume: "Hoje senti uma energia nas minhas veias")

O filme começa com letras brancas em um fundo preto tipo Jogos Vorazes, mostrando o contexto da história. Em seguida, como Divergente, o protagonista começa a narrar a história enquanto nós observamos a sociedade futurista desse universo. Se as semelhanças te incomodaram, elas não acabam aí. Durante toda a introdução do filme foi difícil se livrar das comparações. Isso é Jogos Vorazes? Divergente? Harry Potter? The Last Airbender? The Legend of Korra? Até de Destino, da Ally Condie, que ainda não foi adaptado eu lembrei. O pior: é como um filme da onda distópica com o mesmo menino-protagonista do velho YA de sempre, se o nome dele fosse Harry Potter ou Percy Jackson não mudaria.... O que temos de novo aqui?

Para começar, o plot twist é que O Doador de Memórias é uma história mais antiga do que todas essas (o livro "O Doador", do Lois Lowry, foi publicado em 1993), apesar de estar ressurgindo na onda delas. Então... deveria tornar as coisas melhores, né?  Mas...

Pronto, agora tá explicado o que a Jennifer disse -nnnnn

Falando sério, eu acho que O Doador de Memórias não chega aos pés dessas outras distopias, mas também não precisa chegar, porque a história é outra. O foco aqui é uma sociedade utópica ultra-regulada onde tudo é certinho, mas quando chega o momento do protagonista Jonas ser escolhido para o seu "emprego", ele acaba recebendo uma tarefa única. Então junto com ele vamos redescobrindo o mundo e, enfim, questionando certas ideias absolutas. 

Logo na cerimônia de escolha da "profissão" eu vi mais um exemplo de classificação e fiquei ansiosa para terminar meu novo texto sobre distopias. Acho que foi aí que eu comecei a gostar. A partir disso em algum ponto eu esqueci que estava assistindo, esqueci que tinha uma Coca e por mais que volta e meia o filme exagerasse com uma posição de câmera "artísticas", tivesse algum diálogo fora do lugar e algumas coisas um pouco lamentáveis tipo a aparição da Taylor Swift (literalmente uma aparição), o ritmo me envolveu. Foi definitivamente uma história que me acrescentou.

Como em breve desenvolverei no texto sobre distopia, as distopias são marcadas pelo exagero. 

Exagero de homem gostoso -nnnnnnn

Em "O Doador de Memórias" o exagero é baseado nas emoções. Deveria ser memórias, mas "memória" é uma palavra insuficiente aqui (precisão de linguagem!!!). Não é só lembrar de algo, mas todas as sensações e significados que vêm com esse algo. A sociedade no filme em prol da igualdade e paz suprimiu tudo isso e o filme discute a importância das "memórias". 

A história me fez pensar na importância de estar vivo e fazer as coisas. Questiona por que as coisas "ruins" são feitas. Me fez pensar na importância das memórias de uma maneira geral - de lembrar que o mundo é gigante, outras histórias estão acontecendo e que nós podemos rouba-las para nos fortalecer. 

"Então você tá me dizendo que as memórias guardadas nos livros são importantes?"
Aliás, tem uma ótima que eu indico: Jogos Vorazes

Como ação, o filme deixa a desejar e eu nem acho que esse seja o objetivo (ele é um drama!). Jonas não é um guerreiro rebelde matador. Pelo contrário, é até legal observa-lo durante a história protegendo um bebê, chorando, se abrindo para o amor. O pai dele também se mostra muito mais sentimental do que a mãe. Aliás, todos os personagens homens de algum modo são mais sentimentais do que as mulheres. E a garota - mesmo que desde o início ela esteja ali para "fazer os garotos sorrirem" e ser o par romântico-motivação do principal, é muito legal ver que ela toma as próprias decisões baseadas no que ela quer. Esse é um grande exemplo do que eu acho mais importante no texto sobre a "Síndrome Trinity" - o problema não é exatamente a mulher ser usada como motivação para o protagonista, é quando ela perde a personalidade para virar uma bengala para dar tempo do cara ser incrível. Esse não é o caso da menina em O Doador de Memórias, mesmo que em um papel "de mulher". (por que não podia ser ela que vira "pilota"? faz até mais sentido...)

eu sou uma cegonha adorável 

papai
a garota. descobri que atriz Odeya Rush nasceu em Israel!


E o universo? Eu adoro universo de ficção científica, ainda mais distópico/utópico, ver isso ser explorado nas telas é bem legal. 

Só para lembrar, acho importante dizer que uma parte do filme é em preto e branco e isso é instrumental para a história. Não, a tela do cinema não está com defeito. 

-dana martins


- "O Doador de Memórias"
- The Giver (2014)
- Direção: Phillip Noyce
- Roteiro: Michael Mitnick, Robert B. Weide
- Elenco: Brenton Thwaites, Odeya Rush, Cameron Monaghan, Jeff Bridges, Meryl Streep, Katie Holmes, Alexander Skarsgård, Taylor Swift...
- Drama, Ficção Científica - 97 min 
- Nos cinemas brasileiros desde 11 de setembro de 2014.
- Leia nossa opinião sobre o livro


"Listen to what's calling from inside"





Sobre a nota: Não foi incrível, mas me fez pensar e me animou. Eu gostei. 


Nota:

(4 conversinhas)



Algumas imagens e comentários:

se eu te beijar mesmo sem você saber se quer, isso conta como abuso?

Imagens exclusivas de uma adaptação de Harry Potter da época do cinema preto e branco

Pôsters que só fazem sentido depois do filme.
E que teria um conceito melhor se a faixa fosse só com os doadores de memória
Meryl Streep mostrando o swing no set de filmagem.
isso aqui é uma maçã e está prestes a rolar uma metáfora
a taylor swift me disse que beijar na chuva é melhor

achei relevante

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3 comentários

  1. VI O FILME ONTEM E QUE POST MARAVILHOSO, DANA <3333
    Acho que você traduziu meus pensamentos. Aliás, quando a Meryl Streep fala "você possui as 4 qualidades" eu já emendei mentalmente um "eles chamam de divergente" HAHAHAHAHAHAHAHAH
    Mas a organização da sociedade é muito Sociedade meeeeeeeeesmo, até a divisão específica das profissões que eles escolhem. Acho que um filme dessa série teria muito em comum.
    Só fiquei um pouco "tá e aí?" porque o filme é muito muito curto. Não pareceu faltar nada além de um final, o que é compreensível porque tem mais uns 3 livros depois, mas é muito curto.
    (E amei a participação de 2 segundos da Taylor. A personagem dela é extremamente relevante, só que não pro presente da história. :| )

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Adendo: não fiquei nem um pouco surpresa com o "Odeya Rush é de Israel". Não porque sabia, mas porque ela é a cara da Mila Kunis em alguns momentos??????????????

      Excluir
  2. Não, eu rachei de rir lendo esse post kkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Vi o filme também, e você me fez pensar em algumas coisas que eu não tinha pensado antes.
    Bem, não gostei muito do filme, mas achei legal a mensagem kk
    Lembrei, lendo o comentário de cima, que quando acabou o filme eu continuei sentada na cadeira do cinema esperando o resto, PORQUE ACABOU MUITO DO NADA!! esperei até por cenas extras. Desapontada.
    Valeu a tentativa né.

    sushibaiano.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

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