50 mil palavras bloqueio criativo

Como aprendi a escrever lixo (e ganhei o Camp NaNoWriMo)

11.5.13Dana Martins


Hoje eu (Dana) venho com um dos posts mais lindos do Clube de Escrita, da convidada Giulia Mazzini. É daqueles que quando você termina de ler dá vontade de aplaudir. Aqui ela vai contar como foi ter caído de paraquedas no Camp NaNoWriMo e, em sua primeira tentativa, ter conseguido completar as 50 mil palavras! Não foi fácil e agora você vai descobrir como ela conseguiu vencer o desafio. 

Se você está um pouco perdido, vou explicar: em abril ocorreu o desafio de escrita Camp NaNoWriMo, onde você tem que escrever uma meta de palavras dentro de 30 dias. No meu caso e da Giulia, a meta foi 50 mil palavras. Como eu (Dana) participei da edição de novembro e fiz meu post sobre ter conseguido as 50 mil pela primeira vez, então agora eu chamei a Giulia para contar a história dela.

Giulia, sua linda, parabéns por ter vencido, por esse post lindo e obrigada por dividir sua experiência com a gente.


Welcome, welcome! Pode parecer drama começar no clima de Jogos Vorazes, mas não é. Eu, a maior procrastinadora do mundo Giulia, tive que aprender a sobreviver dentro de uma arena (meu quarto) e com poucos recursos (meu computador) até que meus adversários estivessem mortos (as metas de palavras). 

No inicio, eu achei que ia ser tudo muito fácil. Eram “só” 1.667 palavras por dia. Só que eu estava muito errada. Incorporar a Katniss Everdeen e vencer foi muito difícil. De verdade.

Poucos dias antes de 1º de abril eu descobri sobre o Camp. Primeiro pensamento? Vou começar o projeto que eu enrolo há meses! Então eu peguei meus rabiscos sobre a ideia e me pus a pensar sobre como tudo ia ficar. Vou te adiantar uma coisa: não me ajudou porcaria nenhuma.

Comecei os primeiros dias empolgadíssima, mesmo sem bater as minhas metas diárias. A primeira semana terminou e cheguei naquele pedaço logo depois do início. O ponto em que eu sempre travo e largo minhas histórias. A coisa começou a desandar.

Mas eu me mantive forte e, com uma ajudinha dos sprints no grupo do Facebook, avancei a ponto de terminar a meta do dia seguinte. Viva a segunda semana! Inspiração aos montes, conversando com gente legal e a tudo estava andando para onde eu queria.

Chegamos ao ponto da minha recaída. Eu estava tão preocupada com processo de edição que viria depois, que parei de escrever. Fiquei tão obsessiva com minhas idéias originais, que só de cogitar mudar a linha de pensamento parecia um absurdo. 

Foi no fim daquela semana que eu descobri o vídeo que me fez ganhar. Procurei no YouTube sobre bloqueios de escritor e aprendi a melhor técnica que podia pedir: let yourself write garbage. Permita-se escrever lixo.


Depois disso, a coisa voltou a fluir. Simplesmente porque eu parei de me criticar e colocar empecilhos onde não havia problemas. Convenci a mim mesma que não sou J.K. Rowling e que não era o momento em que eu escreveria o próximo Harry Potter. Se eu soubesse que para vencer apenas precisava assassinar o editor dentro de mim, as coisas teriam sido um pouquinho mais fáceis – nem vou entrar em mérito na dificuldade que foi matar o editor. Doeu, mas foi necessário.

Se tivesse que definir como ganhei o Camp NaNo, eu diria que foi empolgação de principiante. Só a ideia de alcançar tal objetivo era tão impressionante, que eu queria continuar. Aprendi de um modo difícil que motivação tem que vir de dentro, não de fatores externos. Só dependia de mim. E da música country (assim que entendi que ela me inspirava, fiz uma playlist gigante e passei a tocá-la sempre que ia escrever. Não sei se foi meu cérebro associando o country com a escrita, mas deu certo e isso que importa).

Isso sem contar a pressão de terminar a tempo! Estar correndo contra o calendário, lutando contra números e vivendo a vida real ao mesmo tempo. Posso dizer com certeza que é difícil, mas não impossível.

A última semana juntou TPM com um monte de provas e trabalhos da escola. Mesmo assim terminei as 50.000 palavras com a cena mais perfeita que eu pude criar e no ponto que eu mais ansiava escrever. Se você quer saber, não, não terminei a história. Inclusive, desde que o Camp acabou oficialmente, eu mal toquei no meu arquivo – minha mais recente recaída. 

O Camp me fez ver a importância de ter objetivos e delimitá-los. Até porque, escrever está entre as coisas que você precisa criar tempo magicamente para poder fazer. Sim, queria poder adicionar mais algumas horas no meu dia e facilitar ganhar o Nano. Ou faltar aula durante o mês e viajar para o lugar mais inspirador que eu possa imaginar. Como não dá para fazer nada disso, tem que correr atrás!

Mas a graça é essa: mesmo com tudo isso, dizer que conseguiu. Com todas as barreiras, os bloqueios e os surtos. A maior recompensa é ver o alvo alcançar o 100%. Quando a flecha acertou o centro, ai sim me senti a Katniss.

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1 comentários

  1. Nunca nem sequer tentei participar do NaNoWriMo, ainda mais porque eu estou há uns 3 anos tentando começar meu projeto de livro e até hoje não saiu um único parágrafo. Mas ok, pelo menos vez ou outra escrevo um conto, ou algo do tipo. Mas me coloquei o objetivo de pelo menos começar um texto mais longo este ano. Vamos ver se realmente serei obediente hahaha.
    Olha, eu parabenizo e digo que admiro mesmo a Giulia! Não é fácil, ainda mais com a correria cotidiana, se colocar metas deste tipo e cumpri-las de verdade. =)

    Bjs! Livro Lab

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