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Como é ler algo do Haruki Murakami?

15.2.14Paulo V. Santana


O guia da nossa viagem pelo Japão durante o mês de fevereiro é o Haruki Murakami, autor do fenômeno "1Q84". Enquanto a nossa discussão - dia 23, marquem na agenda! - não chega, que tal conhecer a experiência de quem já leu livros do escritor? Para isso, chamamos o Gabriel Martins, um dos participantes do projeto para compartilhar o que ele já leu. Vem, gente! 

>>>Ainda não conhece o #VAM12L? Corre nesse post aqui, ainda dá tempo de participar! 


Confesso: não li muito dos trabalhos do Murakami, e nenhum dos que li tinha os elementos fantásticos, que causam estranheza em muitas pessoas; também devo dizer que o pouco que li me enfeitiçou completamente – até tinha comprado o “Dance Dance Dance” sem saber que ele era uma continuação do “Caçando Carneiros”.

O primeiro livro que li dele foi o “Norwegian Wood” em 2012, também foi o primeiro livro que li em inglês (a edição da Vintage era bem barata, e eu não sabia que os livros dele já haviam sido traduzidos), e, até então, não tinha lido quase nada de literatura adulta, a não ser pelos clássicos da escola. Demorei um pouco para engatar na leitura, o livro me encantou bem aos poucos; o que eu achei mais notável foi a simplicidade da escrita, sem frases rebuscadas ou diálogos que pareçam improváveis, e a sensibilidade com a qual Haruki tratava de vários tópicos difíceis em meio a trama: suicídio, depressão, solidão, carência, e o romance complicado entre os protagonistas, Naoko e Toru. Além disso, o livro é recheado de referências literárias e musicais, o que eu adoro.

Logo em seguida, peguei o “Do que eu falo quando falo de corrida” porque eu achei o título sensacional (não vou mentir, também era um dos livros dele mais em conta e eu estava sem dinheiro) e não me decepcionei. No curso do livro, o autor fala muito sobre como corre diariamente e, ocasionalmente, corre maratonas, o que mais me chamou atenção nele é que Haruki não se diz um escritor particularmente talentoso ou inspirado: ele simplesmente escreve de maneira rotineira, assim como realiza suas corridas. Fora isso, ele fala um pouco de sua história, como quando arriscou tudo ao fechar seu bar para perseguir a carreira de escritor, o que, ainda bem, deu certo; e algumas de suas influências, como o F. Scott Fitzgerald (“O Grande Gatsby” não só é um dos livros preferidos dele, como ele também foi o tradutor de uma das edições japonesas) e o Raymond Carver (O título é uma referência a um livro dele, “Do que falamos quando falamos de amor”). Enfim, eu terminei o livro com vontade de correr uma maratona e escrever um livro, de tanto que gostei dele.

Dentre os próximos do Murakami que eu quero ler, estão especialmente o “Dance Dance Dance” e o “Caçando Carneiros”, fora o “Após o anoitecer” e “Blind Willow, Sleeping Woman” que são os de contos – eu particularmente adoro contos, mas nunca nem procurei nenhum do Murakami na internet pra ler, acabei passando um bom tempo sem ler mais nada dele (também sofro do mal dos livros empilhados na estante para serem lidos), mas é algo que, definitivamente, está entre as minhas perspectivas futuras.

-Gabriel Martins (twitter)


E aí, como foi ou está sendo a sua experiência com os livros do Murakami?

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2 comentários

  1. Por enquanto só li a trilogia 1Q84. No geral, a experiência foi incrível; pela narrativa, pelo universo criado, pela profundidade dos personagens, enfim... Mas não posso deixar de falar que me decepcionei com o término da trilogia. As explicações - que eu considerava fundamentais - nunca vieram. Enfim, um "detalhe" que não chegou a estragar minha experiência com o autor, cuja narrativa me conquistou. Ainda quero ler muito mais dele!

    Um beijo, Livro Lab

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  2. Opa, Após o anoitecer não é de contos não! É um romance curtinho.

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