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[Resenha] Colegas, filme

21.3.13Paulo V.

por Paulo V. Santana
- "Colegas" (2013)
- Direção: Marcelo Galvão
- Roteiro: Marcelo Galvão
- Atores: Ariel Goldenberg, Rita Pokk, Breno Viola, Lima Duarte, Marco Luque, Leonardo Miggiorin...
-  Nacional/Aventura/Comédia - 10 Anos - 103 min. - Trailer
- Nos cinemas desde 01 de março de 2013










Mini-crítica - Resumo:

No Dia Internacional da Síndrome de Down, uma resenha de um filme brasileiro que toca no assunto e tem feito grande sucesso entre os críticos (tendo vencido o nosso Festival de Gramado e até um festival na Rússia). “Colegas” conta a história de três jovens, Stallone, Aninha e Márcio, que vivem num instituto para pessoas com a síndrome. Os três têm sonhos e decidem fugir e ir para a estrada para torná-los realidade.

“Sinceridade” é uma palavra que define muito bem o filme. O longa-metragem não tem como função principal levantar nenhuma bandeira, a mensagem de inclusão é sutil. Com um humor leve, o filme me encantou. Contudo, há certos aspectos que poderiam ser mais bem trabalhados (como a construção de alguns personagens). Mesmo que o filme não tenha recebido nota máxima, entrou para os favoritos. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.


[Hoje é o Dia Internacional da Síndrome de Down! Quando tinha programado a resenha para hoje, não sabia disso, só fui descobrir hoje mesmo, depois de escrever. Então, fica como post comemorativo. :)]


Confesso, não sou o maior consumidor do cinema brasileiro. Um dos principais motivos é que os mais divulgados acabam sempre sendo as comédias, e é difícil encontrar um filme do gênero (de qualquer nacionalidade) que me agrade de verdade. É claro que tem outros nacionais que parecem bons e eu tenho vontade de ver (“O Palhaço”, por exemplo), mas, sem nenhum motivo, não vou assistir. Aliás, os únicos filmes brasileiros que eu vejo no cinema são os do Breno Silveira, porque minha avó ama o trabalho dele e eu sempre a acompanho.

Enfim, hoje estou aqui para falar de “Colegas”, um filme nacional que vem recebendo muitos elogios da crítica e tem ganhado premiações brasileiras (o Festival de Gramado, como já disse). Eu descobri o filme por causa dos comentários a respeito, mas o que realmente me motivou foi o fato de os protagonistas serem jovens com síndrome de down.

O longa-metragem conta a história de três jovens: Stallone, Aninha e Márcio. Cada um tem uma história de vida diferente, mas os três vivem num instituto para pessoas com síndrome de down. Como qualquer outra pessoa de sua idade, eles têm seus sonhos. O de Stallone é ver o mar, o de Aninha é casar com um cantor e Márcio quer voar.

Então, como eles não seriam capazes de realizar seus sonhos se continuassem no instituto, os três decidem fugir para conseguir o que querem. Munidos com uma arma e um carro que pegaram “emprestado”, os amigos vão para a estrada e acabam virando procurados em todo o país.

Eu adorei o filme, ele consegue ser diferente e surpreender mesmo tratando de um tema comum (jovens buscando seus sonhos). O ponto mais interessante foi, para mim, o fato de que o Marcelo Galvão (diretor e roteirista) não quis levantar aquela bandeira de inclusão social de forma escrachada. A síndrome dos protagonistas não foi um fator importante, o filme mostra como isso é apenas um detalhe sobre a pessoa. A mensagem existe, é claro, mas é de maneira bem sutil. Stallone, Márcio e Aninha não são vistos como pessoas inferiores ou com dificuldades, eles são apenas pessoas.

Aliás, o tempo inteiro os protagonistas estão na frente da dupla de policiais que está tentando capturá-los. Foi legal o fato de a dupla ficar “ué, como esses ‘retardados’ podem sempre fugir da gente?”, deixou claro que os três são como qualquer um.

O meu problema com o filme é que ele é ótimo em alguns aspectos, mas falha em outros. Os protagonistas são bem construídos, mas os já citados policiais, por exemplo, são só caricaturas. Eles são aqueles típicos policiais que tentam e nunca conseguem cumprir sua missão, o que todos já vimos infinitas vezes. Mesmo quando entra um terceiro policial no caso, a caricatura é clara: ele é aquele policial mais competente e que vai dar um jeito nas coisas.

A narração também não me agradou tanto. Em “Colegas”, a narração em off é usada para contar a história dos protagonistas e também para dar direção na história em alguns momentos. Eu não sou muito fã do recurso, mas também não consigo imaginar outra forma de mostrar a história de cada um dos personagens. E o mais estranho, para mim, é que a narração é feita pelo Lima Duarte, o jardineiro do instituto. Acredito que eles tenham feito isso para fazer uso de uma voz já conhecida pelo público, mas não custava nada ser uma voz de um ator ou atriz que não tivesse no elenco ou até mesmo da diretora da instituição. Ia causa menos estranheza, pelo menos a mim.

Contudo, a trilha sonora é muito boa e só deixa o filme melhor. Recheada de Raul Seixas, que é ídolo dos personagens, tem até a versão do artista para a famosa “Asa Branca”.

O humor do filme é muito bem construído. Na maioria das vezes, as risadas são causadas pela sinceridade dos personagens e não necessariamente por piadas pré-programadas. A cena em que os policiais vão interrogar os outros jovens que vivem no instituto, por exemplo, é ótima e o humor não é nem um pouco forçado. É tudo muito sincero, muito genuíno.

Por fim, não posso deixar de citar as referências e citações de outros filmes. Quando no instituto, os três amigos trabalhavam na videoteca e viviam assistindo e re-assistindo filmes famosos. Gostei da forma como isso foi introduzido. Uma das inspirações para a fuga, por exemplo, foi o filme “Thelma and Louise” (de Ridley Scott) e logo no primeiro “assalto” eles citam algumas falas de outros longas. É interessante porque deixa claro que os três estão conscientes do que estão fazendo, mas para eles é como se eles tivessem vivendo o próprio filme (um personagem até cita isso em algum momento).

Eu me encantei com a história, os atores principais e o que o filme representou. Não sei o que vai ser o cinema brasileiro em 2013, mas “Colegas” seria uma ótima opção para o Brasil inscrever no Oscar 2014, na minha leiga opinião.

Sobre a nota: Como eu disse, amei o filme e poderia dar 5, mas preferi ficar com 4,5 por conta dos aspectos que não me agradaram tanto. Apesar disso, é favorito. 

Classificação:
(4,5/5 conversinhas)

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