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Você pode não ser obrigado a nada, mas deveria ser a respeitar as pessoas

27.2.19João Paulo Albuquerque


Vivemos num mundo vil, na verdade, numa sociedade vil, consequentemente num mundo vil. Mas vocês entenderam. A estrutura das nossas sociedades humanas estão podres, com pessoas que não possuem um pingo de moral e respeito servindo de base para todos, servindo de modelo e uma crença coletiva de salvação.

E quando não são pessoas desrespeitosas e imorais, são pessoas que foram colocadas em pedestais, tratadas como semideuses, senão como deuses mesmo, enquanto outros são constantemente desrespeitados, tratados como lixo, como vagabundos. Exemplos não faltam: jogadores de futebol recebem mais prestígio, reconhecimento e respeito que um lixeiro, professor ou faxineiro.

Meu pai é porteiro e às vezes ele tem a inteligência subestimada, e claro que não é só pela questão de ser porteiro (apesar de isso ser um fator determinante), mas também por ser nordestino. Às vezes tentam passar a perna nele, tentam fazer ele pagar por coisas que não cometeu, mas ele tira de letra e fala o que tem que falar. Meu pai sabe os seus direitos e sabe, melhor ainda, respeitar os outros, mas se impor.

E ele me ensina muito com o modo dele de agir, sendo honesto, direto e assertivo, mas respeitoso. Esse modo de agir é um que eu busco muito prezar, cultivar todos os dias, porque o mundo é um lugar difícil, mas mais difícil ainda ele será se a gente não souber como se impor, e como respeitar as pessoas, reconhecer que elas são, acima de tudo, humanas e iguais em suas diferenças.

Porque um jogador de futebol não deveria ter mais comoção que um professor, faxineiro, lixeiro ou porteiro. Todos estão trabalhando, são humanos e possuem diferenças. Todos deveriam ser respeitados e tratados como seres humanos. Não como se um fosse Deus e outro como o germe que você pisa andando na rua.

Eu cansei de saber de histórias na minha escola de gente que come a maçã, olha pra tia da faxina, joga a maçã no chão e pisa. Cansei de saber como e com (e ver) o que meus professores lidam no dia a dia. Cansei de saber como meu pai é subestimado. Cansei de ver gente ignorando seus empregados, sem dar "bom dia" e ser o minimamente cordial.

Sempre achei que respeito fosse algo importante, sempre fui educado assim pelo meu pai e pela minha mãe, e por isso, eu faço o máximo pra não ignorar as pessoas que trabalham na escola e nos outros lugares que frequento, tentando ser o mais respeitoso possível, mesmo quando alguém não está em seu melhor humor.

Porque no fim, todo mundo tem o mesmo destino, apesar de todas as diferenças: a morte. E eu sei que ter mais conhecimento e mais oportunidades não me faz um ser humano melhor que ninguém somente por isso. Sem respeito, cordialidade e educação, ninguém é nada.

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