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5 Exercícios para ficar mais Criativo - Parte 1

13.8.13Dana Martins


Está com o problemas para escrever? Te desafio a usar essas 5 dicas e não conseguir encontrar seu espírito criativo. O texto é baseado nas dicas que o Cracked deu (inglês), mas eu fiz minha própria versão e comentários. E é aquilo: sem corpo mole. Obrigue seu cérebro a seguir as dicas. Faça uma delas agora mesmo. E mais tarde aproveite o resultado. (: 

5- Termine sua história abruptamente

Está com dificuldade em começar a escrever?

Não comece. 

Por que não terminar a sua história? Por que não ir direto para aquele final épico? O momento em que a trama bem feita é revelada e o leitor se surpreende. O momento em que o herói finalmente cai nos braços da mocinha. Trate como se os leitores já soubessem de tudo, escreva como se todo aquele desenvolvimento tedioso já existisse, vá direto ao que interessa. 

Pra que escrever toda a história se a parte legal é a que o dragão aparece?

A importância dessa dica é 1- escrever algo que te interessa. 2- Ter um objetivo. Alguns autores usam o "truque da última frase": escrevem primeiro a última frase e depois tentam chegar lá. Mas aqui a ideia é escrever o grande final inteiro. As duas últimas páginas. Entre no meio da ação final. Você não precisa se preocupar com a qualidade ou se está certo porque a história que você está terminando nunca existiu. Depois você vai até reescrever tudo isso, mas o importante está feito: você tem um objetivo. Histórias grandes podem te fazer sair do trilho, então começando pelo final é uma garantia de que você vai terminar no lugar certo. Ou mesmo que você nunca realmente escreva essa história, você vai virar um ninja de finais épicos! 

Se eu já tivesse essa dica, seria poupada de anos sem escrever me convencendo de que eu só tinha ideia de finais. Aliás, eu acabei de perceber que nesse Camp NaNoWriMo eu fiz isso. O meu segundo conto foi com um personagem do primeiro conto. Ele aparece em uma cena e morre. O final do segundo conto é justamente esse momento. Sabendo onde eu ia chegar a história caminhou muito melhor, fechando o arco direitinho. (já o primeiro conto...)


Um exemplo pra mostrar que pode ser qualquer tipo de fim:

Quando finalmente chegamos ao nada, as lembranças de Winstall parecem apenas um sonho. O caos em volta da base dos doks. Carros da Corpol surgindo de todo lugar. O símbolo da Liga em uma caminhão. Soldados da Área tentando fugir. O barulho de helicópteros, repórteres, tiros e bombas. Mesmo a transmissão do Adoks que nós assistimos no caminho parecia apenas mais uma miragem no deserto.

E quando o carro desce em uma entrada subterrânea, até o deserto vira apenas memória. Nesse novo lugar há novas pessoas e muitos sorrisos. Ninguém imaginaria que criariam um esconderijo embaixo do perímetro radioativo. Essa informação protegida por esses guerreiros embaixo da terra é o que os salva do resto do mundo. Os outros não sabem, os outros não podem interferir. Aqui eles levam a própria vida em segurança. E aqui novamente eu me encontro entre paredes diante de uma admirável vida nova.

Isso tudo é demais para mim. Eu procuro a saída e encontro uma passagem pela caverna. No começo a luz é tão forte que eu mal posso enxergar. Então meus olhos se acostumam e eu me vejo completamente sozinha no deserto. Um céu azul infinito sobre a minha cabeça. Um mar de areia ao meu redor interrompido apenas pela enorme pedra que é a montanha de onde eu saí. Eu não tenho como ir muito longe. Caminho até estar livre o bastante para respirar sem um teto bloqueando o vento.

Eu me sento no chão, de repente cansada demais. Largo a lata com o remédio. Carrega-la parece um esforço desnecessário. Então é apenas eu, terra e uma lata fria com um remédio que poderia estar salvando a vida de muitas pessoas. Nós estamos aqui completamente abandonados enquanto o mundo continua girando ao nosso redor. Talvez ele não esteja nem girando, porque essa informação é o que a minha memória me diz e eu não tenho como saber se é verdade. Aos poucos, nós somos mais terra do que eu e um remédio. O vento brincando ao nosso redor, ele serpenteia para lá e para cá como uma criança feliz. Rindo enquanto somos enterrados.

4- Deixe a sua história maluca


Essa eu uso bastante e já até falei em algum momento do Clube de Escrita: faça algo de louco acontecer na sua história. Não precisa ser na versão original. Se está travado, faça um arquivo extra e coloque algo de inesperado acontecendo. Uma invasão alienígena. Ou fuja completamente da história. Está lá você no meio do seu YA contemporâneo travado por causa dos conflitos existenciais do seu personagem e... BOOM. Ele descobre que é um clone e faz parte da lista de um serial killer. O que o seu personagem faria? O que aconteceria? Lembre que você é o dono da sua história. Você é como um deus para os seus personagens. Brinque com eles como quiser! Seu personagem do nada acorda em Paris sem um centavos e não sabe falar francês. Se divirta comendo um croissant enquanto o coitado se vira para entender o que está acontecendo. Depois que a diversão acabar, é só fechar o arquivo e voltar para a história original. Qual o objetivo disso? 1- estar sempre escrevendo 2- te ajuda a conhecer o seu personagem melhor. 3- te diverte!

Exemplo:

Ela estava sentada em frente ao computador olhando a tela em branco. Várias ideias passaram pela sua cabeça, mas nenhuma parecia boa o bastante. Para escrever um trecho pequeno de história onde o mundo era cruelmente alterado ela precisava estabelecer esse mundo primeiro. Ou usar um exemplo de um momento onde todo mundo sabe o que vai acontecer, como em um casamento, para então mudar. O que poderia acontecer de diferente em um casamento? O noivo se revela um vilão mundial e ao aceitar se casar a noiva virou escrava dele em um pacto demoníaco. Risada maléfica. Não. Ficaria muito grande e a quebra de expectativa não seria tão boa. E se colocar uma nave alienígena no meio do trecho da dica 5? Ela decidiu que não era tão legal e ela não queria usar aquele trecho outra vez. E se em vez da nave alienígena fosse um piano? Mais inusitado, mas é só um piano quebrado caído no chão. Nada parecia bom.

Em nenhum momento passou pela cabeça dela que há pouco tempo ela havia tido a ideia do personagem perdido na França, que seria um bom trecho para desenvolver. Ela não percebeu porque estava cansada dos próprios personagens e seu cérebro havia classificado a ideia da França como "pegar um personagem existente e colocar na França." Se ela tivesse se dado conta, provavelmente teria aprendido que a ideia está diante de seus olhos, só falta você aceitar aquilo como uma ideia possível.

Em vez disso, o que aconteceu foi bem diferente. A porta do quarto abriu e um homem entrou. Um completo desconhecido. Terrivelmente sexy, mas desconhecido.

- Você é Dana? - ele perguntou.
Ela teria pensado em um milhão de respostas legais, ou estranhas, tipo "Pra você eu posso ser", mas estava tão paralisada com o surgimento do homem que apenas disse:
- Sim.
- Eu trabalho para a Ubisoft. Nós estamos desenvolvendo um novo Assassin's Creed, mas estamos buscando melhorar o lado narrativo da história. Fomos informados de que você é a pessoa certa para resolver isso.
- Quê?

Bem, eu tentei
Na quinta, se alienígenas ou o Dylan Bruce não aparecer no caminho, eu volto com a segunda parte dos exercícios criativos. Aproveitem. \o/

[dragão] [deserto]




-dana martins

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2 comentários

  1. Vou até imprimir o post.
    Suas dicas são ótimas Dana.

    Bjoss

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  2. O. Que. É. Esse. Post? Seguindo o exemplo da Mari e imprimindo o post, pra sempre que estiver em um momento de crise, como o estou enfrentando no momento, poder ler suas dicas, que são ótimas por sinal, caso ainda não tenha ficado claro, e tentar a sorte. Abraço, Dana!

    www.garotoleitor.com

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