a lenda de korra aang

Discussão: Heróis matam?

2.11.13Dana Martins


Se um herói mata, qual é a diferença dele para um vilão? Os heróis hoje em dia estão rompendo a barreira do bem e do mal e se tornando assassinos? 

Hoje o post vem carregado de questionamentos sobre o papel do herói (e o herói hoje em dia). Tudo isso aproveitando a onda do último filme do Super-Homem, "O Homem de Aço", e situações parecidas por aí, como em Avatar (A Lenda de Aang e A Lenda de Korra). Eu encontrei esse texto no grupo do Mundo Avatar e achei tão bom que valia a pena trazer para cá, com autorização do autor. Espero que aproveitem essa conversa tanto quanto eu!

HERÓIS MATAM? por Wilker Sthal
(Aviso: SPOILERS sobre o novo filme do Superman, Man of Steel)


Olá galera, não sei quanto ao pessoal mais novo, mas eu cresci vendo super-heróis clássicos, como os da Liga da Justiça (alguém aí lembra dos "Super Amigos"? hahaha), dos X-men, Homem-Aranha, etc.

Pra ser sincero, eles chegaram até a me influenciar de certo modo, na minha visão de justiça, e nos conceitos de bem e mal.

Os heróis, independentemente da época, são representantes máximos de todos os valores positivos de acordo com a sua era. São exemplos a serem seguidos, uma inspiração para a humanidade.

Bom, vamos direto ao ponto: se você pegar esses heróis antigos, e comparar com os atuais, você vai notar diferenças. A que eu vou abordar aqui é a que aparece no título desse post.

Os heróis com quem eu cresci, que ajudaram a moldar meu caráter, valorizavam uma coisa acima de tudo: a VIDA. Não importa se fosse uma vida humana inocente, a de um gatinho numa árvore, ou mesmo a de um vilão. Eles fariam todo o possível para protegê-la.

A questão aqui é: podemos dizer o mesmo dos heróis hoje em dia?


Por que eu pergunto isso? Em Man of Steel, Superman quebra o pescoço de um inimigo, matando ele. Esse não é o MEU Superman, não é o Superman com quem eu cresci. É o Superman da geração atual.

E agora eu vou dizer por quê essa postagem não é só mais um "mimimi" sem sentido: muitas pessoas aprovaram a atitude dele de matar. "Ele não teve escolha", "o vilão mereceu", "ele fez isso para proteger pessoas". Na minha cabeça, essas justificativas não se encaixam. Na minha mente, o herói que eu conheci usaria o próprio corpo como escudo, sacrificaria a própria vida para não tirar uma.


E aqui a parte onde Avatar entra, mais precisamente, Aang. Aang compreende todo o valor da vida, bem como a extensão da gravidade de acabar com ela. Mesmo a Nação do Fogo tendo exterminado todo seu povo, entes queridos de seus amigos... A vida vale mais que a raiva e o sentimento de vingança. Por isso, ele é considerado antiquado por seus amigos, e até por suas encarnações passadas.

Quanto à Korra, parece que há vários fãs se perguntando "por que ela só não entra em estado avatar e mata o Unalaq?". O que me dá medo é que isso realmente pode acontecer. Korra não pensa do mesmo modo que Aang, e já chegou a ameaçar a vida de um juiz.

Querendo ou não, isso é um reflexo da nossa sociedade. O medo nos faz encontrar na morte uma solução. Quando vemos bandidos morrendo, nos sentimos mais seguros. Mas estamos?

A humanidade teve penas de morte durante dezenas de milhares de anos. Isso não acabou com o mal. A morte não acaba com o mal. O que acaba com o mal é a compaixão.

Se heróis e vilões matam, qual a diferença entre eles? Com que direito alguém pode decidir sobre o destino da vida de outra pessoa?~

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-wilker sthal (editora por dana)

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4 comentários

  1. A diferença está, ao meu ver, nas circunstâncias em que se mata. Numa guerra você mata visando um bem maior. Alguém faz o mal para que o bem prevaleça. Existem diferentes tipos de maldade, e matar para salvar uma vida, ou a própria vida, é diferente de matar por querer ou por crueldade. Quem comete barbaridades merece SIM morrer. Se você tivesse uma chance de voltar no tempo, não mataria o Hitler, por exemplo? Ensinaria compaixão a ele e aos seus comandantes? Não é questão de certo e errado, e sim, de crueldade. No caso do Zod, ele matou milhões e mataria mais milhões até que o mundo acabasse. Lições de vida não o ensinariam nada, e ele podia até ser exilado, mas seria questão de tempo até matar alguém. O Superhomem fez uma escolha, não uma nobre, mas algo sujo que infelizmente era necessário e que faz parte da natureza. TODOS nós temos um lado negro, e todos já tivemos aquele momento em que queríamos que alguém morresse, é hipocrisia negar. A questão é a circunstancia em que se faz.

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  2. Sempre que se debate a questão da morte como punição pelos atos cruéis de determinados indivíduos, lembro da sabedoria das palavras de Gandalf no livro "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel". Ao ser questionado por Frodo sobre o porque de Bilbo não ter matado Gollum, Gandalf responde: "Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem viver. Você pode dar-lhes a vida? Então não seja tão ávido para julgar e condenar alguém à morte. Pois mesmo os muito sábios não conseguem ver os dois lados." Considero essa uma questão muito séria para se ter uma resposta tão rápida do tipo: "Sim, devem morrer por seus atos" (meio ditatorial e vilanesco não?) ou ainda sua contraparte: "Jamais! Não se deve fazer algo tão hediondo!"
    Sempre imaginei os heróis como os seres que entendem o valor da vida sobre qualquer coisa. Uma vida perdida é algo gigantesco, algo que não pode ser simplesmente desfeito e esses seres superpoderosos entendem isso plenamente. Concordo com o autor quando pergunta: Se um herói mata, qual a diferença dele para o vilão. Afinal os vilões não matam só por prazer, mas porque julgam que os fins justificam os meios. "Ora se é necessário que alguns milhões de pessoas morram para que eu atinja meu objetivo (seja ele qual for, em alguns casos um objetivo até nobre), tanto faz para mim!" Esse é o pensamento do vilão. Em minha mente um herói que pensa de maneira similar ("Devo matar o vilão para proteger milhares ou milhões!") também julga que os fins justificam os meios e na realidade tratou de resolver o problema de maneira simples, direta e o mais covarde e preguiçosa possível: "O mato e pronto, problema resolvido!" Será mesmo? Ou ele passou a ser que nem o vilão?
    A questão da circunstância conta muito é verdade. Zod realmente matou milhões e afirmou categoricamente que não pararia. Mas não tem como não ficar com um gostinho amargo ao ver como tão rapidamente o herói decide-se pela pena capital.

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    1. Sabe aquele ditado que diz que quando se olha pro abismo ele te olha de volta? É exatamente esse o dilema. Como combater vilões sem se sujar? Na minha opinião é impossível. Simples assim. Pode até ser radical, mas dai você pensa, tá vou prender o cara. Mas ele tem super poderes, de modo que é obvio que ele vai se soltar e quando ocorrer, matar mais um bocado de gente. O que se faz então? Esse superman foi feito pra essa geração, criada com 007s psicopatas, Jason Bournes, e filmes de ação que meio mundo morre a cada cena.
      Lembrando também o fato de que o Clark foi criado como um humano, e com os mesmos valores que nós temos. Ele não é um herói perfeito nascido do dia pra noite, ele é um homem com super poderes. Foi sim sujo e preguiçoso o que ele fez com o Zod, mas foi o mais lógico. Não sejamos ingênuos ao acreditar na redenção, pois nem todos se redimem, e saindo da ficção, basta ver as notícias que você vai ver coisas que fariam até a alma mais bondosa se revoltar e ser a favor de matar o culpado.

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    2. Gostei muito dos questionamentos de vocês. Eu gostei de lembrar como essa ideia de que vale matar por um bem maior é justamente o que às vezes o vilão faz. Hitler mesmo, matou 923832 pensando nesse bem maior. Tem um livro chamado Wearing The Cape onde o "vilão" é um cara que ganhou o poder de viajar no tempo, mas quando isso aconteceu criou um paralelo e duas versões dele passaram a existir (como no caso do gato de Schrödinger, em que as duas opções coexistem até a caixa abrir). E aí que os dois viviam juntos e tudo certo, até viajarem pra um ponto no futuro e descobrirem como tudo ia dar errado para a raça humana. Então ambos começaram a lutar para conseguir salvar, mas discordando quanto aos meios.

      O caso do Zod mesmo, o que ele queria (até quando brigou com o pai do Clark) era salvar o planeta deles. E continua querendo salvar mesmo quando vem pra Terra.

      Acho que o problema é definir quando alguém é digno de matar e em que situação isso aconteceria. Tem muuuitas opções sem saída por aí, ou que parecem sem saída. É um dilema enorme.

      E essa questão do abismo é justamente o que eles desenvolveram na trilogia do Batman no cinema, muito legal. (:

      -dana

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