clube de escrita Dana Martins

Clube de Escrita: Dicas pra hora de editar

8.4.18Dana Martins


Terminei nesse instante de escrever por hoje e, como diria Padre Marcelo Rossi, "Jesus." Essa foi um 
sufoco.

Antes de tudo, aqui é Dana fazendo um participação especial no meio desse Clube de Escrita de Camp NaNoWriMo porque a Bells pediu. Eu, na verdade, não estou participando. Continuo firme e forte na edição da minha história, a Rebels AU.

Eu acabei de perceber que o capítulo que eu terminei hoje - o 5 de 19 -, levou uns 9 dias pra ser feito. Nesse tempo, eu voltei pra fazer uma parte extra no capítulo 4. Eu decidi tirar uns dias de folga. E eu quebrei a cabeça fazendo parágrafo funcionar. Engraçado é que no rascunho que eu fiz ontem pra esse Clube de Escrita, eu escrevi que tava indo muito bem, e agora eu já tô tipo:



Acho que é uma mistura. O capítulo funcionou melhor do que eu imaginava dentro do planejado. E esse capítulo junto com o 4 foram uns dos mais importantes, porque eles não existiam no meu primeiro rascunho e foi difícil entender o que aconteceria nessa parte pra funcionar. Minha história é baseada num namoro falso, e essa parte é justamente o momento que a gente entende a razão pra esse namoro acabar acontecendo. Felizmente, acho que consegui fazer algo bom.

Chegou até a ser supreendente como tudo se encaixou melhor que o previsto. É como se até aqui eu tivesse passado tanto tempo planejando, separando as linhas de história, e o retalhos como se fosse montar uma colcha, e agora que eu finalmente costurei, tudo foi pra o seu lugar e eu pude ver que fazia sentido.

Por outro lado, foi cansativo. Ou eu tô cansada agora. Eu percebi que nessa parte da edição, eu passo por essas etapas com cada capítulo:

1- Eu começo juntando meus trechos já escritos na ordem, e vendo o que precisa ser escrito, num arquivo em branco.
2- Nas partes que falta (se falta), escrevo qualquer merda pra ter uma base do que acontece nesses momentos.
3- Aí agora que eu já sei, eu começo a contar tudo do jeito que eu quero, costurando junto. Incluindo detalhes, vendo se tem continuidade no humor dos personagens e tempo.
4- Fico revisando até tudo estar no lugar e a leitura estiver fluindo.

Foi nessa terceira parte que eu tive dificuldade. Às vezes parece que eu não tenho energia pra escrever, ou pensar de forma clara como construir um parágrafo. Hoje mesmo eu tive que fazer uma pausa porque não tava indo a lugar nenhum - aí eu comi e acabei dormindo e descobri que, ei, era o sono! E talvez a minha dificuldade nesse capítulo tenha sido mesmo um reflexo dessa semana estranha que eu tive.

Seja como for, eu cheguei lá. E eu quero compartilhar algumas coisas interessantes sobre o meu (atenção: meu) processo.

1- Como eu edito parágrafos

Uma coisa que eu descobri que faço é usar o google docs com um bloco de notas. Mais ou menos assim:

se você quer o google docs escuro, é essa extensão de theme chamada Dark Mode (clique aqui)


É como se eu recortasse a parte do texto pra analisar no microscópio. Não sei por que eu faço isso, mas me ajuda. Talvez seja porque me dá mais flexibilidade pra trabalhar nesse trecho específico sem bagunçar com todo resto. Eu normalmente colo o trecho que eu vou trabalhar, e aí começo a reescrever, comparar versões, trocar frases de lugar. 

Eu não faço isso com tudo na história, só quando eu chego num parágrafo que eu não tô gostando e não tô conseguindo melhorar de cara. É tipo "pera, deixa eu pensar melhor sobre isso" *passa pra o bloco de notas* "vamos ver o que eu consigo fazer."

Uma outra coisa que eu faço e me ajuda: reescrever o parágrafo do zero sem olhar ou tentar imitar, só pensando "Como eu vou dizer isso?" e escrever. 

2- As diferentes habilidades da escrita

Quanto mais eu escrevo, mais penso que na escrita existem essas várias habilidades que a gente precisa aprender a hora de usar.

Exemplo: durante a edição, às vezes eu preciso escrever trechos inteiros que não existiam no meu primeiro rascunho. Pegar um texto escrito e melhorar vs. produzir algo do nada são duas coisas diferentes pra mim. A primeira eu fico atenta, criticando tudo, levo 7 anos decidindo qual palavra usar. Na escrita já faço o contrário: jogo a parte analítica do meu cérebro no lixo e vou embora.

Agora imagina ir de um estado pra o outro quando eu não sabia nem que existia essa diferença ou o que eu tava fazendo!!! Eu não ia. Eu ficava sofrendo em frente à página em branco sem entender por que não conseguia escrever. Aos poucos eu fui percebendo que essa era a razão, e cada vez mais rápido eu penso "ah, agora é hora de escrever qualquer merda."

E, vou te falar, escrever qualquer merda ajuda. Se tu não tem nada escrito, se você sabe o que acontece na cena, mas não sabe como dizer, escreve qualquer merda. "Fulana chega e dá um oi." Não precisa ter ordem, não precisa emendar. Pensa que tá contando pra um amigo o que você imagina que aconteceria na cena, e conta escrevendo no papel. Depois você vai poder melhorar, confie em mim.

Eu acho engraçado que eu fico tanto tempo no Clube falando pra escrever merda, que parece que eu não tô nem aí, mas eu tenho um editor interno gigante e cruel que quer ser perfeccionista nos mínimos detalhes. Costumo pensar que é por isso que eu não consigo editar e escrever ao mesmo tempo, porque se eu deixo o editor interno solto eu não boto uma palavra no papel. Então foda-se. Vai qualquer merda. Aí mais tarde chega a hora de editar e eu solto o monstro, e acabo 2 horas brigando com um parágrafo só. 

(cá entre nós, é melhor brigar com um parágrafo merda por 2 horas do que não ter nada escrito)

3- Saber dizer "é o melhor que eu posso fazer agora"

No sentido de reconhecer que é aquilo que você pode fazer melhor no momento. No caso aqui, momento vai tanto de "durante essa revisão" até "pra essa história." Agora, EU não sei reconhecer esse momento. Eu não olho pra o parágrafo e "hm, eu >sei< que é melhor ir em frente." Eu descubro tentando. Acho que chega um momento que começa a ficar muito exaustivo. A sensação é de algo que eu não consigo alcançar, seja porque está longe, seja porque não tenho força pra me mover. Então eu só deixo como tá e vou pra o próximo. É por isso que eu faço revisões por camadas - às vezes ir em frente vai desbloquear minha cabeça, vai dar o tempo pra "respirar" e quando voltar vou ver com outros olhos. 

Quando acontece isso na história em si, tipo eu querer que fosse melhor e não conseguir, eu tenho tentado aprender que vão ter outras oportunidades. Na próxima eu vou fazer melhor. Agora eu já sei prestar atenção naquilo. Eu diria que se a escrita fosse um jogo, cada história que a gente termina é subir de nível. Então se eu tô enfrentando um monstro acima do meu nível agora, é melhor eu ir em frente e subir de nível pra ficar mais forte, do que ficar ali eternamente quebrando a cabeça e me maltratando por não conseguir.



Obviamente, isso é depois de tentar bastante e ver que eu não tô saindo do lugar. E, além do mais, essas coisas que a gente vê como imperfeições podem dar vida pra história. Não é pra tudo ser perfeito. A gente não gosta das coisas porque são perfeitas, a gente gosta porque são humanas.

4- Aceitar que vai jogar coisas fora

(e que no fundo você não tá jogando nada fora)

Eu acabei de jogar fora 19 páginas do meu rascunho inicial. Eu nem reli, pra falar a verdade. (mas eu sei o que tem porque durante meu planejamento numerei todas as cenas, uso aquele esquema de outline do google docs, etc) Eu sei que tudo ali é porcaria. Era a parte do meu buraco na história e que ano passado, quando fiz meu rascunho inicial, eu tinha ficado travada. 

Hoje foi pior ainda, porque eu passei umas duras quebrando a cabeça num trecho QUE ESTAVA BOM pra depois pensar "quer saber? nada disso acontece, corta. vamos direto pra outra parte." 

Mas pra mim não é trabalho jogado fora. As palavras podem não estar mais no papel, mas o que eu aprendi escrevendo com certeza está na minha cabeça, e vai naturalmente aparecendo em outras partes da história.

Eu acho curioso que várias das coisas que acontecem nesse meu rascunho inicial merda reapareceram na nova versão completamente diferente. 

Além do mais, faz parte do processo de tentar. Talvez em um dia melhor - em que eu tô melhor - vá sair um texto fenomenal de cara? Isso acontece. Aconteceu uma madrugada essa semana em que eu reescrevi o início desse capítulo e adorei. Mas o que é que eu vou fazer? Vou esperar esse momento divino chegar? Como é que eu sei que não é hoje se eu não tô escrevendo? 

Além do mais, o velho:



Faz um ano já que eu tô trabalhando nessa Rebels AU (com pausa pra terminar outras histórias, mas ok). Eu quero ir em frente. Eu quero terminar logo. Nem exatamente porque eu quero me livrar da história, mas é que eu quero escrever a história. Como é que eu vou fazer isso se eu não tô tentando? 

E é isso. Vida que segue. O tempo de pensar acabou, chegou a hora de escrever. Ir em frente um passo de cada vez.


Obs: Não pretendo voltar ao Clube de Escrita até terminar essa história. Até lá, falo sobre escrita na minha newsletter semanal, o Batdrama, que você pode se inscrever aqui.

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