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Todo Dia, de David Levithan

16.8.14Paulo V. Santana


Minicrítica ~ Resumo:
A cada dia que passa, A é uma pessoa diferente. Sua personalidade é a mesma, mas habita um corpo diferente. Sempre foi assim, mas esse “talento” passa a ser um problema para A quando se apaixona por Rhiannon. Como ficar com a garota que ama se a cada dia é alguém novo?

Embora a ideia da história amorosa seja excelente, não me convenceu. O romance foi cansativo e não consegui simpatizar com a Rhiannon. No entanto, a troca de corpos provoca tantos questionamentos que valeu pelo livro todo. A cada nova pessoa que A habita é um novo aprendizado, por isso recomendo a leitura.

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David Levithan, o autor
Você já parou para pensar com é estar no corpo de outra pessoa?

Desde que nasceu, A nunca habitou um mesmo corpo por mais de um dia. A cada manhã, acorda dentro de uma pessoa completamente diferente. A idade do hospedeiro sempre corresponde à sua própria idade, mas o gênero, o tipo físico, a cor da pele… tudo muda.

Depois de dezesseis anos de experiência, ser uma pessoa diferente a cada dia já não é mais algo tão complicado para A. Apesar de alguns dias serem mais difíceis que outros, no geral basta acessar a memória do indivíduo, realizar suas atividades regulares e seguir em frente. A tem seus próprios questionamentos, como a razão da sua vida ser dessa forma e se há outros como ele, mas não há muito o que possa fazer para mudar.

Até que se A se apaixona. Rhiannon, a namorada de um menino cujo corpo ele habitava, encantou A. Ela podia não ser bem tratada pelo namorado e até meio invisível para o mundo, mas A vê algo diferente nela. A sabe quem Rhiannon realmente é. Mesmo no dia seguinte, já em outro corpo, não consegue tirá-la da cabeça. Nem no outro, nem no outro, nem no outro. A não consegue esquecer Rhiannon, mas como manter um relacionamento quando você é uma pessoa diferente todo dia?

Ao longo do romance, Levithan desenvolve esse amor que parece ser impossível concretizar, e por isso mesmo não me conquistou inteiramente. No início, é tudo ótimo. Você se envolve no dilema de A em querer se aproximar de Rhiannon apesar dos impedimentos (além de ser sempre um desconhecido, nem sempre o corpo morava próximo da cidade dela), ter que assumir quem realmente é e expôr seus sentimentos. Só que essa luta pelo amor se torna repetitiva. Entendo as motivações do personagem, claro, mas perdi a conexão com a sua jornada romântica depois de alguns capítulos. A quer tão desesperadamente essa menina que cansa, e a própria Rhiannon - uma figura bem idealizada, diga-se de passagem - passa a ser igualmente cansativa.

Não deixei de gostar do livro por isso, porque os questionamentos valem a pena. Se você leu a sinopse e a paixão impossível pareceu mais atraente, diria que o “dom” de A é muito mais cativante. São diversas personalidades nas mais diversas condições. Um dia, por exemplo, A acorda como uma menina que é submetida a um trabalho escravo, ao passo que em outro é uma mini-Beyoncé. A diversidade de características foi um grande acerto, e as questões sobre gênero e sexualidade que podemos tirar do livro também são importantes.


A Rhiannon, pelo que é descrito, é heterossexual, enquanto A não tem gênero ou sexualidade definidos. Para o protagonista, que já viveu em várias posições diferentes, não há distinção entre masculino, feminino ou outro gênero. Todos são pessoas, e elas vão muito além de sua identidade de gênero. Um ponto interessante é a reação da Rhiannon diante do corpo em que A está; mesmo que ela sempre reconheça A ali, seu afeto é mais evidente quando o corpo é masculino, resistindo a figuras femininas. A, por ter crescido nos mais diversos corpos, não percebe diferença e chega a se incomodar com essa reação, já que por dentro é sempre a mesma pessoa e somente isso deveria importar.

E a pergunta que pode ficar para o leitor é: e por que A é assim? Felizmente, não temos uma resposta. Comemoro porque não havia espaço para responder tal questão, além de ser desnecessário. Há até uma parte da história sobre o que é A e a possível existência de outros assim, mas sua conclusão não acaba em uma resposta definitiva. O objetivo nunca foi explicar os motivos, e sim trabalhar com as consequências. A curiosidade é instigante, abre mais espaço para o leitor pensar.

Não posso negar que “Todo dia” foi uma boa leitura, mas a sensação de que poderia ser melhor esteve sempre presente. Recomendo pelos questionamentos, mas não vá querendo o melhor romance do mundo.

P.S.: Há um conto em ebook chamado “Six days earlier”, que conta alguns dias de A antes dos eventos iniciais de “Todo dia”. Me parece bem interessante, já que o meu interesse principal foi a troca de corpos. Além disso, está prevista para o ano que vem uma sequência chamada “Rhiannon”. Até onde eu sei, ainda não há sinopse, a única informação é que será narrado pela menina. Tenho minhas dúvidas. Se for a história da Rhiannon depois de tudo talvez seja bom, mas só o ponto de vista dela sobre a mesma história... não, obrigado.


- Livro: Todo dia
Autor: David Levithan
- Editora: Galera Record






Nota:
(4/5 conversinhas)

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3 comentários

  1. Li esse livro já faz um tempinho e gostei principalmente como o autor criou uma personalidade diferente e convincente para cada um que A se hospedava, também achei que faltou alguma coisa mas não deixa de ser um bom livro.

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  2. Acho o plot desse livro muito interessante (E, gente, quem vai querer uma sequência com a menina se a graça é a troca de corpos?), mas peguei trauma desse autor em Will & Will. Não gostei muito do livro, mas tenho certeza que meu desgosto veio da parte que ele escreveu :-/

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  3. Um livro fantástico!! meu preferido do Levithan
    Parabens pela resenha sucesso pra ti!
    Oficina do Leitor / Facebook

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