contos Diego Matioli

Três livros de... contos

11.2.14Diego Matioli


Nesse mar de longos livros, o conto é uma arte em extinção. Formato que serviu de porta de entrada para tantos grandes autores no meio literário, e que serve até hoje para nos apresentar a jovens com potencial através de antologias coletivas. É pecaminoso assumir que nós não lemos tantos contos quanto deveríamos.

Sabiam que a ganhadora do Nobel do ano passado, Alice Munro, é uma contista? Esta mulher alcançou a consagração máxima da arte de escrever sem nunca ter publicado uma história longa.

Claramente contos têm mais potencial do que o crédito que normalmente damos a eles, então que tal dar uma chance a esses títulos aqui?



COISAS FRÁGEIS
Neil Gaiman é tido como um dos maiores mestres da fantasia contemporânea, mas poucos sabem que ele se consagrou mesmo com seus contos e histórias em quadrinhos, muito antes da publicação de seu primeiro livro. Coisas Frágeis, sua mais recente compilação de histórias, é uma verdadeira exposição de mundos fantásticos ricamente caracterizados em breves páginas, mostrando todo o potencial que o formato possui. Genioso como é, seus contos apresentam uma grande gama de estilos e formatos, do investigativo ao cômico sem perder os traços que o fazem famoso. Pena que o livro foi dividido em dois volumes aqui no brasil, tornando sua aquisição mais dispendiosa.

Uma das partes mais legais de “Coisas Frágeis” é que ele começa com relatos de Gaiman tratando a respeito da produção e publicação original de cada um dos textos. Tem de tudo, contos que ficaram na gaveta por mais de uma década a história pedidas de presente de aniversário por sua filha. Para quem gosta de saber um pouco do que há por trás da escrita dos autores, é um prato cheio.


É CLARO QUE VOCÊ SABE DO QUE ESTOU FALANDO
Miranda July faz parte daquele nicho de autores estranhos e alternativos, mas que definitivamente mereciam mais destaque do que recebem. “É claro que você sabe do que estou falando” entra nesta lista por apresentar uma proposta tão diferente do que as pessoas costumam entender do formato de Contos. Suas histórias não são sobre uma moral ou possuem uma reviravolta sagaz no final. Ela não precisa disso, pois a mágica de sua escrita está diluída nos parágrafos. Está na forma com que narra histórias aparentemente sem foco, mas que vão te preenchendo das mais variadas emoções.

Quando o título diz “É claro que você sabe do que estou falando”, não é uma mentira. Você sabe. Você sente exatamente aquilo que os personagens estão vivendo. E esse é o proposito de seus contos: ler algo assim é uma experiência incrível.



ANTES DO BAILE VERDE
Sou da opinião que a leitura de Lygia Fagundes Telles deveria ser mandatória, e podem ter certeza que voltarei a falar de seu trabalho por aqui um dia. Esta mulher é de uma capacidade de observação surreal, sabendo trazer os personagens a tona através de pequenos detalhes e gestos. É triste ver que seu nome não é tão falado ao tratar de literatura nacional. O charme de “Antes do Baile Verde” está na temática que permeia a obra. Como o nome da compilação indica - nome este compartilhado com o conto mais premiado da autora - ela não vem para falar sobre o baile, mas do que vem antes dele.

Seus contos expõem os minutos que antecedem os grandes momentos, as grandes decisões, onde toda a situação é construída pelos sentimentos e opiniões dos personagens. A história não é contada, mas mostrada para nós como se estivéssemos assistindo da janela o que acontece com nossos vizinhos. Para quem gosta de retratos sociais, esta é a escolha certa.

E aí, algum título atiçou sua curiosidade?

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5 comentários

  1. CONTOS <3 O "Histórias abensonhadas" do Mia Couto também é a coisa mais linda desse mundo *-*

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    1. Sabe que ouço falar horrores do Mia Couto mas nunca tive a oportunidade de ler nada dele? Preciso parar de enrolar e providenciar logo, ainda mais sabendo que ele escreve contos<3

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  2. Ótimo post! Já li alguns avulsos de Antes do Baile Verde, mas nunca li Neil Gaiman e nem conhecia Miranda July. Aliás, fiquei muitíssimo curiosa em relação a esta última; essa característica de apresentar uma proposta diferenciada, de sair do comum, isso me atrai profundamente.

    Um beijão, Livro Lab

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    1. De fato, acredito que, dos três, ela seja a que apresente uma proposta mais diferenciada. Digo mais: o livro de July influenciou muito meus próprios contos. Foi através dela que eu entendi que as vezes, autenticidade emocional é mais importante do que cumprir uma formula narrativa. Espero que você goste, depois nos conte o que achou da leitura!

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  3. O Coisas frágeis é um livro que eu conheço, mas que nunca me chamou a atenção, tanto que nas várias promoções do submarino e ele a preço baixo eu não comprei. Na verdade, os contos não são o gênero que mais gosto, pra mim ta faltando conteúdo, detalhamento e por ai vai. Opinião minha!!

    Bjs, @dnisin
    www.seja-cult.com

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