Ai se eu te pego Anitta

Funk só é Funk em Inglês e Rock só é Rock em Português. Oh, wait.

21.5.13Igraínne


Olá, crianças!! Como vão? Estão bem? Eu confesso: já tive dias melhores. Como por exemplo quando eu tinha tempo para escrever mais posts –oi. Mas hoje não vamos falar da minha vidinha medíocre, hoje nós vamos falar de um assunto superinteressante, que vai fazer você balançar o popozão aloka –nn.
Hoje nós vamos falar de Funk! Pronto para se sentir num verdadeiro baile carioca? Não? Mas por que nãooo?

Enfim, o funk evidentemente vai ser mencionado – e bastante – durante todo o post, mas o texto não é exatamente sobre isso. O texto é sobre o porquê de funk só soar como funk em português e rock só soar como rock em inglês. Quédizê, é claro que essa é uma afirmação tendenciosa e você pode discordar. Mas o que eu quero trazer para vocês é a reflexão (me sinto pseudoimportante por isso).

De qualquer modo, essa discussão toda começou por causa da Anitta, vocês conhecem? Ela é a dona do show das poderosas*, morenaça do Rio que tem um corpo que eu jamais terei e tudo mais, aquela mesmo. Então, antes de conhecê-la, eu tinha a sensação de que uma mulher loira cantava aquela música, e não uma morena. O que me fez pensar em estereótipos de música. Mas você fica ouvindo funk, Igra?, aquela velha pergunta cheia de preconceito. Sendo extremamente sincera, eu moro no Rio, e esse tipo de música por aqui é que nem axé na Bahia: você vai saber o que tá bombando independente de gosto, porque toca toda hora. 
*vejam o clipe mais embaixo.

O famoso quadradinho pela Mc mais falada do momento.

E foi pensando no axé (ah, outra música popular brasileira, não é mesmo? Muita poesia etc e tal. Só comentando como isso de preconceito é mais local do que qualquer outra coisa), que eu lembrei daquela música do Michel Teló, aquele loirinho com carinha americanizada. O hit do ano passado se tornou nacional e depois mundial. Porque “ai, se eu te pego” tem tradução, não tem galere? “If I catch you”. Simplesmente um golpe de marketing triunfal. Porque dá pra entender a ideia do *se eu te pego* como algo de duplo sentido claramente – e toda língua tem duplo sentido.

Tá, mas e daí?
O que eu quero chamar a atenção real é que antes da música ser lançada em inglês, os gringo tudo já conhecia a letra em português – e cantavam, mesmo sem saber o que significava. A origem do sucesso no exterior veio da música em português. Entenderam? E de certo modo foi assim que ela se espalhou, só depois disso que os produtores resolveram traduzir para outros idiomas.

Mas soa igual? Soar até soa, e podemos dizer que chegou lá, mas a versão original sem dúvida alguma chegou muito mais lá.

Voltando à Anitta, eu tentei pegar aquela música dela famosinha do momento (Show das Poderosas, favor escutar abaixo) e trazer pro inglês. Mais do que a letra em si, eu achei que virou um funk-pop do que propriamente um funk. Parece o tipo de música que Britney Spears lançaria (não estou desmerecendo o trabalho de ninguém aqui, não me apedrejem, eu só estou dizendo que tem um toque/ritmo/batida que com certeza tende para a baladinha pop dos Estados Unidos). Mas enfim, daí eu comecei a pensar de verdade: será que funk só soa como funk em português? Mais do que isso, será que funk só soa como funk no português carioca? Quero dizer, é o mesmo caso do Michel Teló: será que um sotaque carioca mudaria a música dele? “Ai se eu te pego” poderia ter um ritmo diferente só por conta da voz, do sotaque, da entonação, tudo dependendo do que cada artista dá à sua música, de como cada um interpreta.


              

Levando a um caso extremo do funk, peguemos a música “créu”. Um mundo de vocabulário, coisa incrível. Essa música me lembra muito aquele estilo de hip hop que repete a mesma frase 27868237 de vezes por puro efeito eletrônico. Imagina se “créu” fosse em inglês? Não vou nem tentar imaginar a tradução, porque né... Mas enfim, o que quero dizer é que “créu” só foi o “créu” que você conhece porque é em português. Se fosse em inglês, não teria o sucesso que teve, pelo menos não aqui. E nos EUA talvez também não, porque o que é consumido lá é diferente do que é consumido por nós, brasileiros.

Mas enfim, o que isso tudo tem a ver com o Rock, Igra?
Acontece que aquela velha frase de “rock que é rock é em inglês” já me fez pensar muito. Quero dizer, eu acho que eu tenho um preconceito musical com rock brasileiro porque o que temos por aí não é muita abrangente. Mas como assim? É exatamente o que falei sobre o créu e a cultura consumidora. O Brasil não é uma nação que tem em seu estilo principal a música dita rock'n roll. O Brasil é conhecido lá fora pelo que, minha gente? Samba, axé e funk. Então é claro que temos muito mais material nesse sentido do que quando falamos de rock. E talvez por isso o funk só soe como funk em português, porque aqui nós produzimos muita música desse tipo, nos aprimoramos, tentamos, reinventamos o ritmo a todo instante. E o mesmo acontece com o rock dos EUA. É uma coisa natural.

agora imagina o Dinho cantando "Créu"...
Tratando especificamente do rock brasileiro, uma banda que é referência para mim é o Capital Inicial. Eles estão na estrada há muito tempo e confesso que tem músicas que, acho, tendem timidamente para o pop-novelístico, mas pessoalmente ainda acho que pode ser chamado de banda-de-rock. Não por causa do estilo deles: aquela coisa toda de vestir preto; ou pelo menos não só por isso. Mas porque ta aí uma banda tem um som mais reto, exatamente o tipo de rock que eu curto, e que não perderia essa raiz *rock* se fosse cantado em inglês. Ou talvez perdesse, de certo modo vai muito do seu ouvido também. Mas acho que não perderia. Seria um rock diferente, é claro, mas mesmo assim seria rock. Ou não? Não sei, não sei, reflexões...

Nessa linha de pensamento eu cheguei em misturas. Porque existem bandas de rock com músicas mescladas: versos em inglês e português ao mesmo tempo. Conheço algumas da Pitty, por exemplo, "Máscara" está lá para provar que pode ser uma coisa harmônica, mesmo que mude o ritmo da música por alguns segundos. E em questão de funk, Naldo com seu mais novo single do momento, o "Se joga", é prova de que essa coisa vem crescendo e se expandindo, o que é ótimo em questões culturais, porque mostra as influências. Talvez por algum motivo obscuro, ou por gosto, ou por pura e simplesmente haver um espaço de tempo maior desde que Pitty lançou "Máscara", eu acabo achando que a combinação na música dela soa melhor que na música do Naldo. Mas como eu disse, é uma opinião pessoal, talvez você não ache a mesma coisa.

O que eu quero saber agora é a sua opinião! Porque esse é um assunto que me rendeu muita coisa pra falar. Eu poderia passar anos aqui falando de como a água de coco e a vodka do Naldo não representariam um tanto faz em qualquer outra língua, mas isso aí já é detalhe. Quero saber de você. Você concorda? Discorda? Por quê? Conta pra gente!


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1 comentários

  1. Concordo com tudo! Me mudei faz um ano pro Rio, e é real,ente impossivel nao saber as musicas e ate as letras do que ta na moda de funk. Quando falo com minhas amigas de outra cidade uma hora ou outra me pego cantando essas musicas, e elas estranham muito, afinal onde eu morava a maioria das pessoas tinham aquela coisa de "nunca escutei, mas odeio funk"

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