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Um Milhão de Finais Felizes, de Vitor Martins, é sobre se aceitar (com bagagem e tudo o mais)

19.8.18João Paulo Albuquerque


Quando eu fui na Bienal, eu não esperava encontrar o Vitor Martins lá, dando autógrafos para seu novo livro, Um Milhão de Finais Felizes. Vitor é um autor brasileiro que eu conheci através da Taiany (depois de ficarmos conversando sobre mil e uma obras LGBTQ que queríamos ler ou já tínhamos lido).

Eu já tinha superado Quinze Dias? Não. Então eu não tinha muitas expectativas em relação à esse livro, mas na Bienal, após comprar o primeiro livro na estante do Sesc, entrar na estande da da editora dele, e ver o livro ali para comprar, com uma filinha e um homem distribuindo autógrafo, me deixou confuso, um pouco ansioso. Reconheci de primeira? Não, ele estava de costas. Mas a jaqueta amarela chamou minha atenção.

Resultado? Quando reconheci, consegui pegar um livro e entrar na fila sem saber o que fazer direito (com um sorriso contido no rosto quase tendo alguma coisa que me faria desmaiar), sendo recebido com um abraço e sendo perguntado pelo nome, após responder o Vitor (intimo eu, não?), falei sobre o quão havia me identificado com Quinze Dias e que a história me ajudou muito, afinal é realmente muito difícil ser gay e gordo, ocupar dois espaços, na nossa sociedade. Com mais um abraço, ele me entregou o livro, tiramos foto e ele cumprimentou meu avô, resultando nessa foto (em que vemos claramente eu sem saber como sorrir porque estava ocupado bloqueando um desmaio?):

~morrendo~
E então chega domingo (12) a noite, após eu conseguir a proeza de vender uns livros meus e juntar 95 reais, que inspirado, me fez querer ler algo. Então fui em direção a Um Milhão de Finais Felizes, peguei e comecei a ler. Era nove horas da noite, quando comecei. Eu terminei às 5:23 da manhã, com menos de quarenta minutos do horário que levanto para tomar banho para ir à escola. Me importei? Não. Eu sabia que não conseguiria dormir cedo, como acontecia antes de toda segunda-feira, e muito menos tendo começado a ler o livro, eu sabia que iria querer terminará-lo o quanto antes.

E após muito choro, risos, muita interligação e identificação com a minha vida em relação a esse enredo, eu só... precisei vir aqui para compartilhar a importância desse livro e quão significativo ele é pra mim.

Antes de tudo, foquem nesse trecho que tirei foto:

Esses riscos na imagem tinham um único propósito: fazer meus amigos focarem somente na parte que eu queria que eles focassem ODKJSODKSD

Vamos começar pelo humor real.

Em UMDFF, não é um humor forçado, é um humor que pessoas reais, pessoas LGBTQ, compartilham. Tanto que quando eu li esse trecho acima, logo tive que tirar foto pra enviar em um grupo para minha amiga que vive dizendo isso. Eu ri tanto, era como se eu estivesse lendo minha vida (com algumas alterações, mas ainda sim), a vida de meus amigos, da minha família.

Definição completa de mim mesmo

Identificação é outro ponto que vale o destaque.

A identificação, como bem apresentada ali em cima, vai além do humor, vai para a vida da gente. A vida individual de cada um, é impossível você não se identificar. Especialmente porque estamos falando de jovens adultos (levando em consideração não só o protagonista, mas seus amigos também), que ainda não costumam ser vistos como adultos, nem adolescentes, mas passam pelo dilema dos dois mundos ao mesmo tempo, com o bônus de não serem héteros. O que nos leva para outro ponto:

Diversidade. O ponto mais crucial.

Não é uma história de somente um garoto é gay e daí sei lá, ele tem o sidekick que também é gay, mas o restante não diversifica. Algo que é notável nos livros de Vitor, é justamente a diversidade de pessoas, que com isso, trazem suas diversidades de vivência e problemas internos e externos, como fica explícito no trecho abaixo:


E por fim, lições de vida, como bem ilustrado com o trecho mais importante (para mim) do livro. Porque é o que eu venho vivenciando. É como eu me sinto. E é muito importante quando, depois dessa conversa, o protagonista diz que ele pode ser gay e feliz, porque isso é muito o que eu sei que muita gente LGBTQ (eu incluso) passa, de não sentir que merece ser feliz. E piora muito quando você é encanado e está passando pela adolescência, sem qualquer experiência carnal, com milhões de dúvidas e com medo, muito, muito medo.

E apesar de minha vida diferir muito no quesito familiar do personagem (já que toda a família me aceita e acolhe), eu ainda passo por todos os dilemas que ele passa, me coloco pra baixo, me acho indigno de felicidade, tenho um milhão de dúvidas e problemas quanto à minha aceitação (mesmo que um dia eu já não tenha tido milhões de problemas quanto minha aceitação, aceitação é algo que a gente trabalha diariamente).

Em resumo:

COMPRE E LEIA ASSIM QUE POSSÍVEL! É UM ÍCONE, A GENTE SE SENTE BEM LENDO, VAI MELHORANDO (caso você esteja mal por algum motivo), TE ILUMINA. NÃO PERCA TEMPO, POR FAVOR, NÃO DURMAM SOBRE ESSE LIVRO, ENALTEÇAM ELE!!!!!!!!!!!

Nota:



Ficha Técnica:

Autor: Vitor Martins

Editora: Globo Alt

Faixa de preço: 16,63 - 23,62

Onde comprar: Saraiva, Submarino, Americanas, Livraria da Travessa.











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