Ana Luíza Albacete CCFilmes

Por Dentro do Oscar 2014: "Trapaça" + "Capitão Phillips"

15.2.14Michelle


Hoje é a segunda CCSexta só poderia ser... Oscar! Somos loucos por cinema, e falar sobre os indicados dessa premiação já virou tradição por aqui. Vai funcionar assim: toda semana falaremos sobre dois filmes da categoria principal (3 na última semana porque são 9 filmes no total). Nesta segunda semana do especial, falamos sobre mais dois indicados: o drama de ação “Capitão Phillips” e a comédia de golpes “Trapaça”. Preparados? Vem com a gente!


>>> Trapaça
Título Original: American Hustle
Direção: David O. Russell
Roteiro: David O. Russell, Eric Singer
Elenco: Amy Adams, Bradley Cooper, Christian Bale, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner, etc

>>> O que a Michelle achou:
A primeira coisa que chama a atenção em “Trapaça” é o elenco estelar, que pode se dar ao luxo de ter Robert De Niro fazendo uma participação especial. Olhando o cartaz mais atentamente, percebemos que os atores principais já trabalharam juntos anteriormente e, vejam só, em um filme de David O. Russell. Hummm... isso pode ser ótimo ou um desastre completo.

Sobre o que é o filme? Irving Rosenfeld (Christian Bale) e Sydney Prosser (Amy Adams) são amantes e parceiros de negócios em uma empresa de investimentos de fachada. O empreendimento da dupla cresce vertiginosamente e acaba chamando a atenção do FBI. Obrigados a trabalhar como infiltrados para o agente Richie DiMaso (Bradley Cooper), Irving e Sydney se envolvem em um intrincado plano para desmontar esquemas de corrupção na política e capturar mafiosos. Eles só não contavam com a participação indesejada da esposa de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), que pode por tudo a perder.

O que eu achei? Sou suspeita para falar, já que adoro tramas cheias de reviravoltas e planos mirabolantes. Personagens que fazem jogo duplo e golpistas dissimulados são comigo mesmo. E isso não falta em “Trapaça”. A dinâmica entre Irving e Sydney é perfeita e a entrada de DiMaso na jogada dá uma temperada na relação. Não sabemos se Sydney está seduzindo o policial para fazer ciúme ou se tudo faz parte de um plano para distrair sua atenção do golpe que ela planeja com Irving. Com seu jeitinho amalucado e fútil, Rosalyn complica ainda mais o frágil equilíbrio da relação entre Irving-Sydney-DiMaso e acaba envolvida na operação do FBI. Aliás, Lawrence consegue ficar no centro dos holofotes em suas aparições e sua cena de cantoria já pode ser incluída na lista de momentos marcantes do cinema.

Vale destacar ainda a caracterização dos personagens, cheia dos excessos e da breguice do fim dos anos 70/início da década de 80. Nada mais característico que os decotões de Sydney, a juba armada e o temido permanente. A trilha sonora de época, igualmente grudenta e adorável, ajuda a criar o clima.

Resumindo: a trama é boa, os atores são ótimos, a caracterização é perfeita, a trilha sonora é nostálgica e me diverti pra caramba, mas não acho que seja um "filme de Oscar". Um passatempo delicioso que recomendo sem pensar duas vezes, mas daí a ter recebido o tanto de indicações que recebeu... um pouco exagerado, na minha opinião.

Minha nota:





>>> Capitão Phillips
Título Original: Captain Phillips
Direção: Paul Greengrass
Roteiro: Billy Ray
Elenco: Tom Hanks, Barkhad Adbi, Barkhad Adbirahman, Michael Chernus, Chris Mulkey, Catherine Keener...
>>> O que a Ana Luíza achou:

Sobre o que é o filme? Richard Phillips é um capitão experiente da Marinha Mercantil Americana e ele é obrigado a atravessar o mar Somaliano. Quando Phillips se dá conta, alguns piratas se aproximam do navio cargueiro e Richard e sua tripulação são sequestrados.

O que eu achei? Acabei de assistir ao filme e antes disso o julgava como um típico filme americano que exaltava o quão compreensíveis e inteligentes os americanos são para sair de uma situação difícil.

Então, começou o filme. A cara de Tom Hanks quando vê Barkhad Abdi pela primeira vez pelo binóculo e quando Adbi invade a cabine do capitão, eu notei que o filme seria para mostrar como um ser humano tentar sobreviver à um sequestro. Na verdade, o filme mostra os extremos, os Somalianos mortos de fome, com raiva do mundo e, em contra partida, temos um americano que tem tudo do bom e do melhor, mas não perde a sua alma boa e não fica achando que ele é superior a qualquer coisa.

A direção do filme é impecável. A opção de usar a câmera na mão dá uma impressão de que parece um filme documentário e não uma ficção com atores e tudo ensaiado. Aplaudo a ideia de Paul Greengrass de não ter apresentado os atores somalianos e americanos antes de começar as gravações (Tom Hanks viu Barkhad Abdi e seus amigos pela primeira vez em cena).

"Capitão Phillips" pode ser um dos melhores trabalhos de Hanks, já que só esse ano ele mostrou sua versatilidade com este filme e com "Saving Mr. Banks". Confesso que não é só Hanks que se destaca, os atores coadjuvantes todos me surpreenderam bastante, Barkhad Abdi (Muse) se destaca com seu tom irônico, já Barkhad Adbirahman (Bilal) mostra toda uma revolta e raiva com muita intensidade.

O roteiro funciona bem, mas o que mais me impressiona é o fato dele não ser tão obvio, por exemplo, Phillips é um "herói", mas ele não é do tipo que quer fazer as coisas rápido para se resolver logo e acabar. Não, ele pensa bastante no que tem que fazer, afinal ele é capitão de um navio e tem que pensar no que é melhor para aquele navio e toda a sua tripulação. Acho que é isso que encanta bastante no filme, o fato de o personagem principal ser humano e ter uma alma. O que é bastante difícil achar em filmes hoje em dia.

Eu considero "Capitão Phillips" um filme muito bom porque te prende do início ao fim, não tem muitos buracos... Enfim, é um grande filme e com grandes chances de levar alguma estatueta para casa.

Minha nota:




>>> O que a Michelle achou:
Eu esperava um típico filme de ação americano, cheio de explosões, músculos e adrenalina. Encontrei uma trama que foca nas ações de um homem comum ao se deparar com uma situação-limite. O Capitão Phillips de Tom Hanks está longe de ser o herói que deixa um rastro de destruição para fazer justiça com as próprias mãos. É apenas um trabalhador e pai de família que enfrenta um dia ruim no desempenho de sua função. A tensão, sustentada ao longo de todo o filme, vem do fato de tudo acontecer em um ambiente fechado, em condições extremas, com a pressão do tempo e da marinha americana (essa sim a parte demasiadamente patriótica – e irritante). Mais um filme que me agradou por não se mostrar óbvio, mas que considero superestimado.

Minha nota:



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