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A Verdade por trás de Chapeuzinho Vermelho

10.5.13Dana Martins


Olá a todos os amantes de contos de fadas e curiosos! Hoje vamos começar em grande estilo com a Chapeuzinho Vermelho, a menina que desafiou os conselhos, que foi levar doces para a vovó, que falou com estranhos e que... foi salva pelo caçador? Não é muito bem assim a história contada antigamente, nem nas novas versões da personagem. Eu (Dana), a Igra e a Michelle falamos sobre isso, continue lendo para descobrir. :D

A origem: a menina que se deitou com o lobo

Igra: Chapeuzinho Vermelho é o tipo de história infantil que sempre me atraiu. Assim como Alice no País das Maravilhas e até mesmo João e Maria. Coisas em comum? As protagonistas não têm príncipe encantado.

Acho que passei a curtir mais ainda da Chapeuzinho depois que superei o segundo período da faculdade, quando em uma das matérias nós lemos o texto Histórias que os Camponeses Contam, de Robert Darnton. Nesse texto, o autor faz diversas reflexões sobre essa coisa de conto de fada nem ter sua origem dirigida à infância inicialmente. Isso além de mostrar que muitas histórias podem ter sua “moral” alterada dependendo da versão que se conta.


 Só para vocês terem uma ideia, separei uma versão específica mostrada nesse texto de Darnton, uma versão que dá início a toda a discussão levantada por ele e também será levantada pelo blog:

“Certo dia, a mãe de uma menina mandou que ela levasse um pouco de pão e de leite para sua avó. Quando a menina ia caminhando pela floresta, um lobo aproximou-se e perguntou-lhe para onde se dirigia.
- Para a casa de vovó - ela respondeu.

- Por que caminho você vai, o dos alfinetes ou o das agulhas?

- O das agulhas.

Então o lobo seguiu pelo caminho dos alfinetes e chegou primeiro à casa. Matou a avó, despejou seu sangue numa garrafa e cortou sua carne em fatias, colocando tudo numa travessa. Depois, vestiu sua roupa de dormir e ficou deitado na cama, à espera.

Pam, pam.

- Entre, querida.

- Olá, vovó. Trouxe para a senhora um pouco de pão e de leite.

- Sirva-se também de alguma coisa, minha querida. Há carne o vinho na copa.

A menina comeu o que lhe era oferecido e, enquanto o fazia, um gatinho disse: "menina perdida! Comer a carne e beber o sangue de sua avó!"

Então, o lobo disse:

- Tire a roupa e deite-se na cama comigo.

- Onde ponho meu avental?

- Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dele.

Para cada peça de roupa - corpete, saia, anágua e meias a menina fazia a mesma pergunta. E, a cada vez, o lobo respondia:

- Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dela.

Quando a menina se deitou na cama, disse:

- Ah, vovó! Como você é peluda!

- É para me manter mais aquecida, querida.

- Ah, vovó! Que ombros largos você tem!

- É para carregar melhor a lenha, querida.

- Ah, vovó! Como são compridas as suas unhas!

- É para me coçar melhor, querida.

- Ah, vovó! Que dentes grandes você tem!
- É para comer melhor você, querida.
E ele a devorou.”

A versão apresentada dá uma ideia da crueldade e da falta de teor dito *recomendável* para a turminha dos baixinhos. Além disso, a coisa do caminho de agulhas e de alfinetes mostram uma informação a mais, não é aquela velha história da Chapeuzinho fugindo pelo caminho mais fácil. 

Eu já ouvi versões de Chapeuzinho Vermelho antes que envolviam violência, mas com certeza essa me fez repensar em todos os contos de fada, tentar entender onde poderia ter maldade neles.

O conto foi publicado pelo Charles Perrault e você pode ler outra versão (para crianças) em inglês aqui.
Por incrível que pareça (e para mim é chocante) a enorme parte dos “contos de fadas para adultos” tem algum tipo de estupro. O que me incomoda imensamente nesse caso, porque além de estupro, ainda por cima é pedofilia. Se essa é a versão “real” não dá pra saber, e mesmo com mil estudos sobre o assunto, ainda assim seria impossível. Porque esse tipo de história nem sequer era escrita, era contada de bar em bar e cada um se apoderava do enredo de seu próprio jeito ou modo.

Chapeuzinho hoje em dia: a menina que venceu o lobo

Dana: Acredito que Chapeuzinho Vermelho é o conto mais popular entre os que não receberam um filme na Disney. Eu adoraria assistir um, mas entendo que seria mesmo difícil transformar essa história em algo mágico, né? E iam fazer o que? Ela terminaria com o caçador no final? O lobo só sequestraria a vovó? Ah, e a Chapeuzinho é uma criança... você já reparou que as princesas da Disney são mais velhas? Calma aí! Princesas. A Chapeuzinho é uma pobre plebeia que ainda desafia ordens e se dá mal... Não parece mágico o bastante para Disney.

Mas provando sua alma hipster, a Chapeuzinho está por aí. Vamos conhecer suas versões modernas!

Once Upon A Time: Ruby
Eu tinha que falar dela, porque foi a minha maior felicidade em todos os tempos. A série Once Upon A Time faz mágica na adaptação dos personagens e com a Ruby não foi diferente. A garota com cabelo vermelho que desobedece os outros e aqui no Brasil seria conhecia como "piriguete", mas que na verdade só tem uma enorme queda por "lobos maus" e quer a própria liberdade. A personagem começa em segundo plano como garçonete no restaurante DA VOVÓ e aí entra a prova de sua fama: subiu rapidinho de importância. O episódio dela é um dos mais lindos e a trama da personagem tentando se encontrar também. Não vou dar spoilers, mas essa é uma das melhores adaptações do que conhecemos de Chapeuzinho Vermelho.



A Garota da Capa Vermelha: Valerie
Esse é polêmico porque teve muita gente que gostou e muita gente que não gostou. Pessoalmente, acho que o filme seria melhor se não se esforçassem tanto para se apoiar em Crepúsculo, mas não é tão ruim assim. Aliás, a ideia é MUITO boa. Eles vivem em uma pequena vila medieval no meio do nada e precisam se trancar toda noite por causa do lobo. Isso faz com que apareça Solomon (Gary Oldman), um caçador de lobisomens e começar a ditar ordens para pegar o lobo. E aí entra o ponto principal: o lobisomem está entre eles! Quem será? Alguém da sua família? O seu pretendente? O seu vizinho? O caçador?! Só que eles perdem muito do suspense com uma Chapeuzinho meio fraca, dividida entre sua paixão de todo sempre (o cara mau e pobre) e o outro com quem querem que se case (o rico bonzinho).

Deu a Louca na Chapeuzinho
Esse é animação e muita gente deixa de lado porque... Bem, porque não é a animação mainstream. E por que eu fui assistir? Chapeuzinho. E eu me arrependi? Não. Eles pegam o conto e transformam em algo totalmente diferente! O livro de receitas da vovó é roubado e causa uma confusão na floresta, então começam a investigar o ocorrido. Entre os suspeitos estão Chapeuzinho Vermelho, o Lobo Mau, o Lenhador e a Vovó. Só que cada um conta a sua própria versão da história. Quem é o vilão? O filme é divertido porque cada personagem tem a própria personalidade e mostra sua própria visão, sempre com algo diferente, e você é levado na investigação junto. Não é aquela comédia superinteligente adulta, por outro lado não tenho muita certeza de que chamaria de infantil.



MeninaMá.com: Hayley Stark
O filme é um ótimo suspense, no qual Ellen Page encarna uma garota que marca um encontro com um homem desconhecido pela internet. Quando ela chega à casa dele, você já imagina o que vem a seguir: ela vai se dar mal. Mas o bacana desse filme é que a inocente Chapeuzinho não era tão bobinha assim e, apesar de ter realmente se arriscado, foi para a toca do Lobo pedófilo disposta a botar em ação um plano para descobrir o que havia acontecido com outra adolescente desaparecida há algumas semanas e ainda dar o troco no tarado. Um excelente exemplo de história adaptada às novas realidades! - Michelle

Dragões de Éter: Ariane
No livro, Ariane, a menina de longos cabelos loiros que foi levar doces à vovozinha, é a nossa Chapeuzinho. O mais interessante disso é que finalmente Chapeuzinho ganhou um nome, uma identidade (o que me fez pensar que nenhuma das “Belas” tem um nome, é como se todas fossem iguais, invisíveis a elas próprias).Mas voltando à história, Draccon ainda dá um tom explicativo para o apelido “Chapeuzinho Vermelho”: na verdade Ariane estaria usando uma capa branca, e quando o lobo assassinou sua avó, o sangue espirrou nela. O ocorrido não foi apenas um trauma de infância, mas também virou motivo de bullying entre os colegas, que passaram a chamá-la de... Chapeuzinho Vermelho. Além desse tipo de explicação, tem a óbvia “quem em sã consciência deixa uma criança passear pela floresta sozinha?”. É o tipo de pergunta que faz você questionar se deve contar essa história aos seus filhos. - Igra 

Essa é uma fanmade que eu encontrei e me lembrou a Fables (Fábulas) de DC Comics, ainda não pude conferir, mas parece legal. Aqui o link.

Por hoje... nós ficamos aqui. Eu (Dana) gostei de fazer isso muito mais do que eu havia imaginado! E a Chapeuzinho é um amor, né? Dá pra tirar tanta coisa da história dela. Acho que é a minha preferida, sempre que eu dormia na casa da minha avó fazia ela contar pra mim umas 50 vezes até eu dormir. Lembro até hoje na terceira séria quando a professora pediu para fazer a adaptação moderna de algum conto e é claro que eu usei a Chapeuzinho. No meu ela ia numa moto vermelha com tudo na estrada desobedecendo as ordens. Só lembro disso: a moto vermelha. Mas já é o bastante. 

E, se você for pensar, uma moto vermelha é uma boa metáfora para uma Chapeuzinho moderna...

Até semana que vem com uma nova personagem!

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9 comentários

  1. Chapeuzinho <3 gosto de quase todas as versões da história, mas confesso que minhas preferidas são as que se aproximam mais das primeiras versões mesmo, sem caçador nem nada.

    Eu tenho uma paixão completamente absurda por contos de fadas, e considerando que Mágico de Oz pode ser considerado um conto de fadas, espero loucamente (e dando pulos gigantescos de antecipação) que vocês falem dele e de Wicked e e e POR FAVOR??? PLEASE???????

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  2. O post me fez lembrar de um livro veeelho, era da minha mãe quando ainda era criança. Eu adorava esse livro, era enorme (de formato mesmo) e as ilustrações eram lindas. Nem sei mais onde foi parar esse livro, com certeza deve ter se perdido quando me mudei, há mais de 10 anos atrás... Uma pena...
    Sobre as versões não infantis da história, eu gosto e acho bem interessante conhecer as versões de origem desses contos. Li uma vez que em épocas medievais as crianças eram consideradas "adultos em miniatura" e por isso não havia muito cuidado nem pudor com eles, os adultos faziam de tudo na frente das crianças.

    Bjos, Livro Lab

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  3. eu já li O grande massacre de gatos, esse livro de Darnton é excelente... foi minha 1ª obra lida na faculdade... ótimo post... vi alguns desses filmes tbm... ^^

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  4. Eu estou fazendo uma pesquisa e preciso saber o nome da menina com o apelido chapeuzinho vermelho.

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  5. Sou a professora Cristina Souza De Santi e já pesquisei em varias fontes sem resultado algum. Alguem pode me ajudar..

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  6. Pensando bem a maioria dos contos de fada, na realidade não é tão mágico. A Branca de Neve, por exemplo, na história real, era uma prostituta. Outro clássico é a história da Cinderala, no conto primitivo suas irmãs cortavam os pés dela.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. é realmente bem interessante, eu desde criança me questionava sobre esta história, e não me arrependo de ter virado fã da mesma, busco até hoje em vários sites sobre outros "contos" dela e até mesmo filmes relacionados. e agradeço se poder me recomendar algumas também. Obrigado desde já e gostei muito do seu blog.

    Beijos da Ane (Scarlet)

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