bbb big brother

Discussão: (Não) desligue a TV e vá ler um livro!

22.3.13Paulo V.


Quantas vezes você já ouviu ou leu alguém dizendo que "Um livro se suicida a cada vez que você assiste ao BBB" ou "Desligue a TV e vá ler um livro!"? Aposto que muitas vezes, principalmente na época do Big Brother Brasil. Você já parou para pensar no assunto? Será que é realmente necessário desligar a televisão para aproveitar um bom livro? Esse é o tema da discussão de hoje, vem conversar com a gente!



A décima terceira edição do “Big Brother Brasil” chega ao fim na próxima terça-feira e junto com ela vêm as inúmeras mensagens sem sentindo compartilhadas nas redes sociais, como “Toda vez que alguém assiste BBB um livro se suicida”.  Mas isso não vai durar tanto, porque tudo isso volta quando a próxima temporada estiver para começar (além do pessoal que reclama de qualquer programa da televisão ao longo do ano).

Isso não é algo novo, já tem um tempo que de vez em quando ouvimos ou lemos a frase “Desligue a TV e vá ler um livro!”. Essa citação me incomoda intensamente e por três principais motivos.

1) Ela está no imperativo. Frases no imperativo já costumam me incomodar por conta da pretensão. Parece que toda pessoa que diz essa frase se sente superior a todas as outras que estão ouvindo. E mesmo que a pessoa fosse, de fato, “superior”*,  isso não daria nenhum direito de julgar o outro.
*não gosto de usar “superior” nem “inferior” para falar de pessoas, maaaas. 
2) O interlocutor assume que a televisão só tem porcaria. O que está longe de ser verdade, afinal, há vários canais que tem uma programação muito boa e recheada de cultura brasileira e mundial. E não adianta dizer que só tem esse tipo de coisa na TV paga, vocês já pararam para ver a programação de canais como a TV Brasil e a Cultura? Até mesmo a Globo, que tanto criticam pelas “porcarias”, tem programas ótimos, como o “Som Brasil”.
3) Como se não fosse suficiente, o interlocutor também assume que todos os livros são “de qualidade”. O que também está longe da verdade. Livros são como qualquer fonte de entretenimento: há algumas coisas ótimas e que mudam a vida da pessoa que está consumindo aquilo, mas também há algumas de péssima qualidade.

                      

Essa semana, assisti ao vídeo acima, que foi bastante comentando pelas pessoas que vivem criticando o BBB. Num resumo rápido, o Vinicius Valverde estava entrevistando algumas pessoas na rua para os comerciais do Big Brother Brasil e eis que um dos entrevistados começa a criticar não só o programa, mas a maior parte da grade da Globo (de acordo com ele, só o Jornal Nacional “presta”).

Ok, essa é a opinião do cara e eu não tenho nada com isso, mas ele diz que o BBB, as novelas e o programa da Regina Casé possuem um nível cultural baixo, o que não é tão coerente assim. Primeiro, porque ele está cometendo o equívoco de achar que a intenção do Big Brother e das novelas é ensinar, enquanto, na verdade, a intenção é apenas entreter o público. Além disso, ele cita o “Esquenta” (da Casé), que é um dos programas atuais com maior presença da cultura popular brasileira.

A ideia que a maioria das pessoas tem quando ouvem a palavra “cultura” é um tanto errada, pois só se pensa na cultura “culta”. Não quero entrar muito no assunto nesse momento porque é o tema de um futuro post e foge do fio principal, mas deve-se pensar que há vários tipos de cultura (e todo mundo tem um tipo de cultura).

Voltando ao vídeo, sabem o que é mais surpreendente?  Teve gente que chamou a Globo de “ditadora” por não ter divulgado o vídeo, o que não faz sentido NENHUM. O BBB é um PRODUTO e quem em sã consciência vai veicular por VONTADE PRÓPRIA algo que INFERIORIZE a imagem do que se quer vender?

Mesmo que eu não concorde com o "coisa certa", essa tirinha representa bem o que eu penso sobre a frase.

O ponto da minha crítica às pessoas que criticam a televisão é: elas se esquecem da palavra “entretenimento”. Não acredito que haja alguém que viva só estudando e consumindo cultura culta. Todo mundo precisa de um “break”, todos precisam se divertir, se entreter.

Uma pessoa que vai assistir a uma novela, série de TV (internacionais também), programa de auditório ou reality show não está procurando algo que vai deixá-la mais inteligente ou que vai mudar sua vida, ela está apenas procurando diversão. E o mesmo vale para os livros, afinal, muita gente lê só para passar o tempo.

A cultura culta e a cultura pop podem conviver perfeitamente, o que se precisa é a consciência das pessoas. Tem gente que acaba só consumindo “porcaria”, então, é preciso um equilíbrio. É claro que deveria haver um incentivo para que a população fosse mais atrás de produtos que influenciem na vida delas, mas você não pode colocar a culpa numa rede de televisão quando o governo é quem deveria trabalhar mais nisso. Mas também não adianta reclamar só do governo se você não faz nada para mudar.

Ninguém precisa deixar de assistir televisão só para ler um livro, os dois podem ser feitos. Eu, por exemplo, escrevi parte desse texto enquanto assistia ao BBB e daqui a pouco irei ler. Não tive que deixar de assistir ao programa (que eu gosto bastante de ver, devo acrescentar) só porque vou ler, um não anula o outro.

Para terminar, devo colocar o que o Vinícius Valverde diz no vídeo e que serve bem para quem se sente tão ofendido e/ou incomodado com realities e outros programas de TV: “Mas ainda bem que o senhor pode sempre mudar de canal. Não dá para culpar a janela pela vista.”


Dana: Eu não assisto BBB, mas pode ser bom. E se você não gosta do programa, a culpa é sua.

Então eu (Dana), tenho uns comentários extras, porque meu ponto de vista até o momento era um pouco diferente do Paulo. Eu acredito que BBB possa ser bom, que não precisa desligar a TV e ir ler um livro. Mas eu acredito nisso porque existe um detalhe: você. Ou quem está assistindo, ou quem está lendo.

A mesma coisa pode ser interpretada diferente, ou seja, você não é passivo nesse processo. Você pode estar assistindo BBB para observar o comportamento humano, ou pra ter o que discutir com a vizinha. Da mesma forma que você pode ler Crepúsculo pra reclamar do Edward purpurinado, para se apaixonar pelo romance, para ser mais mulher, para estudar a estrutura YA... Aliás, você pode ler 1984 (clássico distópico com temas sérios sobre humanidade e política) e se envolver apenas com o romance  do protagonista. Um programa de TV pode ser de baixa qualidade (o que o BBB não é) ou incentivar algo que parece não ter sentido (sei lá, fofocar sobre a vida alheia), mas da próxima vez que você chamar de ruim, vai dar uma olhadinha no espelho. Não é só o programa em si, é a forma que você interage com ele.

É claro que o programa/livro influencia em parte (mas quantas crianças dançaram na boquinha da garrafa sem ter ideia?). E também não to dizendo pra assistir Programa do Ratinho (ainda existe?) 24 horas por dia. Estou dizendo só que não precisa ser cult* para você aproveitar como algo sério.

Só pra completar, quando o Paulo fala ali que é o governo que tem que se virar para resolver isso, eu concordo em parte. Mas acho que se alguém se incomoda com algo não deve lavar as mãos e culpar as emissoras ou o governo, deve lembrar que nós é que sustentamos tanto um canal de TV quanto o governo.

- paulo v. santana e dana martins

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4 comentários

  1. Tema polêmico, gostei! A verdade é que eu acho complicado falar do assunto porque existem muitas nuances, muita subjetividade envolvida. Eu, particularmente, detesto BBB, não consigo assistir. Não pelo fato de achar que não agrega nada (até porque concordo que não foi feito para ensinar nada), mas porque mesmo como entretenimento não funciona para mim, coisa de gosto pessoal. Isso não quer dizer que eu deteste todo e qualquer reality show; às vezes eu assistia o Hell's Kitchen e me divertia com o programa.
    Concordo que nem tudo na tv é ruim e nem todo livro é literatura por excelência. Mas eu sou da opinião de que muito conteúdo de entretenimento geral (tv, rádio, mídia impressa, internet) subestima o espectador, ao mesmo tempo que utiliza fórmulas enlatadas para garantir diversão "sem esforço", gerando um hábito. O espectador se sente confortável com isso e o hábito é alimentado por quem o produz. E aí vira um ciclo eterno.
    Concordo plenamente com o fato de não existir somente um responsável e que somos nós, os espectadores e consumidores, que sustentamos a cultura/entretenimento.
    Mesmo não concordando com todos os pontos falados, eu gostei demais do post.

    Bj, Livro Lab

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  2. AMEI esse tema. Sou viciada em realitys. assisto de tudo: BBB, Kardashians, Top Chef, ANTM e váários outros. E em todos a gente percebe bem mais sobre as pessoas do que lendo um livro. É uma variedade tão grande de comportamentos e personalidades que você até se perde em "quem eu gosto e quem eu odeio". Ok que desde pequena eu sempre fui muito mais observadora do que comunicativa, então, eles servem como um "observe pessoas sem sair de casa".
    E o mais engraçado desse video do cara xingando BBB e que todos que compartilharam ele na minha timeline, não leem nem revista na consulta do médico. ou seja, o povo reclama por reclamar.

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    Respostas
    1. concordo ...a variedade de pessoas e interessante ...mas elas nao tem nada de util ou relevante para mostrar ..ate ser eliminado(a) e posar para revista masculina

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  3. Eu gostava de assistir BBB, mas perdeu a graça. Só vi gente chata nesse e não tive tempo. Concordo com muita coisa do texto como que é verdade que ninguém vive pra estudar e consumir cultura high o tempo todo. Minha mãe por exemplo, estuda muito, trabalha, super ocupada, no tempo livre gosta de assistir Phineas e Ferb (ela adora a Candace) e the big bang theory, gostava de ver Avenida Brasil /quem não gostava/ e nada disso diminuiu o consumo dela de cultura "alta" como globonews, tv justiça e os inúmeros livros de Direito...
    Você vai ler livros bons ou ruins e a culpa definitivamente, não é do big brother.
    btw o exemplo do discovery vs justin bieber foi 10.

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