sábado, 18 de maio de 2013

A Verdade por trás de Branca de Neve e os Sete Anões


Não é novidade para ninguém que os contos de fadas que vemos por aí são muito mais leves do que os originais. Enquanto as histórias pelos olhos da Disney são felizes e românticas, os mais antigos costumam ser bem mais pesados. Os Irmãos Grimm, por exemplo, alemães responsáveis pelo registro de boa parte dos contos mais conhecidos (naquela época, eles eram passados oralmente) têm algumas histórias com detalhes “não muito agradáveis”. Com o passar dos anos, novas versões foram surgindo e modificações foram aparecendo. Hoje, eu (Paulo) e a Isabelle vamos falar sobre a Branca de Neve e os Sete Anões  – o que de tão horrível haverá por trás de uma história tão bonitinha?

A origem: uma história bem diferente da versão da Disney

Paulo: Particularmente, sempre tive uma visão inocente dos contos de fada, como a maioria das pessoas. (falando como se fosse muito velho agora). Sério, eu sempre fui muito ingênuo para essas coisas, nem aquelas mensagens/cenas meio obscuras de filmes infantis da Disney, que agora vejo bem, eram percebidas por mim – aliás, Dana, essa é para você: depois que você comentou sobre a cena dos elefantes rosa no “Dumbo”, não consigo mais ver o filme da mesma forma.

Quando criança, nunca procurava mensagens obscuras ou identificava algo do tipo, tanto que só fui reparar nessas coisas vários anos depois

De certa maneira, eu ainda mantenho essa inocência. Por exemplo, eu nunca ia enxergar nada de realmente ruim em “A Branca de Neve” se eu nunca tivesse feito buscas para esse post. Talvez, eu só continuasse achando horrível como uma pessoa pode cultuar tanto a si mesma a ponto de outra pessoa que ameace sua beleza ter que ser exterminada.

Essa é a atitude da Madrasta da Branca de Neve, que deseja a morte da menina quando seu Espelho Mágico diz que ela poderia ser mais bela do que a rainha. “Madrasta” é uma palavra que acaba sendo associada à maldade, talvez até por conta dessa tradição de madrastas más nos contos infantis. Mas e se eu dissesse para vocês que em algumas versões não é a madrasta que deseja matar a Branca de Neve e sim a própria mãe da menina? Toda essa história de matar para satisfazer desejos próprios fica ainda mais horrível, não é mesmo? Vale lembrar que a rainha ainda come o coração, fígado e pulmão de um animal achando que seria o da filha, só para satisfazer suas vontades.

Já que estamos num clima de quebra de uma história perfeita, vamos a mais dois fatos que quebram a ideia perfeita criada pela Disney: a idade da Branca de Neve e o que o Príncipe realmente faz. Enquanto costuma ser retratada como uma jovem menina aparentando estar na faixa dos 20 anos, Branca de Neve, possui, na verdade, apenas sete anos. Quando soube disso, fiquei assustado porque, ei, como uma criança dessa idade pode ser tão linda a ponto de ameaçar a beleza da madrasta? Além disso, tem o príncipe, que com certeza não teria uma idade nem próxima da dela. Aliás, o beijo que desperta Branca de Neve do sono profundo é criação da Disney, na maior parte das versões, o Príncipe, na verdade, está apenas passando por ali e leva o corpo da menina (pergunta importante: para fazer o que?!). Durante o transporte, o caixão acaba caindo, fazendo com que a maçã que estava entalada na garganta da Branca de Neve saísse e ela acordasse. *insira aqui muitos corações partidos*


Mãe querendo assassinar filha, canibalismo, possível necrofilia, pedofilia... tem como ficar pior? Sim! Sabe qual é o fim da rainha? Ela é condenada a dançar até a morte calçando sapatos de ferro em brasas.

Uma amiga recomendou esse vídeo da Carrie, onde ela fala sobre como a história da Branca de Neve não faz muito sentido e achei interessante compartilhar. A Carrie é uma vlogger muito simpática e posta vídeos na conta ItsWayPastMyBedTime, vejam o vídeo pelo menos para ouvir o sotaque dela, que é a coisa mais fofa. 



Branca de Neve hoje em dia: tentativa de fazer uma protagonista forte

Paulo: Tenho que dizer que a Branca de Neve é uma personagem chata. O conto é realmente legal, mesmo com todas as bizarrices, mas não adianta negar: a Branca de Neve é tão importante quanto um papel usado que você não quer mais. Mesmo que o conto seja sobre ela, a personagem não faz nada de relevante para história. A Rainha manda um caçador matá-la, ela vai parar na casa de sete anões, ela sofre três tentativas de assassinato (sendo que só a última, a da maçã funcionou de verdade), um Príncipe encontra-a e  faz com que ela "volte" à vida, ela vive feliz para sempre. Em nenhum momento Branca de Neve faz algo por vontade própria, tudo que acontece com ela é por conta das ações de outros personagens. Tudo bem que isso é meio que um padrão nos contos de fadas, mas, para trazer o conto para o público contemporâneo, é preciso modificar a personagem, trazendo novas características par a história. 


Isabelle: No ano passado, Hollywood lançou dois filmes baseados nesta personagem: "Branca de Neve e o Caçador" (que a Dana resenhou aqu!) e "Espelho, Espelho Meu". Os dois tem abordagens totalmente diferentes, mas muito mesmo. Comecemos pelo primeiro, que parece mais um filme épico de batalha do que uma adaptação dos contos de fadas, convenhamos. A cruel madrasta é uma bruxa poderosa e mais bonita que a própria Branca (achei necessário comentar porque Charlize Theron, desculpa Kristen). E o caçador possui um destaque especial (oh, really?), chegando inclusive a...OPA, SPOILERS. Mas enfim. É um filme muito bem dirigido, com efeitos lindos (meu deus o que foi o Espelho????) e com uma trilha sonora ótima (tem Florence, automaticamente se torna ótima). A sequência do filme está prevista para o ano que vem.

Já Espelho, Espelho Meu é totalmente voltado para a comédia. O príncipe é um bobão, os anões são uma gangue de criminosos hilários, a Rainha má rouba a cena durante o filme inteiro...e a Branca de Neve??? Você só consegue ver as taturanas localizadas no meio da testa da Lilly Collins, é.

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Por hoje é só, pessoal! Semana que vem nós voltamos com outra personagem dos contos de fadas, mas, enquanto isso, experimente ir atrás das versões mais antiga da Branca de Neve, veja o filme da Disney e também as versões mais atuais. Essa experiência de comparar as diversas leituras de histórias com uma mesma essência é muito divertida. 

-paulo v. santana e isabelle fernandes

Um comentário:

  1. Gostei muito do post. E sabe o que eu reparei quando vi os filmes? Sempre atribuem a Branca de Neve tarefas domésticas, ela servia aos anões como se não fosse boa o suficiente para trabalahar com eles em outras aitivades. E como ela tem um papel passivo na história, pode-se entender que os autores queriam colocá-la como uma simples fazedora de tarefas para o lar. Interessante, não?

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