Assassin's Creed Assassin's Creed Odyssey

Como foi a primeira edição da Game XP?

11.9.18Dana Martins

imagem oficial IHateFlash

Nesse feriadão de 7 de Setembro de 2018, o Centro Olímpico do Rio de Janeiro recebeu o evento Game XP, que prometia trazer para a vida real a experiência dos jogos sendo o primeiro Game Park do mundo. Eu estive lá, joguei o novo Assassin's Creed: Odyssey que só lança em Outubro, e vou contar como foi participar do evento.

A primeira vez que eu cheguei lá, na Quinta-Feira, foi com o céu laranja de pôr do sol e sendo recebida pelo portal que eles colocaram na entrada do evento, tocando alto música de jogos. Se eu não estava curiosa pra o evento em si, nesse momento eu sabia que a Game XP seria legal. Em parte, foi a sensação de voltar pra casa. Participar de eventos como a Game XP por si só já é uma experiência legal porque você está a céu aberto passeando com pessoas que você gosta, ouvindo música boa e vendo coisas fora da rotina.




O espaço da Game XP foi dividido em três arenas mais área aberta de fora que contava com atrações maiores.

A primeira arena era a Inova Arena, algo mostrando mais novidades de tecnologia tipo braço mecânico e impressora 3D. Interessante, mas as coisas legais de fazer eram todas muito cheias, tipo o simulador do Hyperloop, um transporte que vem sendo desenvolvido e é tão rápido que faria o trajeto entre Rio e São Paulo em 30 minutos, e tinha fila de espera de 1 hora e meia. Acho que essa arena podia melhorar muito em como mostra as coisas para o público. Eu, só passeando, não achei nada tão interessante. Meu amigo que é engenheiro pareceu mais animado.

Lá também tinha a Rock Stage onde no segundo dia vimos a Harley Quinn cantando paramore
Também teve a Game Arena, que é tipo um auditório virado para uma tela gigante que fica passando competições de jogo ao vivo e no meio bandas fazem show. A qualidade de imagem e som e iluminação é toda muito maravilhosa. Eu assisti uma partida de League of Legends entre times universitários do Brasil e Colômbia, e foi divertido ver o povo fazer as arquibancadas vibrar com a torcida. E no meio tocou a banda Supercombo, que eu conhecia só de passagem, mas naquele ambiente com iluminação e som maravilhoso foi muito legal. E quando passava trailer/vídeo anunciando jogo? Podia ser jogo que eu nem me interesso, mas dava até pra ficar arrepiada. Lindo, lindo e lindo.

Foto oficial do evento, IHateFlash
Dito isso, algo que eu sinto desde o Geek & Game Rio Festival é que esses podiam trabalhar mais em como incluir o povo que não tem costume com essas competições e jogos. O que eu via é muita gente que entrava, via "ah, que legal uma tela gigante, vlw flw" e ia embora. Isso só reforça um pensamento que eu escutei muitas vezes jogando desde pequena, pessoas que nunca tiveram contato pensando "isso não é pra mim." Eu que não jogo League of Legends precisei fazer meu amigo me explicar tudo na tela para entender um pouco do que tava acontecendo, mas quem não tá com um amigo? Como envolver essas pessoas em vez de só largar lá?

Foto oficial do evento, IHateFlash
o show tava acontecendo em algum lugar ali no chão que não dava pra ver
Também acho que dentro do festival podia ter mais mapas, cartazes, tudo explicando o que tá acontecendo e o que vai acontecer. Eu adorei o show da Supercombo, mas não faço a menor ideia do que mais tocou lá. Foi tudo muito na sorte, se chegava e tava acontecendo eu aproveitava e olhava no aplicativo pra ver o que era aquilo.

A terceira arena, e a minha preferida, era a Gameplay Arena, que você poderia "testar as grandes novidades que os grandes fabricantes estão trazendo para o mercado." Tinha espaços da Playstation, Xbox e desenvolvedoras como a Ubisoft (Assassin's Creed) e mesas com ilustradores. O único jogo de novidade mesmo que eu vi foi o Assassin's Creed: Odyssey, que só lança em Outubro e estava disponível pra quem (enfrentasse uma fila gigante) pra jogar por 5 minutos. Não deu pra ver muito, mas eu fiquei feliz de jogar e falo um pouco melhor sobre o jogo abaixo. Só queria saber por que a Ubisoft em todos os 50 milhões de posters do jogo espalhados não podia colocar um com a Kassandra, a mulher que também é protagonista do jogo.

Foto oficial do evento, IHateFlash
Lá eu também joguei a nova versão do Spyro na Playstation - um jogo de um dragãozinho roxo que eu passei tardes da minha infância jogando. E em uma parte com um telão e pequeno palco assisti duas equipes femininas competirem. Eu nunca me interessei tanto por assistir jogos, mas foi legal ouvir a narração e ver as garotas muito frustradas e também adivinhar quem era quem e o que diabos tava acontecendo. Eu teria ficado mais se tivesse mais espaço pra sentar.


Fora isso, acho que vale mencionar que eles também tinham o novo jogo do Homem-Aranha (que lançou nesse fim de semana, então é quase uma novidade), a nova versão do Crash e o novo God of War, tudo no da Playstation. E o estande da Ubisoft também tinha uma parte para o público competir com Rainbow Six e For Honor.


COMO FOI JOGAR O ASSASSIN'S CREED: ODYSSEY?

O trecho do jogo que eu joguei, eu começava controlando um pássaro e depois podia andar por uma ilha, pegar cavalo. Em uma tenda eu encontro um militar que me pergunta se eu estou pronta para lutar por Esparta, e se eu aceito o jogo corta para uma batalha na praia que é uma confusão de gente para todo lado e eu preciso encontrar um chefão e matar no meio da porradaria. No pouco que eu joguei deu pra usar armas diferentes, e também estilos de combates diferentes tipo a personagem rodando para desviar e pegando o escudo dos outros em vez de só bater. A movimentação no geral parecia mais engessada do que eu tô acostumada de Assassin's Creed de sair correndo por aí e escalando paredes. Na verdade, não escalei nenhuma parede e estou triste. Mas com tão pouco tempo pra jogar, não dá pra afirmar nada. Além disso, esperando na fila eu também vi também tinha outro trecho onde os jogadores podiam subir no barco e experimentar uma batalha no mar, mas eu nem sei como eles chegaram lá e também ter que controlar barco é uma das coisas que eu menos quero fazer nesse jogo.


No lado de fora é o que eles chamam de "Experience Bay," uma pista de corrida pra o jogo Crash Bandicoot, uma parede de escalada do Homem-Aranha, um lugar com um mapa tipo paintball e outros joguinhos. O meu preferido foi o do Just Dance, porque era o único tipo de experiência que incluía o povo com facilidade. Proporcionava música legal tocando alto que animava todo mundo que passava. E, apesar de ter a fila pra jogar o jogo no palquinho, muita gente que ficava na frente acompanhava os passos mostrados no telão e parecia até um flash mob. No fim do dia, então, eles paravam o jogo e mostravam no telão músicas do jogo Just Dance ano a ano, e formava uma multidão dançando cada um dos passos. Gente de todas as idades e todos os tipos.

Foto oficial do evento, IHateFlash

Foto oficial do evento, IHateFlash

Foto oficial do evento, IHateFlash

Foto oficial do evento, IHateFlash
Por lá também tinha a alimentação, no preço de festival que vende latinha de refrigerante a 8 reais e um hamburguer por 20. Pelo menos tinha bastante variedade e quantidade, dava para comer sem fila.

No geral, eu ainda acho que eles têm muito a melhorar. Tem fila para tudo, até pra entrar nas arenas. Na sexta-feira a fila da Gameplay Arena ia até o fim do mundo e ainda fazia curva, isso para ter uma chance de entrar. Lá dentro os corredores são apertados e é difícil ter uma visão geral até pra saber o que tem ao seu redor. E aí quando você acha algo mais ou menos legal que gostaria de fazer, precisa encontrar uma fila gigante que podia levar horas para jogar por 5 minutos. Se você parasse 1 segundo para pensar no que fazer, já tinha gente parando atrás de você perguntando se era fila e chances eram de que, de fato, você tinha parado no meio de uma fila sem saber porque tudo era fila. O evento tá quase podendo mudar o nome pra "Loading XP," porque a principal experiência que você tem é a de esperar.

Acho que o problema é que apesar do espaço ser grande e caber muita gente, existe pouca atividade pra toda essa gente. A Game XP, diferente de um festival de música como o Rock in Rio, não é só um show que você pode ficar parado em qualquer lugar e já tá aproveitando. Você tem que fazer as coisas pra participar, e não tinha quase nada pra fazer e o que tinha ficava lotado. O espaço que tinha um mapa do Rainbow Six pra jogarem "de verdade," tipo paintball, o povo ficava na fila 2 horas ou mais pra jogar por uns 10 minutos. Se você morresse de cara não era nem 1 minuto. É absurdo. No Centro Olímpico tinha espaço pra eles montarem vários outros espaços com mapas desse. Fazia de Overwatch, fazia de Fortnite, fazia até de Mario estilo Mario Party. Ou colocava 10 do mesmo. Deixava o pessoal jogar mesmo, por mais tempo. E se tem problema porque é a própria empresa que precisa investir pra criar esses espaços, faz genérico mesmo. Só não me faz um Game Park que você precisa passar 1 hora numa fila para fazer 1/3 do que você faria no Playcenter do shopping. Jogo de videogame é tão legal e variado, que dá pra fazer muita coisa criativa. Espaço de Tomb Raider com tiro de arco e flecha. Ou aqueles Escape Room temáticos. Talvez até gincanas dentro da Game XP tipo "colecione essas banderinhas que você pega em pontos específicos pra ganhar um brinde" (pessoal que joga videogame é treinado em literalmente todo jogo pra fazer isso, e é uma forma extremamente simples de fazer todo mundo ter uma experiência de jogo). Tanto coisas que sejam simples e divertidas de fazer pra pessoa que tá só passeando por ali, ou outras que querem juntar os amigos e viver uma aventura por uma tarde.

Até na questão de jogar videogame, de fato. Podia espalhar pelos ambientes mais telões passando trailers, desse modo não importa onde você fosse ou sentasse ainda estaria participando de jogos. Ficar na fila assistindo trailer é bem melhor. E passava trailer tanto de jogos antigos como novos. Trailers de videogame como o do novo The Last of Us já são tão bem feitos que são quase uma atração em si. Dava pra espalhar estátua de personagens famosos para o pessoal tirar foto. E considerando as proporções do evento, será que é tão difícil pegar um monte de telas+videogame nem que sejam antigos e colocar aos montes para o pessoal sempre ter o que fazer? Hoje em dia jogar um megadrive é tão novidade quanto o último jogo lançado no momento.

Também podia ter mais variedade de jogos apresentados. A Bienal do Livro, por exemplo, é um evento baseado em estande, mas uma das coisas legal é que você tem um contato com diversos títulos que você não tem costume. Você pode descobrir coisas novas, diferentes, específicas, alternativas. Em uma época que criar jogos independentes se tornou mais acessível e na internet tem várias plataformas com novidades, será que não dava pra trazer algo?

Em último caso, vai pra jogo de tabuleiro, rpgs como Dungeons&Dragons e outras coisas, porque é de fácil acesso e literalmente a forma como as pessoas têm uma "game experience" na vida real desde sempre.

E uma coisa que eu senti falta: Lugares vendendo coisas. Nem jogo eu vi vendendo. Só tinha a loja da própria Game XP e o estande da Ubisoft com umas camisas genéricas. Era uma oportunidade ótima até pra criar uma feira de jogos usados, ou encontrar jogos raros. Até o pessoal que vende bonequinho funko. Livros e quadrinhos baseados em jogos. Só um espaço assim já ia dar mais ao que fazer o pessoal.

Foto oficial do evento, IHateFlash
Eu tinha achado a Game XP ok, mas depois de parar meio segundo pra pensar o que poderia ter sido, dá pra ver que eles fizeram o básico do básico pra quem quer até inventar conceito de Game Park.

Não queria dizer isso, mas se você quer realmente jogar videogame, vale mais ficar em casa e comprar o jogo. Pelo preço do ingresso, mais alimentação, transporte, etc, dá no mesmo. (se você tiver o videogame ou um computador, é óbvio. Mas mesmo assim, ainda dá pra discutir, jogar por 10 minutos algo que ainda mais se você não tem nem costume e vai perder todo o tempo só aprendendo a jogar, vale tanto a pena assim?)

Enfim, no geral ir até a Game XP foi uma experiência agradável. É bom pra passar um dia com os amigos fazendo algo diferente. Ou se você tá por dentro dos campeonatos de jogo específicos que eles mostram lá, você já teria ido pra assistir. O que eu vi bastante foi família com criança. Acho que o que eu mais gostei é que eu gosto de videogame e estar em ambientes que homenageiam os jogos e os personagens que eu conheço, então dá um sentimento bom.  E esse foi só o primeiro, espero que eles façam melhor no futuro.

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