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Isaac Marion, autor de Sangue Quente, fala sobre ser sex symbol e Meu Namorado é um Zumbi

1.3.13Dana Martins


Você precisa saber de duas coisas. Uma que Isaac Marion não fala sobre ser sex symbol aqui. A segunda é que se um autor fosse fazer uma piadinha desse estilo, seria ele. O post de hoje é a tradução do FAQ que ele fez no próprio site para evitar perder neurônios de tanto ter que responder as mesmas perguntas.

Aqui nesse FAQ ele diz como criou Sangue Quente, o que achou da adaptação Meu Namorado é um Zumbi, qual foi seu envolvimento na produção do filme, dá conselhos para jovens escritores e mais coisas interessantes que só são interessantes porque é o Isaac Marion escrevendo.

>>>Leia nossa resenha de Sangue Quente

"FAQ YOU"

P: Como você teve a ideia para Sangue Quente / qual a sua inspiração?

R: Quando conhecimento e experiência se amam muito, eles se tocam de um jeito especial até que seu cérebro fica grávido e uma ideia nasce. E é assim que as ideias nascem. Para colocar de outra forma, uma ideia começa com um simples pensamento: o que aconteceria se eu passasse para o ponto de vista de um zumbi e saísse escrevendo? O que um zumbi pensaria quando está apenas perambulando por aí, esperando? Como a vida seria através do olhar de uma pessoa morta? Então eu escrevi o conto de 7 páginas, "I Am a Zombie Filled With Love" ("Eu sou um zumbi cheio de amor"). Mais tarde, eu me dei conta de que esse conceito era mais rico do que eu imaginei inicialmente então decidi expandi-lo para um livro, e ao fazer, eu comecei a reparar em muitos paralelos surpreendentes com a minha própria vida naquela época. Eu era um cínico depressivo e apático procurando propósito e identidade depois de passar a minha vida inteira imerso em uma cultura religiosa conservativa que desencoraja ter qualquer propósito ou identidade fora dela. O desejo de entender o significado de ser humano em vez de ser um peão sem cérebro de Deus, e o desejo de participar de forma significativa do mundo que eu passei a minha vida inteira ignorando, viraram a história de um zumbi tentando redescobrir a vida. Então, estranhamente, o livro é autobiográfico. 

P: Qual foi o seu envolvimento com o filme?

R: Eu fui consultado através do processo. Enquanto escrevia o roteiro, o diretor Jonathan Levine me ligava a qualquer momento que ele tivesse uma pergunta sobre a história ou queria um conselho sobre traduzir um elemento em particular para a tela. Eu li dois rascunhos do roteiro e dei um feedback editorial. Não foi exatamente uma colaboração, mas a Summit e Jonathan pareciam genuinamente interessados no que eu pensava, e muitas das minhas sugestões parecem ter impactado o filme. No fim, é o filme deles; é a minha história filtrada pela visão deles (e as várias demandas da mídia cinematográfica, a indústria de filmes, planos de marketing, orçamento, etc) mas eu sinto que eles foram respeitosos a mim e à história, quando eles realmente não precisavam ter sido, considerando que o livro não era nem tão conhecido na época.

P: O que você achou do filme?

R: Eu gostei muito do filme. Não é perfeito, é claro, e assim como todas as adaptações, há omissões e rompimentos com o livro, mas essa é a natureza de traduzir uma história de sua mídia nativa para uma drasticamente diferente. O tom é um pouco mais leve e mais cômico, mas não é toda aquela paródia boba que poderia ter sido. Eu acho que ele é sincero e tem personalidade e até mantém alguns dos temas filosóficos e ideias que eu desenvolvi no livro. Eu olho para adaptações como músicas cover. É um artista pegando o material de outro e reinterpretando em um estilo diferente para uma audiência diferente. A música original não é alterada por uma versão cover. Meu livro continua sua própria entidade com sua própria separada personalidade e continuidade, e eu estou incrivelmente feliz que o filme tenha ressoado com as pessoas o bastante para trazê-las para o mundo do livro.

P: Você tem algum conselho para jovens escritores?

R: Não muitos, eu temo. Minha estrada para publicação foi bem atípica e não reproduzível, então eu acho que não tenho nenhum "segredo" para dividir. Eu só posso dar conselhos de forma ampla com superficialidades e generalidades. Priorize a sua escrita. Você não pode ter tudo de uma vez. Se você realmente quer ser um escritor, esteja disposto a sacrificar outras coisas da sua vida - incluindo conforto financeiro, vida social e até outros interesses criativos. (Eu parei de pintar e coloquei de lado a música para poder escrever com o foco necessário.) Escrever um livro deve ser uma paixão absorvente, não um passatempo sem propósito que você faz no tempo livre. Parece que toda pessoa que eu converso "está escrevendo um livro" mas eu literalmente não conheci uma única pessoa fora da indústria que "escreveu um livro." Eu acho que a maioria das pessoas pensa em escrita como um galanteio romântico que é divertido imaginar que faz e impressionante para contar aos outros, mas não uma realidade tangível que realmente vai ser alcançada. Pare de falar sobre isso e faça. Não perca o carvão do desejo em conversa sem propósito, exibindo para todo mundo admirar. Ele vai embora. Matenha o carvão escondido no interior onde possa queimar e guiar você, e não pare de atiçá-lo até finalizar algo. Você vai ter bastante tempo para falar sobre "ser um escritor" quando você realmente for um escritor.

P: Quais são as suas influências?

R: Eu mudo bastante e raramente leio mais de um ou dois livros do mesmo autor. É que há novas vozes demais por aí para descobrir! Então eu prefiro focar em livros individuais do que tudo do mesmo autor. Alguns que foram significantes no desenvolvimento da minha escrita foram: "A Estrada," "Matadouro 5," "Alguma Coisa Mudou," "A Heartbreaking Work of Staggering Genius," "Everything Matters," "The Children's Hospital," "Pé na Estrada," "O Apanhador no Campo de Centeio," "Life After God," "Não Me Abandone Jamais," "A Torre Negra (série)," "A Mulher do Viajante do Tempo," "Crime e Castigo", "House of Leaves," e todos os filmes escritos pelo Charlie Kaufman.

*Tem livros do Charlie's Booklist! Não disse que valia a pena fazer esse projeto? Conheça aqui.

P: Quando THE NEW HUNGER* vai sair como livro físico?

R: Eu não sei ainda. Espero que em algum ponto desse ano, mas é complicado. Definitivamente não é em breve, então se você realmente está ansioso para ler, é melhor ler o ebook via Zolabooks.com

*The New Hunger é uma prequel de Sangue Quente escrito em forma de novela (nem pequeno como um conto nem grande como um livro) que serve como uma ponte entre Sangue Quente e o segundo livro, ainda sem data de lançamento. O autor nem tinha previsto escrever.

P: Quando a sequência de "Sangue Quente" vai sair?

R: Espero que em algum ponto de 2014, mas ainda é muito cedo para dizer, já que eu ainda não comecei realmente a escrever. Eu ainda estou trabalhando o livro todo na minha cabeça, o que é sempre um desafio maior do que escrever a prosa em si, nesse caso mais ainda considerando que a história é maior e mais complexa e faz Sangue Quente parecer... bem, uma história de amor fofinha. Vai desmoronar e falhar se eu tentar apressar, então eu imploro a sua paciência.

P: Por que você fala tanto sobre o seu gato?

R: Porque eu sou um cidadão fiel da internet. E porque ele é adorável, okay? Cala a boca. Vai embora.

P: Como você descreveria sua relação com pizza?

R: Íntima.

P: Você está dizendo que fez sexo com pizza?

R: Eu permiti pizza entrar no meu corpo. Foi um momento especial compartilhado entre um homem e uma pizza, e foi lindo.

P: Nós ainda estamos fazendo esse FAQ ou você está se deixando levar pela loucura agora?

R: Isso. Provavelmente isso. Asdfghjk.


O que aprendemos hoje, crianças? 
Autores são malucos. Autores são dedicados. Autores adoram pizza

Espero que vocês tenham gostado da tradução, indico ler o FAQ no site dele se você sabe inglês porque não tem comparação o estilo de escrita do Isaac Marion. Eu cortei apenas uma pergunta ("Quando você vai vir para a minha cidade dar autógrafo?") porque, infelizmente, não serve para gente. 

Eu não concordo de todo com o que ele fala sobre adaptações, mas é um ponto de vista interessante. E acho que ele falou bem sobre o resultado da adaptação. Adorei também a lista de livros que ele citou, um que me chamou atenção foi "The Children's Hospital" do Chris Adrian, que reconta a história da Arca de Noé no futuro. O hospital de crianças é a arca e os animais são as crianças cada uma com um tipo de doença - pelo menos é o que a sinopse diz. Fiquei curiosa. 

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5 comentários

  1. Comentário rápido do Paulo para dizer que essa traduzir esse FAQ foi uma das coisas mais certas que você já fez, Dana!!!!! Tipo, eu estou apaixonado pelo Marion!!!!!

    Digo, gostei muito do que ele escreveu e meio que estou com muita vontade de ler o livro dele?????

    Missão cumprida, Dana! hahahaha

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

      HAUHAUHAUHAUHAUHAUHAUAHA

      Eu meio que me (re)apaixonei por ele também, tem até um post de apreciação para entrar no tumblr.

      (aquele momento que o ConversaCult parece um lunático conversando sozinho)

      -Dana

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  2. Gente, esse tal de ConversaCult é mesmo um doido, falando sozinho lkdghjfdklhj

    EU PRECISO LER O LIVRO DESSE CARA! Que pessoas mais divertida. As últimas perguntas são as melhores! Mas gostei muito também sobre o que ele disse para os jovens escritores, sobre o carvão interior. Que coisa mais filosófica <3 Nem vou terminar o comentário porque vou lá refletir sobre isso. Fui impactado.

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  3. adorei o FAQ! nem sabia que Sanngue Quente teria continuaçao! agora to super ansiosa
    gosto mais do Isaac depois disso HAHAHA

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  4. omg não acredito que sangue quente terá continuação tomara q ocorra o mesmo com o filmeee!!!!

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