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Eu preciso falar sobre ''Love is Love'' da Starley

10.9.18João Paulo Albuquerque


As pessoas mais próximas de mim sabem que eu venho passando por baixos e baixos (é, sem altos no momento) em relação à minha pessoa, então vem sendo muito difícil consciliar meus pensamentos e relaxar de verdade, ou ao menos me deixar tacar o foda-se. 

Justamente por isso, tudo que fosse relacionado com conteúdo LGBTQ eu já tava vendo para poder ir lidando melhor com tudo isso. E por isso, eu quero dizer algo que começou aqui (só ler que você entenderá), mas não terminou.

The Bold Type e Happy Endings, duas séries maravilhosas conseguiram me fazer sentir um pouco melhor, mas foi a música de Starley, Love is Love, que me fez chorar. Por milhares de motivos, mas ainda sim, especialmente porque eu pude sentir aquela esperança e felicidade genuína no peito novamente depois de tanto tempo lidando com todos os meus problemas internos. Eu finalmente senti a onda de realidade de uma representatividade.

Quem me conhece além do blog, sabe que Starley foi uma base enorme para a criação de uma personagem minha chamada Marley que era lésbica, e mesmo quando ela lançou a música com um lyric vídeo, não tinha me caído a ficha que era uma declaração da cantora (ou eu que não sabia/percebia mesmo??), não até que eu visse o vídeo clipe oficial da música, que aparece ela com a namorada. Eu fiquei tão emocionado, tão feliz, eu chorei pela primeira vez de felicidade em algum tempo, não de desespero por estar tendo um breakdown mental.


E é sobre isso que a gente, LGBTQ (e outras minorias), falamos sobre representatividade: não é NÃO importante. É MUITO IMPORTANTE, SIM! Representatividade é algo incrível, algo poderoso, algo que mostra uma realidade, e talvez pessoas com os privilégios 'máximos' da sociedade não compreendam isso porque se vêem todos os malditos dias nas televisões, nos clipes de música, nos livros, entre outros, mas representatividade é sobre normalizar a gente, é sobre mostrar que a gente existe e resiste nessa bosta opressora que é nossa sociedade que nos faz achar que não podemos ser gays e felizes, que nos faz, mesmo quando está tudo bem, cair mais uma vez em desespero.

Representatividade é sobre eu ver pessoas como eu, pessoas diferentes de mim, pessoas, em todos os lugares: séries, filmes, rádio, livros, histórias em quadrinho, clipes de música...

Eu quero ver mais gente se aceitando, eu quero uma sociedade que não me ponha para baixo sempre, eu quero poder me aceitar completamente sem sofrer consequências por isso, quero simplesmente poder existir. 

Por que eu não deveria me aceitar? Por que eu deveria me odiar? Por que eu deveria não querer ser quem eu sou? Por que eu deveria passar por dificuldades em me entender enquanto pessoa simplesmente porque eu não só tenho minhas próprias dúvidas, mas porque eu sou constantemente lembrado de que "talvez eu não seja o que sou" por N motivos e que se eu for, de alguma forma eu não sou normal ou sei lá o que?

EU NÃO DEVERIA PASSAR POR ISSO! NINGUÉM DEVERIA! EU DEVERIA ESTAR BEM COM QUEM EU SOU, DA MESMA MANEIRA QUE UMA PESSOA HÉTERO NÃO SE ODEIA POR SER HÉTERO, DA MESMA MANEIRA QUE UMA PESSOA HÉTERO NÃO PASSA POR ESSES PROBLEMAS POR ESSE HÉTERO, EU NÃO DEVERIA, NEM NINGUÉM!

Love is Love trouxe algo para mim que me apaziguou por um momento. E sei que ainda me falta um caminho a percorrer para me entender, e aceitar, totalmente e lidar com tudo que me vem acontecendo, mas pelo menos um passo na direção da luz aconteceu. Pelo menos eu sei que cada vez mais, em meio a tudo isso, seja lá o que for que está acontecendo com o nosso mundo, a gente ainda consegue evoluir e melhorar o mundo para a gente e para os próximos que vierem.


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